Crítica | Supergirl – 2X20: City of Lost Children

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estrelas 0,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Estamos à beira do season finale de Supergirl e, pelo andar da carruagem, a tríade de showrunners da série realmente está se esforçando para cumprir a meta de vinte e dois episódios, visto que na semana anterior fomos agraciados com um filler e o mesmo, em partes, ocorreu aqui. Digo isso pois a trama principal chegou a ser movimentada, o problema é todo o restante do capítulo, que se resume em conversas motivacionais por parte de praticamente todos os personagens, a tal ponto que o gênero da série poderia ser considerado auto-ajuda. City of Lost Children é mais uma prova do quão longe Supergirl está de ser um seriado minimamente decente.

A trama tem início com o Guardião salvando uma mulher de assaltantes. Ao fazer isso, a donzela em perigo acaba correndo dele assustada, mas quem realmente é deixado com medo somos nós espectadores: estamos falando de um episódio focado em Jimmy Olsen, o equivalente dos capítulos de Sansa nas Crônicas de Gelo e Fogo. Pouco depois, National City é atacada por uma alienígena com poderes telecinéticos, que desaparece logo em seguida. Convenientemente, Olsen, após agredir, sem fazer perguntas, um traficante e um sujeito comprando maconha, descobre onde pode encontrar essa alienígena. O que encontra no local, porém, é seu filho, dando início a uma série das já mencionadas conversas motivacionais. Enquanto isso, Rhea ajuda Lena a completar o portal intergaláctico.

O que torna a grande maioria de City of Lost Children como uma total perda de tempo é o fato de que a subtrama envolvendo os alienígenas com poderes telecinéticos não acrescenta em absolutamente nada. Todo esse problema é um mero efeito colateral do portal sendo criado e não tem nenhuma conexão com os planos de Rhea em si. Claramente, se trata de um recurso para dilatar o episódio, a fim de chegar aos vinte e dois episódios da temporada. Se, ao menos, isso fosse utilizado para trabalhar os personagens da série, teríamos algo relevante, mas o dilema de Jimmy apareceu e foi resolvido nesses quarenta e dois minutos e a forma como ele foi embora se baseou no uso artificial de diálogos que apenas batem na mesma tecla repetidas vezes.

Mas é o lado da história envolvendo Rhea que nos entregou os momentos verdadeiramente ridículos. Para começar, temos o grande vilão revelando todos os seus planos pelo celular, quebrando qualquer esperança de assistirmos uma narrativa dramática, como se duas pessoas estivessem se xingando através do telefone apenas. Segundo, temos Mon-El simplesmente olhando para sua mãe, enquanto J’onn sofre na sua frente – ele não poderia ter dado um tapinha no dispositivo na mão de Rhea, ou, pelo menos, ter tentado? Em terceiro lugar, fomos forçados a presenciar os piores efeitos especiais da série até aqui, com direito a uma cidade que parece ter sido renderizada em um jogo de Playstation 2 e Supergirl caindo em uma vergonhosa areia artificial – por falar nisso, ela fica caída lá por alguns bons minutos, esperando as naves passarem, sem nenhuma justificativa.

 O ápice da estupidez do episódio, porém, é cometido pela superheroína, que sequer tenta destruir o gerador de energia, ao invés do portal em si. O que ela faz? Lança seu laser direto no portal. Ao seu lado temos Lena Luthor, que não diz o que ela pode destruir para interromper a geração de energia, algo que somente perdoaremos se algum tipo de metal indestrutível tiver sido utilizado, o que muito provavelmente não foi o caso. Como cereja no bolo, vemos um grupo de alienígenas com poderes telecinéticos, todos juntos, que simplesmente observam uma frota de naves passando sobre sua cabeça, sem fazer absolutamente nada.

City of Lost Children é mais uma verdadeira tragédia, outro capítulo que deve envergonhar os criadores da heroína. Tratando todos os seus personagens como estúpidos e tornando o roteiro com mais furos do que palavras, esse episódio nos mostra claramente tudo o que há de errado com Supergirl. A esperança é que as coisas melhorem nos dois capítulos finais, caso contrário, não teremos como não abandonar esse navio.

Supergirl – 2X20: City of Lost Children — EUA, 2017
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção:
Ben Hernandez Bray
Roteiro:
Gabriel Llanas, Anna Musky-Goldwyn
Elenco: 
Melissa Benoist, Chyler Leigh, Peter Gadiot, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin, Katie McGrath, Brit Morgan, Teri Hatcher, Tamzin Merchant
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.