Crítica | Supergirl – 2X17: Distant Sun

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estrelas 3,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Star-Crossed finalmente trouxe os pais de Mon-El para o centro das atenções em Supergirl, fato que já vem sendo construído desde o início da temporada, com alguns trechos envolvendo o passado do daxamita. Apesar do interlúdio musical envolvendo o Music Meister, que compôs o crossover com The Flash na semana anterior, Distant Sun funciona como uma continuação direta do décimo sexto capítulo do seriado, não sendo necessário ao espectador assistir Duet, que, de relevante, apenas nos trouxe as pazes entre Kara e Mon-El. Dito isso, as ameaças da realeza de Daxam continuam aqui.

O episódio tem início mais uma vez na casa de Kara, com momentos de casal feliz entre a kryptoniana e seu namorado. Isso, porém, é interrompido quando um alienígena desconhecido ataca as ruas de National City. Após impedi-lo, Kara, no DEO, descobre que ele é um caçador de recompensas e que há um preço na cabeça da heroína. Não demora muito para descobrirem que fora a mãe de Mon-El a responsável por isso e juntos eles precisam descobrir uma maneira de resolver a situação sem que o príncipe retorne para o seu planeta e, claro, a protagonista não morra. Isso, contudo, se prova cada vez mais difícil, especialmente considerando que a rainha má possui adagas de kryptonita.

Já era bastante previsível que Rhea (Teri Hatcher, ou Lois Lane), a rainha de Daxam, não desistiria de seu filho assim tão rápido. A construção que vimos até aqui na temporada, se fosse resolvida tão rapidamente, nos entregaria algo mais do que anticlimático e que não corresponderia nem um pouco com o pouco que conhecemos dessa antagonista, a qual já aprendemos a odiar. O problema de toda a narrativa é como ela custa a abandonar sua estrutura procedural, trabalhando com ameaças imediatas que são resolvidas, apenas para novas aparecerem, criando algo fragmentado, que não combina bem com a linha narrativa envolvendo essa realeza.

Felizmente, a direção de Kevin Smith novamente não deixa a desejar. O diretor mostra que sabe trabalhar tanto com as sequências de ação, nas quais nos poupa de cortes excessivos, preferindo planos mais longos, quanto nas de drama, embora ainda não consiga transformar a relação de Alex em algo mais do que um romance extremamente piegas tirado de um livro young adult. De fato, se há um grande problema em Distant Sun é esse filler envolvendo a irmã de Kara, que claramente se intromete demais na vida de sua namorada, chegando ao ponto de controlá-la sem que a outra perceba. Vejam, não critico ela oferecer suporte, mas há um limite entre isso e forçar algo em uma pessoa claramente abalada com seu passado. Danvers não é psiquiatra, mas acha que é.

O roteiro de Gabriel Llanas e Anna Musky-Goldwyn, por outro lado, trabalha muito bem a tensão envolvendo a relação entre a protagonista e seu namorado. Ao inserir Romeu e Julieta na história, automaticamente o receio de que um dos personagens morra se torna realidade (não Kara, é claro, a menos que trocassem o nome do seriado). Ao longo dessa temporada nos aproximamos cada vez mais de Mon-El e ouso dizer que ele é o único personagem com um arco bem desenvolvido, que evoluiu ao longo desses dezessete episódios – perdê-lo aqui seria um grande baque para nós, espectadores, ainda que ele tenha estagnado por alguns capítulos em termos de desenvolvimento pessoal.

Mesmo com seus deslizes e seu apoio em uma estrutura procedural, que não mais combina com o que temos visto da série, Distant Sun prova ser mais um bom episódio da série, que apresenta claros sinais de melhoria nessa segunda metade da temporada, por mais que tenha tropeçado algumas vezes ao longo do caminho. Com a relação de Kara e Mon-El trabalhada de forma que respeita o desenvolvimento do personagem até aqui, o capítulo sedimenta Rhea como uma verdadeira vilã. Resta torcer para que ela seja bem aproveitada nos episódios posteriores e que toda essa ameaça não seja resolvida apenas em um curto período. Saberemos mais após o breve hiato que Supergirl entra a partir desta semana.

Supergirl retorna no dia 24 de abril.

Supergirl – 2X17: Distant Sun — EUA, 2017
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção:
Kevin Smith
Roteiro:
Gabriel Llanas, Anna Musky-Goldwyn
Elenco: 
Melissa Benoist, Chyler Leigh, Peter Gadiot, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Katie McGrath, Brit Morgan, Teri Hatcher, Tamzin Merchant
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.