Crítica | Superman: Alienígena Americano #4

estrelas 4,5

Obs: leia as críticas das edições anteriores, aqui.

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A cada uma das edições de Alienígena Americano, Max Landis vem oferecendo diferentes e inusitadas situações para um Clark Kent ainda em formação. Quando chegamos em Owl, enfim vemos o jovem alienígena adentrando no universo icônico que logo se tornaria parte da mitologia do personagem, tanto pelos lugares que visita quanto pelas pessoas que encontra pelo caminho.

Clark se muda para Metrópolis e consegue um estágio no Planeta Diário, que o envia para um comitê que reunirá os mais importantes empresários jovens dos EUA: Bruce Wayne, Oliver Queen e Lex Luthor. Como não poderia faltar, temos o primeiro encontro entre Clark e seu interesse amoroso definitivo, Lois Lane.

Essa agitação e movimentação da cidade grande ganha um traço eficiente pelas mãos de Jae Lee, que transforma alguns prédios em meras manchas e detalhes como muros e janelas em rabiscos quase abstratos, dando a leve impressão de estarmos em um mangá; o traço das personagens, com seus olhos pequenos e lábios finos, também reforça essa sensação, especialmente nos desenhos de Clark e Lois.

Lee oferece também quadros marcantes para a apresentação desses personagens, com o primeiro monólogo de Lois rendendo quase uma página inteira, na qual um desenho da personagem de corpo inteiro fica sobreposto às letras de John Workman (aqui, em uma fonte de datilografia, o que é adequado para o ofício de Lane) ou quando vemos a aguardada primeira cena de Lex Luthor, que acaba tomando para si a maioria dos quadros. Aliás, a abordagem de Landis a Luthor é bem tradicional, com monólogos que expõem a natureza megalomaníaca do futuro arqui-inimigo do Superman. Esse Luthor não liga para a opinião pública e não vê importância nas pessoas como um todo, afirmando que todas as suas conquistas são inteiramente seu mérito – acusando Bruce Wayne de ter se beneficiado do assassinato dos pais e Oliver Queen de ter nascido em berço de ouro.

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 O conto continua com Clark encontrando o jovem Dick Grayson na “Kidz-Zone” da LexCorp, o que rende uma entrevista interessante na qual somos introduzidos à mitologia do Batman, e acho fascinante como Grayson justifique de maneira tão simples e eficaz a existência de um Robin: “A escuridão precisa de luz, e o medo precisa de esperança”, frisando que o Cavaleiro das Trevas precisa de um contraponto para não se deixar consumir pelo medo e a raiva.

 E por falar nele, é justamente com o Morcego que temos um dos momentos mais empolgantes da história, com Clark sendo surpreendido em seu apartamento pela brutal aparição do vigilante de Gotham City, interrogando-o sobre os acontecimentos do iate na edição passada. Para a surpresa de Batman, ele é facilmente subjulgado pelo poder de Clark, que ainda descobre sua identidade secreta e fica com sua máscara e capa. Mais um ato simbólico que continua aquele visto em Parrot, sobre Kent tornar-se Bruce Wayne. Enquanto ouve uma mensagem de Lois Lane, Clark é inspirado por esta e pela capa do Batman a fazer algo… grandioso.

Claro, todo ser humano do planeta sabe do que ele está falando, mas Alienígena Americano só de fato nos mostraria essa mudança de hábito na próxima edição.

Superman: Alienígena Americano #4 (Superman: American Alien – EUA, 2016)

Roteiro: Max Landis
Arte: Jae Lee
Cores: Jae Lee (tinta), June Chung (cores)
Letras: John Workman
Editora nos EUA: DC Comics
Data original de lançamento: 17 de Fevereiro de 2016
Páginas: 32

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.