Crítica | Superman: Alienígena Americano #2

estrelas 4

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Na segunda edição de Alienígena Americano, intitulada Hawk, temos uma mudança brusca tanto em tom quanto em arte. De cara, o desenho amigável de Nick Dragotta é substituído pelo traço agressivo e mais “adulto” de Tommy Lee Edwards. A justificativa de Max Landis para a rotação de artistas é muito válida, frisando que sua minissérie é como uma coleção de eventos da vida, e que os diferentes momentos de nossas vidas não merecem ter a mesma cara.

E a situação violenta em Hawk certamente se adéqua ao traço de Edwards. Aqui, uma quadrilha de assaltantes espalha o caos pela pacata cidadezinha de Smallville, no Kansas. Paralelamente, acompanhamos um Clark Kent adolescente estudando com sua amiga/interesse amoroso Lana Lang, apenas para interromper a sessão para sair de carro com seu melhor amigo Pete Ross.

E é aí que vemos uma característica fortíssima que Landis tem demonstrado em seus roteiros cinematográficos (especialmente em Poder sem Limites), que é justamente a jovialidade. Kent não é nenhum nerd, bebe cerveja escondido, se vangloria por poder passar a noite na casa de Lana na ausência de seus pais e até discute seus poderes com o amigo; rendendo uma divertida conversa sobre usar a visão de raio X para bisbilhotar através de roupas, e uma resposta ainda melhor sobre o porquê Clark não o faz: os corpos ficam estranhos, amassados quando envoltos de tecidos. Esses pequenos momentos representam o que Landis tem de melhor, e fazem toda a diferença na forma como caracterizam o personagem.

Então a notícia do ataque chega à Clark. É uma situação que logo torna-se sombria, especialmente por tratar-se de um ato tenebroso em uma pequena cidade do interior, colocando-a quase que inteiramente sob vigilância. A forma como Edwards retrata a violência é impactante, nos fazendo temer até mesmo por um ser indestrutível, que ignora as ordens da polícia e parte para a casa onde a quadrilha se esconde. O único demérito talvez seja tentar oferecer uma profundidade aos antagonistas, com o líder da gangue se refugiando na residência de seus pais, onde trava um diálogo filosófico sobre como foi menosprezado por estes na infância e agora se vê fazendo algo “importante”. Desvia a atenção e, sinceramente, não é muito interessante.

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Quando Clark enfim chega no local, o vemos sangrar e continuar andando após a recepção com tiros de pistola e escopeta dos criminosos. É uma imagem marcante, ver o futuro Superman sangrando, e logo depois utilizar sua visão de calor de forma descontrolada e perigosa; quase matando um dos oponentes e deixando o outro gravemente ferido. Quando a polícia chega e neutraliza a situação, a história retoma o bom ritmo ao trazer o elemento humano: mesmo com um ser tão poderoso, ainda vemos o xerife da cidade preocupado com Clark e suas ações; e o leitor realmente percebe que o xerife teme o que Clark é capaz de fazer com aqueles mais fracos do que ele.

O diálogo entre Clark e Martha que encerra a história é a perfeita catarse, evidenciando o genuíno amor de mãe que a fazendeira do Kansas tem por seu filho adotivo, preocupando-se com ele independente de sua natureza destrutiva. É uma história violenta e pesada e que certamente é um dos alicerces para a maneira como Superman lidará com danos colaterais no futuro…

Superman: Alienígena Americano #2 (Superman: American Alien – EUA, 2015)

Roteiro: Max Landis
Arte: Tommy Lee Edwards
Cores: Tommy Lee Edwards
Letras: John Workman
Editora nos EUA: DC Comics
Data original de lançamento: 16 de Dezembro de 2015
Páginas: 32 páginas

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.