Crítica | Superman e os Homens Metálicos: Ataque ao Sol (DC Comics Presents #4)

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Metropolis está passando por um outono incompreensivelmente quente. Os cidadãos não estão exatamente alarmados, mas falam sobre o calor incomum e mostram-se incomodados com o “exagero do Sol”. Aqui, eles até recebem uma coloração avermelhada na pele, uma ótima escolha de Glynis Oliver para esta história de Len Wein, intitulada Ataque ao Sol. A trama faz parte da série DC Comics Presents, que nesta ocasião elenca os Homens Metálicos (Mercúrio, Ouro, Ferro, Chumbo, Platina e Liga, personagens criados por Robert Kanigher e Ross Andru em 1962) para lutarem ao lado do Superman, contra dois vilões, Químio e Q.I.

Seguindo o padrão de separação em capítulos apresentado em Perseguição e Corrida Até o Fim dos TemposCharada do Pequeno Planeta Perdido, Len Wein usa os blocos iniciais não para apresentar o perigo imediatamente para os heróis, mas para o público. O autor sempre procurou ligar o inimigo a algo que o leitor consiga ver de maneira mais ou menos pessoal, por uma correlação com o mundo onde vive. Na maioria das vezes, isso funcionou bem em seus roteiros. Aqui, a iniciativa também começa bem. Após a chamativa página de abertura, temos as pessoas em um dia aparentemente normal na praia (à parte o calor anormal), presenciando a saída de Químio do mar. Em seguida, vemos os Homens Metálicos se divertindo, e Wein faz uma apresentação bastante eficiente deles, dando uma noção clara até mesmo para leitores não muito acostumados com esses obscuros indivíduos da Era de Prata, de como é a personalidade de cada um e como agem diante de um perigo. Sem justificativas impossíveis, sem ações ensandecidas e com uma organicidade e belos movimentos de luta na arte de José Luis García-López, os Metálicos enfrentam Químio em um primeiro round. E aí é traçada a linha onde a história começa a dar problemas.

Se no capítulo Um Titã Anda Pelas Ruas a aprestação dos personagens e o início do mistério foram interessantes e sem ressalvas, o bloco seguinte, Água, Água Por Todos os Lados…, cria um segmento de luta (Superman versus Químio) pouquíssimo interessante e um tanto chato, o que é um problema em si só, considerando que esta é uma série do Superman. O que nunca decepciona na revista é só a arte de García-López, não apenas pela excelente forma de retratar as batalhas — seus desenhos dos Homens Metálicos são simplesmente incríveis –, mas também por uma diagramação mais ousada, a despeito dos empecilhos do roteiro. Nos capítulos onde a ação é de fato muito intensa (O Homem Que Matou o SolÉ Assim Que o Mundo Vai Acabar?) Wein se contenta em justificar absurdos sci-fi e comete algumas contradições risíveis, como o fato de um vilão cuja marca deveria ser a inteligência (aqui, com essa característica muitíssimo aumentada pela manipulação que fez do Sol) errar o decimal de um cálculo científico. Não faz sentido.

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Outra loucura que incomoda aparece no capítulo Depois Que a Luta Acaba…, o verdadeiro desfecho da história. Com o Dr. William Magus na Europa, sobra para o Superman faz uma operação nos vencidos heróis, mas a forma como o Homem de Aço se porta não é nem um pouco relacionável ao que conhecemos do personagem. Há um fator de fé e uma disposição melodramática que torna o Superman um “Doutor típico” difícil de nos convencer. O bom, pelo menos, é que há uma boa aplicação cômica nos quadros finais, reafirmando a excelente interação em nível pessoal entre os Homens Metálicos e o kryptnoniano. Ataque ao Sol diverte em muitos momentos, impressiona pela excelente arte, mas possui um número grande de exageros e contradições, algo que esgota de maneira rápida a nossa paciência e pesa consideravelmente em nossa avaliação final.

Superman and the Metal Men: “Sun-Stroke! (EUA, dezembro de 1978)
No Brasil:
 Superman: Lendas do Homem de Aço – José Luis García-López n° 2 (Panini, 2016)
Roteiro: Len Wein
Arte: José Luis García-López
Cores: Glynis Oliver
Letras:  Ben Oda
Capa: José Luis García-López
Editoria: Julius Schwartz
28 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.