Crítica | Supergirl: Renascimento

estrelas 3

Obs: Leia as críticas dos demais one-shots que abrem a fase Renascimento da DC Comics, aqui.

Um dos principais apelos que a DC Comics possui em sua história, com certeza é o legado. Em seus mais de 80 anos, a editora sempre valorizou muito essa palavra e esse conceito. Vimos Bruce ensinar Dick, Barry ajudar Wally e Kal-El ser o mestre de sua prima Kara. Porém, nos últimos anos, esse antigo conceito pareceu ser deixado de lado. As duas últimas linhas editoriais, os Novos 52 e DC You, não tinham como objetivo exaltar o velho, mas sim construir o novo. Isso não é ruim, muitos novos fãs foram “abocanhados” com essa nova visão. Os 52 se sustentaram por muitos anos, e em todo esse tempo, histórias foram recontadas, enquanto alguns personagens foram muito bem escritos e outros nem tanto.

Kara Zor-El, mais conhecida como Supergirl é uma personagem que vem ganhando muito destaque nos últimos anos. Isso se deve muito pela sua fase dos novos 52, mas a maior culpada é com certeza sua série, que agora foi comprada pela CW. Kara nunca foi uma personagem com um caráter bem definido, ela não teve o destaque que outros “sidekicks” possuíam. Um dos maiores culpados disso é seu mentor, o Superman. Por ser o maior de todos, Kal-El nunca precisou de ajuda de sua prima mais nova, deixando a personagem com uma imagem de “menina frágil” por muitos e muitos anos.

supergirl-rebirthTodas as primeiras edições do Rebirth tem duas possibilidades, ou começar tudo do zero sem precisar encerrar nada tratado anteriormente, ou, antes de começar, fechar algumas pontas que não foram encerrados no ultimo arco. Supergirl está na segunda opção, logo no começo vemos o fechamento do antigo arco. Isso atrapalha um pouco o prazer de leitura, quando abrimos uma edição com o número 1 na capa, esperamos entende tudo logo de início. Mas o desconforto logo acaba, com a habilidade do roteirista Steve Orlando as pontas são fechadas e conseguimos seguir em frente.

Antes de vermos a protagonista, somos apresentados aos pais da menina. A primeira página do quadrinho temos um flashback que, mostra um antigo juri de Krypton liderado por Zor-El condenando um homem para a zona fantasma. Depois vemos Kara, a menina está sem poderes, a fim de recuperar suas forças ela entra em um foguete que vai na direção do sol. Porém, o kryptoniano condenado anteriormente acaba entrando na terra no momento que a heroína está longe. Sim, é muita coincidência! Infelizmente Steve não nos explica como a criatura veio parar na Terra, isso simplesmente acontece.

Mas não é só de erros que o roteiro de Steve Orlando vive, todo o tom que o escritor conseguiu colocar em Kara é uma mistura perfeita. No começo do texto escrevi sobre legado, e não se pode escrever Supergirl sem colocar uma pitada de legado. O que também não deve ser esquecido é o tom que a série da personagem alcançou. Steve consegue englobar muito bem esses dois aspectos da personagem. Somos apresentados a uma heroína madura, que não apenas respeita, mas quer ser um símbolo de justiça e esperança, sem deixar de ser Kara Zor-El.

A arte é algo a ser citado, não é mostrado uma identidade visual única no quadrinho. Porém, isso está longe de ser um defeito, Emanuela Lupacchino tem um traço muito delicado, que são acertivos tanto em planos gerais como nos mais focados. Infelizmente, uma edição ainda é muito pouco para definir o sucesso do quadrinho. Mas já é possível dizer que Kara esta em boas mãos.

Não podemos esquecer que o Renascimento é apenas uma edição de apresentação. Orlando soube deixar um gostinho de quero mais no final. A Supergirl nunca teve uma grande atenção da editora, e talvez por isso, a menina nunca foi considerada uma grande personagem. Fiquemos na esperança que Orlando e Lupacchino tragam bons dilemas e transformem uma personagem que não tem um passado muito brilhante, em uma heroína que brilha como sol vermelho de Krypton.

Supergirl: Renascimento (Supergirl: Rebirth #1) — EUA, 2016
Roteiro: Steve Orlando
Arte: Emanuela Lupacchino
Cores: Michael Atiyeh
Letras: Ray McCarthy
Editora original: DC Comics
Datas originais de publicação: 2016
Editora no Brasil: Não publicado no Brasil até a data da crítica.
Páginas: 25 (aprox.)

PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".