Crítica | Superman: Alienígena Americano #3

estrelas 5,0

Obs: leia as críticas das edições anteriores, aqui.

 aa3Se Max Landis afirmou que seu Alienígena Americano seriam diferentes histórias que Superman nos contaria em uma mesa de bar, o que vemos na terceira edição seria o momento em que faríamos o Homem de Aço largar a bebida e nos contar a piada do português. “Vai pra casa, Kent, você está bêbado, não é possível que algo tão sensacional e inacreditável tenha realmente acontecido assim”.

Parrot é a história que Landis define como “sexy”, e começa quando Clark ganha uma viagem para o Caribe, mas acaba caindo de avião no oceano. Não que o Superman precise de ajuda, mas ele e o piloto são resgatados por um iate onde é comemorado o 21º aniversário de ninguém menos do que… Bruce Wayne! Mas, como bem sabemos, Wayne encontra-se em seu treinamento para transformar-se no Batman durante esse período, então quando Clark adentra o iate, todos os convidados assumem que ele seja Bruce; já que quase ninguém sabe como é o rosto do milionário. Convencido pela bela Barbara Minerva (isso, a futura inimiga da Mulher-Maravilha, Cheetah), o jovem Kal-El entra na brincadeira e se passa por Bruce Wayne durante a festa.

O mais divertido em Parrot são essas coincidências e surpresas que vão brotando a cada página. A premissa já é espetacular pela forma como o futuro Superman “conhece” seu futuro aliado Batman, sendo altamente simbólico que Clark assuma sua identidade, torne-se o humano que a sociedade sempre esperou dele. O diálogo levemente embriagado de Clark com Minerva toca bastante na insegurança do futuro e os diferentes sonhos que cada um tem, culminando no forte momento em que Clark grita para as estrelas em uma tentativa desesperada de chamar seus pais verdadeiros e a progressiva superação de seu medo de sair de casa – afinal, este acontecimento no iate marca a primeira saída de Clark do Kansas.

aa3v

As surpresas aumentam com a participação surpresa de Oliver Queen, o futuro Arqueiro Verde, que surge em sua forma totalmente playboy dos anos pré-ilha. Mas o grande choque vem mesmo com a aparição de Deathstroke, o Exterminador, enviado por Carmine Falcone para assassinar Bruce Wayne. O que se segue é um confronto hilário no qual um Clark delirante de bebâdo consegue levar a melhor sobre o oponente, chateando-se por este ter rasgado sua camisa e ainda desajeitadamente elogiando o traje do mercenário.

Mas, claro, a melhor participação acontece na última página da história. Mesmo que seja algo já esperado, não entregarei a surpresa para preservar a animação do leitor.

Sobre a arte, Joelle Jones é capaz de traduzir a sensualidade e atmosfera festiva da história, com ilustrações atraentes para as figuras de Clark e Minerva, principalmente. O momento no qual Clark caminha bêbado pelos corredores do iate também rende um desenho que visa simular um lente grande angular A paleta de cores de Rico Renzi traz cores fortes e vibrantes, capturando bem o clima tropical e o calor que move seus personagens.

Parrot é uma excelente continuação da saga de Alienígena Americano, beneficiando-se de um roteiro incrível que aposta em surpresas e um tratamento cada vez mais humano para Clark Kent.

Superman: Alienígena Americano #3 (Superman: American Alien – EUA, 2016)

Roteiro: Max Landis
Arte: Joelle Jones (Parrot), Mark Buckingham (The Real Question)
Cores: Rico Renzi (Parrot), José Villarrubia (The Real Question)
Letras: John Workman
Editora nos EUA: DC Comics
Data original de lançamento: 13 de Janeiro de 2016
Páginas: 32

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.