Crítica | Supergirl – 2X22: Nevertheless, She Persisted

Episódio e temporada:

estrelas 2

Obs: Há spoilers. Leiam as críticas dos demais episódios aqui.

Depois de inúmeros episódios verdadeiramente torturantes, Supergirl, enfim, nos entrega algo que beira o satisfatório, através de um finale repleto de ação e momentos dramáticos bem justificados. Dito isso, seria praticamente impossível resolver, em apenas um capítulo, todos os problemas deixados pelos seus terríveis antecessores, o que, claro, não perdoa os próprios erros de Nevertheless, She Persisted. Ao menos, o roteiro de Robert L. Rovner e Caitlin Parrish conseguiu garantir o tom cíclico da temporada, fechando esse grande arco como deveria.

O episódio inicia exatamente onde fomos deixados na semana anterior. Superman, controlado por Rhea, luta contra Kara, que hesita, buscando uma forma de trazê-lo de volta à consciência. Vendo que não há outra alternativa, ela acaba derrotando seu primo e ambos acordam na Fortaleza da Solidão, onde descobrem uma maneira de acabar com o ataque dos daxamitas. Ao mesmo tempo, Lilian Luthor, convenientemente, aparece com um dispositivo capaz de irradiar chumbo pela atmosfera, tornando-a tóxica para os invasores de Daxam. O problema é que isso afetaria, também, Mon-El, que seria forçado a deixar o planeta.

Ao contrário dos capítulos anteriores, que demonstram a capacidade de errar por todas as vias possíveis, o problema de Nevertheless, She Persisted se encontra nos furos do roteiro, algo, claro, mais que comum quando falamos de séries da CW. Para começar, temos Superman servindo apenas como fan-service, visto que ele não desempenha qualquer função no capítulo, além do clássico “papinho motivacional”. O texto, felizmente, não perde muito tempo com o Super, que, depois de apanhar horrores responde a pergunta de Batman em Batman vs. Superman: ele não sangra, nem Kara, aparentemente.

Os furos continuam a partir daí, com Supergirl demonstrando dificuldade em derrotar Rhea, o que não faz o menor sentido, já que o Sol da Terra não os deixa tão poderosos quanto os kryptonianos. Para piorar, a rainha má revela que seu sangue contém kryptonita, outro ponto inexplicável, já que Supergirl sentiria desde a presença do elemento só de estar perto da vilã e sabemos que sua pele não é feita de chumbo. E nem vamos entrar no quesito da kryptonita de prata, que é esquecida pela própria antagonista, que poderia ter a utilizado o tempo todo contra a heroína. Mas nada supera a própria ingenuidade de Kara em acreditar que Rhea iria embora caso fosse derrotada, aspecto, inclusive, que torna completamente previsível o desfecho.

Podemos partir para aspectos mais gerais também, como o fato de uma cidade americana estar sendo atacada por alienígenas, depois do Força Aérea Um ter sido abatido e não vemos sequer um soldado atirando nos invasores. Em uma situação como essa não era de se esperar alguma mobilização das tropas americanas? Aparentemente a presidente confia demais na meia dúzia de pessoas que forma o DEO. Além disso, em universo algum todo o mundo se renderia caso Supergirl perdesse a luta, mas, como isso não aconteceu, não precisamos entrar nesse ponto. E já falando de pessoas desaparecidas, James Olsen, aparentemente, desistira de lutar, já que não faz nada nesse episódio e até mesmo os marcianos convenientemente aparecem para ajudar.

Ao menos, a partida de Mon-El é algo que faz sentido – no início da temporada vimos a sua chegada e agora a despedida, representando o término de um arco, que abre espaço para o crescimento da protagonista. Melissa Benoist faz um bom trabalho, dando o máximo de si, nos fazendo realmente acreditar que ela está desolada com a partida de seu namorado. É um momento tocante, que, quase, nos faz esquecer dos pontos negativos observados anteriormente.

No lado técnico, o capítulo também não se sai tão bem, especialmente nas vergonhosas sequências de ação. A luta entre Kara e Clark é o ponto mais baixo, com direito a desconfortáveis closes que apenas explicitam a artificialidade de todo o combate. Além disso, não há como não revirar os olhos com o excesso de explosões, claramente um recurso dramático, mas que ultrapassa todos os limites do ridículo, visto que até estruturas de pedra explodem.

Nevertheless, She Persisted está longe de ser um bom episódio de Supergirl, mas, ao menos, nos entrega um desfecho que se encaixa com tudo o que vimos nessa terceira temporada. Com inúmeros furos no roteiro, elementos que não fazem o menor sentido e um final que consegue ser dramático na dose certa, somos deixados com um cliffhanger que nos faz temer pelo futuro da série, visto que outro kryptoniano foi revelado. Pelo menos resta tempo para a chegada da terceira parte dessa tortura em forma de série de televisão.

Supergirl – 2X22: Nevertheless, She Persisted — EUA, 2017
Showrunner: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti, Ali Adler
Direção:
Glen Winter
Roteiro:
Robert L. Rovner, Caitlin Parrish
Elenco: 
Melissa Benoist, Chyler Leigh, Peter Gadiot, Jeremy Jordan, Chris Wood, David Harewood, Tyler Hoechlin, Katie McGrath, Brit Morgan, Teri Hatcher, Tamzin Merchant, Calista Flockhart
Duração: 
42 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.