Crítica | Supergirl – 2X21: Resist

estrelas 0,5

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

A suspensão de descrença é um elemento praticamente essencial em quase todas as histórias de super-heróis, independente de qual mídia estamos falando. Através dela aceitamos, por exemplo, que o Homem de Ferro não vira patê humano todas as vezes que pousa com sua armadura em alta velocidade,  que o Flash consegue respirar e enxergar enquanto corre, ou que o Demolidor consegue sentir a presença de papel dentro de uma gaveta em uma sala fechada. Existe, porém, um limite do quanto podemos acreditar, mesmo dentro desses universos fantasiosos e, quando esse limite é ultrapassado a suspensão de descrença se transforma em um roteiro ruim. Esse é o caso de Resist, penúltimo episódio da segunda temporada de Supergirl.

A trama tem início praticamente logo após os eventos de City of Lost Children. National City está sendo atacada pelas forças invasoras de Daxam, que contam com tecnologia muito superior à da Terra. Nesse cenário, a presidente dos EUA, em uma manobra de plena estupidez, que, claro, jamais aconteceria em qualquer hipótese, voa em direção à nave mãe daxamita com o Força Aérea Um sendo escoltado por dois caças. Evidente que o avião é abatido depois de uma conversa que eleva o “mimimi” para outro nível e Supergirl resgata Cat Grant, que estava na aeronave, descobrindo, no processo, que a presidente é uma alienígena. Rhea, por sua vez, tolerante como sempre, pretende casar Mon-El com Lena Luthor, por razões piores do que as da vinda da Presidente para National City.

Se ao menos os absurdos do roteiro de Resist se limitassem a esses pontos já abordados, poderíamos até perdoar o episódio. O problema é que ele se configura como uma sucessão de elementos que parecem ter sido coletados das mentes de diferentes pessoas, aleatoriamente, e colocados todos juntos sem nenhuma preocupação em relação à coesão do capítulo ou da temporada como um todo. Podemos falar do canhão secreto em cima do DEO, que convenientemente aparece somente agora, embora National City já tenha sido atacada incontáveis vezes. Há de se questionar, também, as capacidades de observação de Cat Grant, que reconhece James pela fresta de um capacete, mas não sabe que Supergirl é Kara, mesmo essa não usando nenhum disfarce. Que tal o fato de Rhea simplesmente ignorar o casamento após ter sido provocada por Grant? Não há a menor lógica.

Tais elementos poderiam, pelo menos, impulsionar a narrativa adiante, funcionando como pontos de virada que trouxessem novas perspectivas para os personagens. Mas, infelizmente, esse não chega a ser o caso. A revelação da presidente ser uma alienígena, por exemplo, não afeta a trama em absolutamente nada. O próprio raio laser secreto não desempenha qualquer papel narrativo, além de dilatar a trama do capítulo, podendo facilmente ser substituído por uma bomba dentro da nave, o que excluiria a necessidade de uma montagem paralela e a criação de uma tensão artificial, que jamais se concretiza, já que temos a plena certeza de que Alex jamais irá atirar em sua própria irmã. Tudo isso para, sem mais nem menos, o Superman aparecer no final nesse cliffhanger insosso, que esperamos que tenha uma boa explicação no próximo episódio.

Mesmo os atores parecem não gostarem do enredo no qual estão inseridos. Vide Calista Flockhart, que apenas sai jogando suas falas aos ventos sem a menor expressividade. Ou Katie McGrath, como Lena, que parece atuar em modo automático, não demonstrando a menor energia e vontade de participar de tudo aquilo. O auge, porém, é Teri Hatcher, que joga tudo para o auge do ridículo através de sua teatralidade excessiva, que torna sua personagem em alguém que jamais conseguimos verdadeiramente acreditar.

Resist marca a primeira parte do season finale dessa segunda temporada de Supergirl e, em quarenta e dois minutos, resume todos os problemas dessa série, que conta com roteiros esquizofrênicos, repletos de furos, com atores já cansados de viverem seus papéis. Nesse ponto já deixamos de ter esperanças de que algo poderá salvar essa temporada, afinal, mesmo se o próximo capítulo for perfeito em todos os sentidos, não conseguirá afastar as péssimas memórias desse segundo ano do seriado, que chegou a ter uma boa fase, mas que foi curta e ficou perdida no meio de todas as tragédias que são os outros episódios.

Supergirl – 2X21: Resist — EUA, 2017
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção:
Millicent Shelton
Roteiro:
Jessica Queller, Derek Simon
Elenco: 
Melissa Benoist, Chyler Leigh, Peter Gadiot, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin, Katie McGrath, Brit Morgan, Teri Hatcher, Tamzin Merchant, Calista Flockhart
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.