Crítica | Superman: Renascimento

estrelas 1,5

O caminho até aqui:

Lançado na mesma semana que os Rebirth Batman, Arqueiro Verde e Lanternas Verdes, este one-shot do Superman aparece como o primeiro passo em falso da DC Comics em sua fase de Renascimento, desperdiçando o tempo do leitor com um tipo de recontagem apressada e deslocada de Os Dias Finais do Superman e se contentando em ser apenas um momento de luto estendido, não fazendo absolutamente nada de interessante que marque a volta do Super pré-Novos 52, tampouco gerando no leitor a curiosidade de acompanhar a continuação da saga em duas frentes, uma na Action Comics #957 e outra na Superman #1, a nova revista solo do Kryptoniano.

Sobre o retorno da Action Comics no número #957, o leitor precisa entender como foi encerrada a fase anterior do personagem para não boiar eternamente. Aqui vai um pequeno tutorial. Os dois arcos finais da Action Comics Vol.1 (a mesma que em 1938 trouxe a origem do Superman, na Era de Ouro) foram O Anel Negro, publicado entre os números #890 e 900, entre agosto de 2010 e junho de 2011 e O Reino de Apocalypse (AC #900 a 904), publicado entre junho e outubro de 2011. Desta contagem, basta somar as 52 edições da fase dos Novos 52 e então teremos 956. Ou seja, o fato de próximo número da Action Comics ser #957 indica a retomada da contagem original, porém, considerando os 52 números dos Novos 52. Mas o contexto, para este Rebirth, vai além desta linha cronológica.

A arte é ótima, já a necessidade do repeteco...

A arte é ótima, já a necessidade do repeteco…

Peter Tomasi e Patrick Gleason fizeram um verdadeiro samba do crioulo doido ao juntar parte da última aventura do Superman pré-Ponto de Ignição (a já citada O Reino de Apocalypse) com a morte do Superman dos Novos 52 (na também já citada Os Dias Finais do Superman), tudo isso para explicar quem é quem nessa jogada toda. Acreditem: não é muito confuso de entender, bastaria o roteiro largar a longa, chateante e dispensável palestra sobre o passado e adotar uma narrativa em terceira pessoa, fechando rapidamente o ciclo. A recapitulação poderia ser feita rapidamente e o antigo Super reinserido em nosso Universo já com alguma coisa interessante. Ao invés disso, toda a história se embrenha pelos mares do filler disfarçado de boa vontade. Aí não tem quem segure.

A participação de Lana Lang na história é a melhor coisa do roteiro, acreditem. Ela obviamente foi colocada como uma representação do espectador, que está claramente perdido, triste (ou não, vai saber…) pelo Superman morto e já processando a coisa toda para seguir em frente. Tudo bem que é uma exposição clichê, mas se relacionada a uma linha narrativa boa, justificar-se-ia, não é mesmo? No entanto, ao invés de utilizar essa deixa para seguir em frente, o roteiro traz uma possibilidade (que na verdade não existe, e isso já tinha sido deixado claro na aventura anterior) de ressurreição do Super-Pedra. É frustrante ver que todo o drama não serve nem como inventário de um legado, o que, de uma tacada só, se põe como desrespeito ao personagem morto e descaracterização do Superman agora em ação, tentando encontrar o seu espaço nesse Universo que voltará a protagonizar. No fim das contas, apenas a cena do enterro e da homenagem nas esculturas de gelo, na Fortaleza da Solidão, trazem um pouco de ternura e funcionam como algo bom na revista.

Duas páginas do que deveria ter sido o tom da revista inteira.

Duas páginas do que deveria ter sido o tom da revista inteira.

Doug Mahnke faz um trabalho muito bom na arte e diagramação da revista, aplicando dois estilos diferentes, um início e outro do meio para o final, que toma proporções mais simples e traz uma finalização mais clean, assinada por Jaime Mendoza. De todas as edições da fase DC: Rebirth, a única que possui apenas a arte como ago válido é esta do azulão, logo uma das que mais expectativas geraram no público.

A salvação do Superman só deve vir nas séries regulares. No entanto, é importante lembrar que se Tomasi e Gleason seguirem o mesmo nível de enrolação que seguiram aqui, nada de bom há que se esperar das revistas do Homem de Aço em um futuro próximo, pelo menos em curto prazo. Vamos torcer para que isso não aconteça.

Superman: Renascimento (Superman: Rebirth) — EUA, 1º de junho de 2016
Roteiro: Peter Tomasi, Patrick Gleason
Arte: Doug Mahnke
Arte-final: Jaime Mendoza
Cores: Wil Quintana
Letras: Rob Leigh
Capa: Doug Mahnke, Jaime Mendoza, Wil Quintana
24 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.