Crítica | Superman: Terra Um – Vol. 1

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estrelas 2,5

Não acredito em coincidências. Especialmente quando elas vêm da área do entretenimento massificado das grandes empresas do ramo. Tendo lido Batman: Terra Um antes de Superman: Terra Um, apesar do lançamento do último ter precedido o primeiro, esperava algo do mesmo nível de qualidade, reapresentando e refazendo a origem do mais icônico super-herói  já criado.

Mas o resultado é, quase quadro a quadro, o roteiro de Homem de Aço, reboot da franquia do Superman nos cinemas, sob a batuta de Zack Snyder. Então, a equação é razoavelmente simples: se você gostou da história do filme, gostará também de Superman: Terra Um. Se ao contrário, você não gostou ou, como eu, achou apenas ok, passável, então Superman: Terra Um sofre dos mesmo problemas e com um agravante: tem um vilão que não diz nada a ninguém.

superman terra um capa finalSobre a coincidência, a linha de graphic novels Terra Um, uma ótima e auto-contida ideia de reapresentar os heróis DC fora da continuidade normal, começou a gestar exatamente na época em que as discussões sobre um reboot de Superman no cinema começaram a se intensificar. Não posso crer que, de uma forma ou de outra, o trabalho de Straczynski na GN não tenha influenciado o filme ou, talvez até mais provavelmente, o contrário.

Afinal, está tudo lá: um Clark Kent que não sabe quem é e não sabe que papel tem no mundo, um vilão ligado à destruição de Krypton, um ataque à Terra que coincide com o “despertar” do Superman, lutas destruidoras em plena Metrópolis e um final – a tranformação de Clark no Clark Kent que conhecemos – exatamente igual. E tudo isso com um pano de fundo mais sombrio e violento. É como ver o filme se desenrolar em quadrinhos, com modificações aqui e ali que não afetam verdadeiramente a estrutura do roteiro cinematogrráfico.

Com um exceção, claro. O vilão.

Enquanto em Homem de Aço o vilão é o General Zod que, dentro da mitologia de décadas do herói, tem muito mais ressonância dramática, em Terra Um o vilão é um extraterrestre de aparência genérica chamado Tyrell (além de tudo, uma péssima escolha de nome…) que, apesar de também ter ligações com o passado kryptoniano de Kal-El, é extremamente forçado e bobo. Sim, há um mistério por trás da intenções de Tyrell que não é revelado na GN, mas, mesmo assim, ele não funciona. Straczynski poderia ter se esforçado mais para criar alguém com profundidade ou que prendesse o interesse ou mesmo pinçado alguém da gigantesca galeria vilanesca de Superman, ao longo de sua septuagenária história nos quadrinhos.

Mas não. Talvez querendo dar uma de “inteligente”, partiu para o caminho mais complexo da criação nova, sem se preocupar em trabalhar algo mais eficiente, menos padrão. Além disso, transformou Clark Kent em um jovem chato e cabisbaixo, muito mais recluso e perdido do que o jovem Kent de Homem de Aço. Essa mania de forçar super-heróis a tomar caminhos que literalmente traem seu espírito demonstra uma completa falta de imaginação e uma pasteurização de mercado absolutamente patética. Não é porque Frank Miller teve sucesso nessa empreitada na década de 80 (e foi com Batman, herói muito mais passível dessa guinada sombria) que tudo precisa enveredar para esse enfoque. Mas, mesmo aceitando esse aspecto, o que Straczynski faz com Superman é quase amador tamanha a simplicidade.

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Olha só a pinta do vilão…

No quesito arte, Superman: Terra Um é um pouco melhor. Mas só um pouco. Os desenhos de Shane Davis são vistosos e transmitem muito bem a dicotomia entre a humanidade e os super-poderes do herói, mas o trabalho dele na estrutura de quadros e nos detalhes dos rostos deixam a desejar. Considerando o quanto o projeto Terra Um é importante para a DC, como forma de atrair novos leitores, um trabalho um pouco mais ousado teria sido bem vindo.

Apesar de longe da qualidade de Batman: Terra Um, a nova versão de Superman ainda diverte, mas, se a DC quiser fazer jus ao seu maior herói e a todo seu legado, terá que trabalhar melhor o personagem, trazendo algo verdadeiramente novo e que não pareça só uma versão depressiva do colorido herói.

Superman: Terra Um – Vol. 1 (Superman: Earth One – Vol. 1, EUA)
Roteiro: J. Michael Straczynski
Arte: Shane Davis
Editora nos EUA: DC Comics
Editora no Brasil: Panini
Lançamento: outubro de 2010 (nos EUA) e dezembro de 2012 (no Brasil)
Páginas: 136

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.