Crítica | Superman e Flash: Perseguição e Corrida Até o Fim dos Tempos (DC Comics Presents #1 e 2)

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A série DC Comics Presents surgiu como uma forma de colocar o Superman interagindo com outros heróis e até mesmo vilões da DC Comics com os quais não interagiria normalmente, salvo uma das muitas sagas críticas pelas quais a Liga e a SJA passaram desde Crise na Terra-1, em 1963. Considerando esse aspecto de ineditismo, a série conseguia colocar em cena um bom número de situações totalmente (ou quase totalmente) novas para o Filho de Krypton, que nas duas edições de estreia da série trouxeram o Flash, de certa forma, “apostando corrida” com o Superman. Mas a situação aqui não é exatamente a competição pela competição, de forma amigável. Trata-se de uma questão de vida e morte, tanto para o Super quando para o planeta Terra.

Escrita por Martin Pasko, a primeira revista da série se intitula Perseguição Até o Fim dos Tempos e começa na cidade de Rosemont com uma nave, um tripulante e alguns raios estranhos que chamam a atenção dos dois heróis aqui listados, cada um tentando resolver o problema da maneira mais rápida e eficiente possível. No início, parece que o Superman não está muito feliz com a intervenção do Flash e pode-se dizer que há até uma certa provocação do Homem de Aço para com o colega. Não no sentido de rudeza ou criação de uma verdadeira animosidade entre eles, mas um estranhamento do tipo “eu sei o que estou fazendo! Mas já que você está aqui, então ajuda direito!“. Bom… isso pareceu meio rude, não é? Mas vocês entenderam. É o Superman. Ele não tem como ser rude. Mas ele estranha a presença do Flash na região. Em pouco tempo, porém, ambos serão abduzidos e é aí que o núcleo de toda a trama se mostra.

A história, porém, é repleta de bizarrices. Aqui encontraremos uma cela (aparentemente sem nenhuma propriedade especial) capaz de conter Zoom; Superman COSTURANDO um fenda no tempo (é isso mesmo!), com uma agulha feita de um metal do futuro (exatamente!) e fios de telefone do futuro como linha de costura (pois é!); maluquices impossíveis e risíveis sobre viagens no tempo e diálogos ou solilóquios capazes de fazer corar romancistas amadores em seus piores momentos de inspiração. Mas sabem o que é mais interessante no meio de tudo isso? A história funciona! E funciona bem, a despeito de todos esses momentos, que, por estarem envoltos em um contexto fluído e cheio de situações elogiáveis, acabam não sendo bobagens negativas, mas charmosas, uma capacidade que muitas HQs de heróis até o final dos anos 70 tinham sobre o leitor, de mudar a percepção a partir de boas sacadas, mesmo tendo lombadas no caminho.

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Quando um problema não basta…

A arte aqui é de ninguém menos que José Luis García-López, o artista com a versão possivelmente mais divulgada do Superman. Com uma arte essencialmente forjada para enaltecer os personagens, López faz esse encontro de heróis, raças alienígenas, início da vida na Terra e cameo de Zoom, Superboy e Legião dos Super-Heróis valer a pena. Seus cenários não permanecem o tempo inteiro em grande destaque, mas quando isso acontece, recebem a mesma atenção e graça nos traços que o artista dá aos seus personagens. Gosto particularmente de sua concepção para a viagem no tempo e o rompimento da Cortina Cósmica, um conceito teoricamente ruim, mas que pela arte e pelo contexto da história, acaba ficando bom.

Cheio de boas surpresas e mostrando uma parceria muito interessante entre Superman e Flash, num roteiro sobre viagem no tempo, esse início da série DC Comics Presents mostrou que podia ser tão interessante quando a Brave and the Bold a partir da edição 74, que trazia de maneira fixa o Batman + algum outro herói ou equipe (embora isso já tenha acontecido, aleatoriamente, antes). E a DC mais uma vez se via em bons lençóis, apostando em um medalhão da casa. Nada de novo, porém, algo muito bem feito, o que já é o bastante, ao menos em termos de entretenimento para o leitor.

Superman e Flash: Corrida e Perseguição Até o Fim dos Tempos (DC Comics Presents: Superman and the Flash: Race to the End of Time! / Chase to the End of Time!) — EUA, 1978
No Brasil:
 Superman: Lendas do Homem de Aço – José Luis García-López n°2 (Panini, 2016)
Roteiro: Martin Pasko
Arte: José Luis García-López
Arte-final: Dan Adkins
Cores: Jerry Serpe
Letras: Ben Oda / Clem Robins
Capas: José Luis García-López, Dan Adkins
Editoria: Julius Schwartz
50 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.