Crítica | Superman: Terra Um – Vol. 2

estrelas 3,5

A série de graphic novels Terra Um, da DC Comics, tem como objetivo reimaginar heróis icônicos da editora, sem o peso da continuidade por trás. Superman: Terra Um – Vol. 1, de 2010 foi a primeira GN lançada, seguida por Batman: Terra Um – Vol. 1 e o Vol. 2 de Superman, ambas em 2012. Depois, em 2015, houve o lançamento do volume 2 de Batman, do volume 3 de Superman e do volume um dos Jovens Titãs.

superman earth one v2 coverA proposta é interessante e muito bem-vinda, dando oportunidade a diversos autores a reimaginarem os heróis da forma que bem entenderem. Até agora, porém, Batman tem recebido o melhor tratamento, com duas histórias muito bem estruturadas por Geoff Johns, ao passo que Superman ainda tenta encontrar seu tom.

O volume 2 de Superman representa uma boa melhora narrativa, com J. Michael Straczynski atacando diversas frentes simultaneamente: a adaptação de Kal-El a um mundo como Clark Kent, o repórter; a desconfiança de Lois Lane sobre quem Clark Kent é verdadeiramente; a estratégia do governo americano para tentar conter Superman, se necessário for e o surgimento de uma nova ameaça super-poderosa, dessa vez retirada do cânone do herói, o Parasita.

Com isso, o autor não tem tempo a perder e tenta logo de início estabelecer Superman como um herói de presença mundial, quando o vemos interferindo em um maremoto que ameaça a ilha de Borada e aprende que suas ações ações alteram o jogo político e afetam a soberania de tiranos sanguinários. É uma interessante “pegada” do autor que empresta cores políticas à atuação do Azulão.

Mas, de volta aos EUA, o embate entre o Parasita e Superman logo ganha primeiro plano, novamente ameaçando Metrópolis. O vilão, cuja origem é trabalhada por Straczynski de maneira corrida e conveniente demais, logo se demonstra uma ameaça de respeito que, com seus poderes, absorve os do kryptoniano. Com isso, tanto a investigação de Lois quanto as ações do governo americano ficam relegados aos bastidores, funcionando para dar estofo à narrativa, mas sem que tenham qualquer peso dramático nessa graphic novel.

Fica evidente que o autor está se preparando para expandir o universo do herói, mas não deixa de ser frustrante ver tanta construção para nenhum efeito prático imediato. A sensação deixada é que o volume dois é, apenas uma repetição da pancadaria entre Superman e Tyrell do volume um, ainda que essa sensação deva ser apenas passageira, já que, dessa vez, Straczynski oferece mais complexidade narrativa e menos necessidade de apresentar Clark Kent como um chato cabisbaixo, valendo até mesmo inventar uma vizinha fogosa que quer porque quer “se divertir” com o rapaz.

Apesar de não gostar da forma fácil como Superman derrota o Parasita (com uma ajudinha da versão Terra Um de sua Fortaleza da Solidão), o roteiro acaba encerrando bem a história, fazendo o herói revisitar o tirano que enfrentou na ilha de Borada. Mas há epílogos demais, todos eles world builders, mas que atravancam um pouco a fluidez da narrativa e apresentam, finalmente, uma versão muito interessante do grande nêmesis de Superman, gerando curiosidade no leitor.

A arte de Shane Davis também melhora consideravelmente, com o artista ousando mais na progressão de quadros, especialmente durante as duas lutas principais e usando um bom grau de criatividade para refazer personagens clássicos da mitologia de Superman. Há uma tendência, combinada com as cores mais mudas de Barbara Ciardo, a se escurecer a história, dando aquele tom sombrio ao herói que parece ser a regra agora da DC tanto nos quadrinhos quanto no cinema. Não há como escapar disso, mas o resultado final ainda é mais eficiente do que o que vimos no primeiro volume.

O volume 2 de Superman: Terra Um é um passo na direção certa. Straczynski ainda não acertou de verdade com o herói nesse projeto, mas ele parece ter um plano de médio/longo prazo que pode funcionar, especialmente se o intervalo entre cada graphic novel diminuir.

Superman: Terra Um – Vol. 2 (Superman: Earth One – Vol. 2, EUA)
Roteiro: J. Michael Straczynski
Arte: Shane Davis
Arte-final: Sandra Hope
Cores: Barbara Ciardo
Editora nos EUA: DC Comics
Lançamento (nos EUA): outubro de 2012
Lançamento (no Brasil): não lançado no Brasil quando da publicação da presente crítica
Páginas: 136

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.