Crítica | Supergirl – 2X16: Star-Crossed

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estrelas 3

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Ao término de Exodus, o episódio anterior de Supergirl, era de se esperar que algo grande aconteceria em Star-Crossed. Ainda assim, um temor tomou conta de mim em virtude do anunciado crossover com The Flash, medo esses, que, felizmente, não se concretizou, visto que, assim como em Medusa, a união das duas séries começou a acontecer apenas no desfecho do capítulo. Dito isso, apesar de alguns típicos problemas aqui e lá, tivemos um bom episódio do seriado, que conseguiu se redimir após a tragédia que foi seu antecessor. Uma pena que os espectadores exclusivos de Supergirl sejam forçados a assistir o desenvolvimento desse mini-arco no seriado do velocista.

A trama tem início no apartamento de Kara, com ela e Mon-El decidindo assistir um musical, aproveitando o tempo livre da heroína agora desempregada. Seus planos são interrompidos, contudo, quando uma transmissão alienígena toma conta de todas os televisores da cidade, exigindo que Mon-El fosse entregue a eles. Posteriormente, no DEO o daxamita decide ir por livre e espontânea vontade e Kara, o pegando desprevenido, vai junto, apenas para descobrir que a nave que paira sobre National City é de Daxam e ali dentro estão os pais de seu namorado, que revela ser o príncipe do planeta. Enquanto isso, Winn é passado para trás por sua namorada, que o usa a fim de roubar um quadro de Van Gogh de um museu com péssima segurança.

Star-Crossed é um episódio que sabe respeitar a construção de personagens realizada até aqui no seriado – Mon-El é colocado em xeque, em uma posição inesperada e, sem saber ao certo o que fazer, ele acaba se comportando de tal forma que se encaixa com tudo o que vimos até aqui quando se trata do personagem. Não há reações precipitadas ou ações tiradas do nada, tudo funciona como o estopim de algo que já vinha sendo construído praticamente desde o início da temporada. A reação de Supergirl à sua recente descoberta, infelizmente, cai no velho problema da série: o excesso de drama que faz a personagem parecer como uma adolescente e não a adulta que verdadeiramente é, regredindo a relação dos dois para o eterno vai e vem que marcou grande parte desse ano. Felizmente, mesmo com o velho papo motivacional, a protagonista não volta atrás ao término do capítulo, reduzindo um pouco o teor de telenovela da série.

Surpreendentemente, o desenvolvimento da subtrama ligada a Winn e sua namorada consegue funcionar melhor, com comportamentos mais maduros de seus personagens e uma atuação de  Jeremy Jordan, que chega a impressionar. Em geral o personagem é limitado a ser o engraçadinho do DEO, mas aqui vemos ele em um drama muito maior e o ator consegue entregar um retrato genuíno da dor pela qual passa, fazendo com que nos simpatizemos pela sua situação. O mesmo pode ser dito de Chris Wood, que já vem demonstrando ser um dos pontos altos da série, sabendo transitar entre a descontração e o drama com facilidade, sem soar infantil demais como Kara.

Infelizmente, os minutos finais do capítulo, que funcionam como prólogo do crossover com The Flash, soam totalmente desconexos do restante, sendo claramente inseridos a fim de explicar o encontro entre os dois heróis. A aparição do Music Meister (Darren Criss) acaba parecendo como um detalhe acrescentado no último minuto em um episódio que deveria ter acabado na sequência anterior. Mais preocupante é que isso pode colocar em pausa os acontecimentos centrais dessa temporada da série, a não ser, é claro, que tudo seja resolvido no seriado do velocista escarlate. Teremos que conferir a segunda parte do crossover para descobrir.

Dito isso, Star-Crossed, mesmo com seus deslizes, em geral ligados à personalidade exageradamente dramática de Kara, consegue ser um bom capítulo de Supergirl, tendo uma qualidade evidentemente superior ao anterior, Exodus. Resta saber se na próxima semana iremos começar de um ponto totalmente diferente ou se algo será explicado, caso contrário, teremos de nos forçar a assistir The Flash, algo que não tem provado ser tarefa fácil. A esperança é que o mais recente drama entre o daxamita e a kryptoniana seja resolvido rapidamente, caso contrário vamos permanecer nessa enrolação por sabe-se lá quanto tempo.

Supergirl – 2X16: Star-Crossed — EUA, 2017
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção:
John Medlen
Roteiro:
Katie Rose Rogers, Jessica Kardos
Elenco: 
Melissa Benoist, Chyler Leigh, Peter Gadiot, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Katie McGrath, Brit Morgan, Teri Hatcher, Darren Criss, Tamzin Merchant
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.