Crítica | Superman: Tiras de Jornal (Histórias 1 a 3 – 1939)

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estrelas 4

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Depois de cinco anos tentando colocar o Superman nos jornais, Jerry Siegel e Joe Shuster capitularam e concordaram em vender seu personagem para que ele figurasse como uma das atrações da antologia em quadrinhos Action Comics, então em seu nascedouro. É interessante notar que foi o próprio McClure Syndicate, uma das agências responsáveis pela colocações de tiras de quadrinhos em jornal, que, dentre outras, declinou o Superman e sugeriu a Detective Comics, Inc., por saber da nova publicação prestes a sair. E, com isso, a história se fez e, por ironia do destino, a primeira vez que o Superman foi usado fora do contexto de uma revista em quadrinhos foi justamente nas tiras de jornal que Siegel e Shuster tanto queriam, tiras essas agenciadas pelo próprio McClure Syndicate.

Assim, o Homem de Aço estreou da maneira originalmente visada por Siegel em janeiro de 1939, seis meses depois de debutar como atração de capa da Action Comics. O sucesso foi imediato e tremendo, ao ponto de, em novembro de 1939, o herói surgir paralelamente no caderno de quadrinhos (a cores) dos domingos, em histórias mais longas. Essas duas publicações – as tirinhas diárias (dailies) e dominicais (Sunday strips) continuaram firmes e fortes, sem interrupção, até maio de 1966, ressurgindo mais uma vez em 1978 e ficando até 1985.  Foram, no total, 12 mil tiras de jornal e mais de 300 jornais publicando as histórias diariamente e mais de 90 publicando aos domingos (com alguns publicando diariamente e aos domingos). Um feito impressionante mesmo para aquela época em que a oferta dessas tirinhas era bem mais constate e importante.

É interessante notar que foi a própria dupla original que se encarregou de escrever e desenhar o Superman para as tirinhas de jornal e os dois aproveitaram a oportunidade para sofisticar e expandir a mitologia de sua criação máxima. Com isso, pelo menos as histórias objeto da presente crítica demonstram um amadurecimento talvez até precoce do trabalho de Siegel e Shuster, já que, comparativamente com pelo menos os sete números iniciais da Action Comics, elas demonstram mais consistência e ritmo.

A primeira história, publicada originalmente entre 16 e 28 de janeiro de 1939, tem o apropriado título Superman Comes to Earth (ou Superman Vem para a Terra, em tradução livre) e é integralmente focada na origem do herói, sendo que ele só aparece, nos dois últimos quadros da última tira. Assim, o que vemos é uma bem-vinda expansão da primeira página de Action Comics #1, que apressadamente contou de onde surgiu o herói. Agora, Siegel e Shuster fazem uma tradicional história de origem, finalmente batizando o planeta-natal dele de Krypton, além dos pais de Jor-El e Lara.

Toda a ação se passa em Krypton, com Jor-L, depois de um terremoto no dia do nascimento do pequeno Kal-L, pesquisando e descobrindo que o planeta está perto do colapso. Ele tenta convencer seus pares da necessidade de se evacuar o planeta, mas ninguém acredita nele, o que o leva, então, a iniciar testes para a construção de um foguete para levá-lo e a sua família, para longe de Krypton. Meses se passam e o primeiro teste que ele faz é com um protótipo de foguete, ainda de pequenas dimensões, mas eis que tudo começa a desabar ao seu redor: o dia da destruição chegara antes do previsto. Desesperados, Jor-L e Lara colocam seu filho no pequeno foguete e o lançam em direção à Terra, por ser o planeta com condições de sustentar vida mais próximo de Krypton.

Quando a narrativa chega a esse ponto, Siegel e Shuster, então, encaixam a história com a primeira página de Action Comics #1, inclusive repetindo os desenhos que mostram o foguete sendo encontrado por um motorista que entrega o bebê a um orfanato. Como nesse começo os super-poderes dos kriptonianos não tinham relação com o sol amarelo da Terra, sendo genéticos (Jor-L demonstra ter super-velocidade ainda em Krypton), o bebê logo demonstra suas habilidades e se transforma no Superman quando chega à maturidade.

Na segunda história, Siegel e Shuster trabalham o outro lado do Superman: Clark Kent. Com o título War Against Crime (Guerra Contra o Crime) vemos o Superman lidando com crimes em geral, até que, em um deles, durante um assalto, diversos funcionários de um banco ficam presos dentro do cofre e começam a sufocar por falta de ar. O herói chega a tempo de salvar alguns, mas outros morrem, deixando-o desconsolado. Essa situação leva-o a decidir ter um emprego como jornalista, pois, assim, poderia ficar ciente das notícias mais rapidamente, minimizando mortes.

É muito interessante notar o sinal dos tempos e a importância das redações de jornal como centros de coleta de informações. Sem a possibilidade de divulgação de notícias instantaneamente, um jornal como o Daily Star (ainda não é Daily Planet) torna-se literalmente o centro do mundo ou, ao menos, da cidade e Superman, agindo como Clark Kent, passa a saber de tudo mais cedo do que saberia “apenas” como Superman. Com isso, nasce a persona mais suave de Superman, assim como seu interesse romântico Lois Lane, personagem feminina já forte (não confundir personagem forte com personagem que sai na pancada com todo mundo) que aos poucos vai galgando espaço na mitologia do herói. Perry White também aparece, ainda que sem nome, já que ele só seria batizado no programa de rádio de 1940.

Finalmente, na terceira história – The Comeback of Larry Trent (O Retorno de Larry Trent) -, o foco de Siegel e Shuster é bem mais intimista e, por isso mesmo, raro no cômputo geral, já que Superman sempre foi um herói muito mais afeito a situações de larga escala, que efetivamente desafiassem seu enorme (e cada vez maior) poder. O objeto da narrativa é Larry Trent, ex-campeão de boxe que Superman impede que se suicide, e que conta ao herói que seu gerente o drogou de forma que ele perdesse seu título. Condoído com a situação do lutador, Superman então inicia um elaborado plano para trazer Trent de volta à fama. Como era comum nos primeiros números da Action Comics, apesar de ser um artifício para lá de bizarro, Superman se disfarça de Trent e posa como ele de maneira a enganar o gerente mafioso e seus capangas.

Mas mais bizarro do que o disfarce de Superman é o fato de ele usar seus poderes para ganhar de lutadores inocentes como parte de seu plano para provar que Trent ainda tem valor. É um tanto surreal ver Superman espancar gente sem nenhum traço de vilania para levar à fruição seu complicado plano. Obviamente, essa é uma aresta que, com o desenvolvimento do personagem, seria aparada, removida mesmo.

A grande verdade é que, pelo menos neste começo, Siegel e Shuster demonstram estarem mais à vontade escrevendo no formato de tiras para jornais e o resultado é bem superior ao trabalho deles em Action Comics.  Superman ganha mais espaço, a narrativa é mais bem trabalhada e há muita fluidez, tanta que foi particularmente difícil parar de ler as tiras para escrever sobre as três primeiras apenas. Confiem em mim quando digo que é uma leitura viciante e muito, muito divertida.

Superman – Tiras de Jornal (Superman Daily Strips, EUA  – 1939)
Roteiro: Jerry Siegel
Arte: Joe Shuster
Editora original: McClure Syndicate (agenciamento para diveros jornais)
Datas originais de publicação: 16 a 29 de janeiro de 1939 (História 1), 30 de janeiro a 18 de fevereiro de 1939 (História 2), 20 de fevereiro a 18 de março de 1939 (História 3)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.