Crítica | Superman and the Mole Men (1951)

estrelas 2,5

Obs: Leiam sobre toda a evolução transmidiática do Superman, desde sua criação, aqui.

Depois de ganhar sua primeira versão audiovisual em forma de animação entre 1941 e 1943 e ser adaptado em dois serials live-action de 15 episódios cada em 1948 e 1950, Superman finalmente ganharia seu primeiro longa-metragem propriamente dito em 1951, mas não da maneira usual. Afinal, a produção independente de  Barney A. Sarecky distribuída pela Lippert Pictures, Inc., apesar de ter realmente chegado às telonas nos EUA, foi criada muito mais para mostrar a viabilidade do que viria a ser a primeira série de TV live-action do personagem, Aventuras do Superman, que foi ao ar entre 1953 e 1958, com 104 episódios.

Na verdade, Superman and the Mole Men foi, depois, dividido em duas partes e inserido ao final da primeira temporada da série, ganhando o título The Unknown People. Mas, tendo ou não sido aproveitado posteriormente, o début de George Reeves no papel duplo de Clark Kent/Superman foi realmente interessante se o espectador moderno souber transpor-se, ao menos por alguns minutos para o passado e considerar que estamos falando de um filme independente feito como um backdoor pilot para uma série de TV. Portanto, há necessidade de se levar em consideração o baixíssimo orçamento da empreitada que foi fotograda em apenas 12 dias em estúdio, além das limitações técnicas da época.

Claro que, mesmo ajustando as expectativas, é perfeitamente possível encontrar obras deste gênero com maior qualidade do que o filme objeto da presente crítica, mas é interessante notar que, muito diferente do tom leve e inconsequente do Superman de Kirk Alyn nos serials, o roteiro de Richard Fielding (na verdade, um nome fictício usado para identificar uma dupla: Roberrt Maxwell e Whitney Ellsworth, ambos fortemente ligados com a mitologia da DC Comics nesse começo) aborda assunto mais sério sob uma roupagem  de ficção. Os mole men do título ou, em tradução livre, “homens toupeira” são seres peludos que vêm do centro da Terra pela escavação do poço de petróleo mais profundo do mundo, na cidadezinha de Silsby. Apesar de pacíficos no início, os seres são logo recebidos com medo e horror, levando a população a caçá-los impiedosamente. Os paralelos com o macartismo, muito em evidência na época, são evidentes. Clark Kent e Lois Lane, enviados para cobrir a inauguração do poço de petróleo, acabam envolvendo-se na histeria coletiva, cabendo então, ao Superman, salvar o dia.

O tom sério do roteiro é acompanhado pela atuação compenetrada de George Reeves, em completa oposição à de Alyn nos serials.  O Superman sorridente e jocoso desaparece e dá lugar a um Superman de poucas palavras, sério e até mesmo irritado, com um Clark Kent não muito diferente (apesar do mesmo jaquetão usado por Alyn). Esse enfoque então diferente para o Superman seria relaxado na série de TV que se seguiu, com o aumento das diferenças entre as personas de Kent e Superman, além da abordagem de assuntos mais leves. Há, porém, no filme, um alerta nada discreto, mas raro em obras do gênero da época, valendo lembrar que o longa (ou curta, dependendo de como o leitor encara um filme de menos de uma hora) foi lançado no mesmo ano de O Dia em que a Terra Parou, de temática semelhante e que se tornaria um clássico da ficção científica.

No entanto, claro, a falta de orçamento da produção é fortemente sentida ao longo de toda a fita e não só quando efeitos visuais se fazem necessários. O próprio figurino do Superman que, aliás, aparece durante no máximo 10 minutos no total, sofre fortemente, com Reeves quase maltrapilho e com enchimentos nos ombros que devem ter inspirado a moda dos anos 80… O mesmo vale para o figurino e maquiagem das criaturas, que chegam a ser constrangedores, mas que provavelmente encantaram as crianças dos anos 50. Os efeitos visuais, então, nem se fala, ainda que Lee Sholem, o diretor, tenha tentado fugir do óbvio, como a inserção de “animação de voo” como nos serials, dedicando-se a criar soluções alternativas que se reduzem a duas: um travelling shot aéreo em primeira pessoa feito com grua e a sobreposição de imagens. Confesso que nenhuma das duas soluções realmente funciona e ambas transparecem o que são, baratas e feitas na correria, mas há se dar uma nota 10 pelo esforço.

Superman and the Mole Man surpreende pela seriedade da narrativa e na representação do Superman, mas desaponta nos detalhes. No entanto, com o espírito correto, trata-se, inegavelmente, de uma agradável diversão de, porque não, importância histórica.

Superman and the Mole Men (EUA, 1951)
Direção: Lee Sholem
Roteiro: Richard Fielding (pseudônimo de Roberrt Maxwell e Whitney Ellsworth)
Elenco: George Reeves, Phyllis Coates, Jeff Corey, Walter Reed, J. Farrell MacDonald, Stanley Andrews, Ray Walker, Hal K. Dawson, Phil Warren, Frank Reicher, Beverly Washburn, Billy Curtis, Jerry Maren, John T. Bambury
Duração: 58 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.