Crítica | Supergirl – 2X18: Ace Reporter

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estrelas 1

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Após um hiato de quase um mês, Supergirl retorna com mais um “vilão da semana”, interrompendo a ameaça proporcionada pela mãe de Mon-El no desfecho do capítulo anterior, vilania essa que já está se estendendo por mais tempo que deveria, em razão, claro, de cada tentativa de acabar com Supergirl ser resolvida em apenas um episódio, não dando espaço para uma maior continuidade. Ace Reporter vem, portanto, como um retorno às origens do seriado, o que está longe de ser uma coisa boa.

A trama tem início com uma cena completamente desnecessária no DEO, com Kara chegando extremamente empolgada, querendo acabar com alguns bandidos, somente para descobrir que National City está estranhamente tranquila. Era de se esperar que algo estivesse provocando essa repentina paz e podemos interpretar que isso foi obra do Guardião, mas, já que o roteiro de Paula Yoo e Caitlin Parrish sequer deixam isso implícito, não podemos deixar de pensar que se trata apenas de uma grande coincidência. Esse ponto, claro, é utilizado para levar a heroína de volta para sua casa, onde é visitada por Lena Luthor, que a pede para ir com ela no lançamento de produto de um ex seu (não poderíamos ter começado a história desse ponto?). Evidente que a ameaça em questão vem dessa nova criação do indivíduo e, prontamente, pessoas começam a morrer. Cabe a Kara investigar, tanto como repórter, como superheroína.

Ao terminar de assistir Ace Reporter sentimos como se ele fosse um grande filler feito somente para que a Luthor fosse abordada por Rhea, nos minutos finais e para que Danvers ganhasse seu emprego na CatCo de volta. Fora isso, não há absolutamente nada de relevante, aqui, que não poderia ser trabalhado em outro episódio. O mais gritante são as sequências com o Guardião, que soam como um filler dentro do filler, provando, de uma vez por todas, que esse herói sequer deveria existir. Mas, é claro, que o bolso da CW fala mais alto e a intenção, imaginamos, é a de preparar mais uma série baseada nos quadrinhos da DC Comics, com James Olsen como protagonista – algo que, sinceramente, jamais esperamos ver.

Ao se estruturar como o velho “caso da semana” sabemos, de imediato, que nada de grandioso irá acontecer no capítulo, o que tira totalmente a sensação de urgência tão necessária para que realmente nos importemos com a série. Em momento algum os nano-robôs de Jack Spheer são sentidos como uma ameaça para qualquer um dos personagens centrais e nem mesmo o DEO é mobilizado para fazer qualquer coisa, só aparecendo nos minutos iniciais. Considerando que duas pessoas morreram, era de se esperar que Kara pedisse ajuda na organização com um superhacker para descobrir mais acerca de Spheer, mas isso jamais acontece, provando como o roteiro se esforça para tornar tudo o mais artificial possível.

Essa artificialidade se torna ainda mais clara quando o Guardião começa a combater o crime nas ruas de National City – ela não estava tranquila? O pior, contudo, são as forçadas relações interpessoais que o texto joga no espectador, desde o passado amoroso de Lena, até a briga de Winn com sua namorada, que tem um surto dramático do nada, por mais que isso jamais tenha acontecido anteriormente (exceto quando seu irmão estava em perigo). O que chega a parecer é que os atores receberam o roteiro no momento das filmagens e tiveram de decorar suas falas ali mesmo, sem qualquer preparo prévio.

Com todos esses problemas em mente, fica fácil enxergar por que não sentimos a menor saudade de Supergirl durante esse hiato. Ace Reporter mostra como essa série estraga qualquer chance de nos engajar com uma linha narrativa, forçando no espectador um “vilão da semana” que não representa qualquer ameaça. Ao invés de focar no drama dos personagens e, portanto, construí-los de melhor maneira, os roteiristas preferem nos entregar gigantescos fillers, que chegam a dar pesadelos só de pensar que teremos de ver outro episódio na semana que vem.

Supergirl – 2X18: Ace Reporter — EUA, 2017
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção:
Armen V. Kevorkian
Roteiro:
Paula Yoo, Caitlin Parrish
Elenco: 
Melissa Benoist, Chyler Leigh, Peter Gadiot, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin,  Katie McGrath, Brit Morgan, Teri Hatcher, Tamzin Merchant
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.