Crítica | Superman: Alienígena Americano #1

estrelas 4,5

 aa1Mesmo não sendo o mais devoto leitor de quadrinhos por aí, até mesmo eu sei que o Superman é um personagem difícil de ser lidado, seja nos quadros de papel ou nas telas do cinema. O tratamento do personagem como um alienígena e sua dualidade dentro da raça humana é um dos aspectos que mais chamou minha atenção em O Homem de Aço, e surpreendi-me ao ver o escritor Max Landis abordar exatamente essa linha em sua série em formato de antologia Superman: Alienígena Americano.

Landis é um fã assumido do personagem e sempre ansiou por uma abordagem radical para o personagem, descrevendo as 7 histórias da série como contos diferentes que o Superman lhe contaria em uma mesa de bar. São edições que não seguem uma narrativa fixa, mas sim eventos marcantes na vida de Kal-El/Clark Kent que viriam a definir importantes aspectos de seu caráter.

A primeira edição é batizada de Dove e traz Clark com 12 anos de idade em um momento surreal com a manifestação de seus poderes de voo e o perigoso desconforto a ele. Alguns flashbacks brevemente nos informam de sua origem alienígena e sua descoberta pelos fazendeiros Jonathan e Martha Kent, que então o adotaram como filho.

A sensação de isolamento de Clark é muito bem desenvolvida aqui, fazendo jus ao título da minissérie. O quadro no qual vemos o jovem encarando um espelho apenas para enxergar um rosto marciano é excelente, assim como o impactante desenho do interior da nave kryptoniana que traz um bebê Kal-El envolvido em vultosas escarlates assustadoras.

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Então passamos para o dilema de seus pais terráqueos quanto a decisão de manter ou não a criança, e o conflito interno em Jonathan é particularmente interessante. O personagem é fechado e quase que emburrado grande parte do tempo (além de ser muito mais jovem), o que por si só já revela uma mente borbulhando com ideias – em certo momento, um médico sugere que Clark seja enviado para testes no governo – enquanto raciocina para tomar a decisão mais sábia.

Aliás, é com Jonathan que temos um dos momentos mais belos da história, quando decide ajudar Clark a dominar sua habilidade de voo, colocando-o no topo de sua caminhonete enquanto a dirige pelo milharal da fazenda. É uma grande catarse por enfim vermos Jonathan aceitar o lado milagroso de seu filho, e a grande revelação da “capa” vermelha ao final do conto é muito divertida.

Na arte de Dove, Nick Dragotta oferece um traço clean e rechonchudo para a história, que Landis define como “emotiva”. Não é um desenho que se preocupa em ser realista, e o aspecto quase infantil de suas formas e movimentos certamente ajuda a marcar as emoções dessa história em particular. A forma como a paleta de cores de Alex Guimaraes alterna também é notável, com as cenas de Clark no médico adotando um cinza mórbido enquanto o desfecho de seu voo pelo milharal abraçando um verde saudoso.

Alienígena Americano inicia-se muito bem com uma releitura intimista e criativa de uma história já conhecida. É uma leitura rápida e que envolve o leitor em sua curta duração. Certamente uma forma muito interessante de se abordar o Superman.

Superman: Alienígena Americano #1 (Superman: American Alien – EUA, 2015)

Roteiro: Max Landis
Arte: Nick Dragotta, Matthew Clark
Cores: Alex Guimaraes, Rob Schwager
Letras: John Workman, Matthew Clark
Editora nos EUA: DC Comics
Data original de lançamento: 11 de novembro de 2015
Páginas: 32

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.