Crítica | Superman: Alienígena Americano #5

estrelas 5,0

Obs: leia as críticas das edições anteriores, aqui.

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Um dos aspectos mais divertidos sobre a origem de super-heróis é definitivamente o primeiro uniforme confeccionado para a luta ao crime. Homem de Ferro com sua armadura de lataria construída nas cavernas, Demolidor com seu sombrio traje ninja e até mesmo o Homem-Aranha já teve uma série de diferentes uniformes de origem em suas diferentes encarnações. Na quinta edição de Alienígena Americano, Max Landis nos apresenta a mais um caso maravilhoso desses, ao mesmo tempo em que oferece uma história empolgante e que se firma como a melhor edição da minissérie até então.

A história começa com um Clark que finalmente assumiu uma postura de super-herói, em uma forma rascunhada do que viria a se tornar o Superman. A capa rasgada do Batman foi para suas próprias costas, e um uniforme preto e que se assemelha a um soldado da SWAT se torna a primeira versão do salvador de Metrópolis. Ou seja, o Batman foi uma inspiração direta para Clark tornar-se o Superman. Interessante.

Há muitas discussões sobre a opinião pública do Superman, especialmente entre Lois e Clark, que oferecem um paralelo interessante com as ações do Homem de Aço pela cidade. Não é um campo inovador, mas os diálogos espertos de Landis valem o esforço, e passam a mensagem. Esse estilo característico de Landis se manifesta também em sua desconstrução do super-herói, das pequenas coisas joviais e humanas que colocam ainda mais o herói no chão. Por exemplo, é divertidíssimo ver o Superman sentado na beira de um edifício reclamando que sua comida chinesa veio com excesso de cebolas; um cenário no qual seria mais provável encontrar o Homem-Aranha, por exemplo.

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O grande incidente incitante ocorre na forma de uma criatura mortífera que alastra o caos no centro da cidade, forçando Superman a se aliar com uma desconfiada força da polícia para detê-la. O embate é rápido, mas rende lindos e heróicos painéis pelas mãos e cores de Francis Manapul, e o uniforme tático do Superman também é um elemento que chama a atenção.

A criatura é revelada como um experimento de Lex Luthor com um pobre coitado, que entrega o empregador para Clark após voltar à sua forma humana. Com Superman atravessando a janela de Luthor com o corpo da cobaia, o que se segue é uma impecável inversão de poderes entre os dois, na qual Luthor examina como essa mera ação não seria o suficiente para condená-lo, e que o dano maior (invasão de propriedade particular, incriminação) seria voltado para o próprio Superman. São cenas assim que comprovam que Luthor realmente é um dos maiores vilões dos quadrinhos.

Eagle é uma excelente e empolgante história de ação e um importante passo para o amadurecimento do Superman, além de um início de antagonismo marcante entre o herói e seu grande nêmesis.

Superman: Alienígena Americano #5 (Superman: American Alien – EUA, 2016)

Roteiro: Max Landis
Arte: Francis Manapul
Cores: Francis Manapul
Letras: John Workman
Editora nos EUA: DC Comics
Data original de lançamento: 16 de Março de 2016
Páginas: 32

LUCAS NASCIMENTO . . . Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.