Crítica | “Supernova” – Malta

estrelas 3,5

O rock não é o estilo musical dominante no Brasil, definitivamente. No entanto, já houve tempos onde o estilo foi mais popular (mais especificamente nos anos 70 e 80) e com uma certa pequena frequência surgem novas bandas de rock que ainda conseguem conquistar o grande público. No início desse ano a Rede Globo exibiu a primeira temporada do programa Superstar, que revelava novas bandas. Ainda que houvesse diferentes estilos, o programa foi importante pra oxigenar o cenário rockeiro mainstream no Brasil. Nele o público pôde conhecer várias bandas de qualidade, mas uma delas, especialmente, conquistou o país e saiu vencedora. Essa seria a banda Malta.

Aqueles que acompanharam o programa perceberam que com o avançar dos programas era nítido a predileção do público. A banda é caracterizada por um rock romântico, uma sonoridade que foi bastante desenvolvida desde a década de 90. Se a qualidade de Malta não fosse tão certa, poderia ser categorizada no estilo emocore que domina o cenário infanto-juvenil rockeiro no Brasil. Isso porque, sim, a banda se assemelha com bandas como Nx Zero e Fresno. A diferença é que a banda tem talento de verdade. O vocalista, Bruno Bocini, é extremamente afinado e o grupo possui instrumentistas bastante competentes e inteligentes nas composições e arranjos.

Supernova possui tanto as músicas apresentadas no programa, agora gravadas em estúdio, quanto algumas inéditas. Há desde hinos como Diz Pra Mim e Memórias (Come Wake My Mind) – que fizeram muito sucesso durante o Superstar – até novas faixas, como Como Tudo Deve Ser (Beautiful).

Importante ressaltar o ótimo trabalho na produção do álbum, além de boas remixagens e arranjos um tanto exóticos (Lendas, por exemplo, possui um som similar ao de um banjo ao fundo). Esses arranjos são capazes até de disfarçar canções aparentemente fracas, como a inédita Cala A Tua Boca Na Minha. Outro ponto a se destacar é que, apesar da veia extremamente romântica, o rock pesado fala mais alto em alguns momentos e a banda beira o heavy metal em faixas como Supernova e Nova História.

Há quem vai ficar insatisfeito com essa avaliação de 3.5 estrelas. Pra eles, eu digo que o que a banda faz – ainda que seja de grande qualidade – está muito longe de ser inovador. A sonoridade abusa da melancolia e da mesma métrica melódica, se assemelhando bastante até mesmo com a música gospel. Mude as letras e você terá uma característica banda gospel de rock.

Em um cenário onde o rock parece quase morto para o grande público, Malta é só mais uma prova de que o estilo continua vivo, ainda que em uma forma diferente. Programas como Superstar sempre serão bem vindos para que o grande público conheça novas bandas e para que a boa música seja incentivada. No entanto, não é sozinha que uma banda vai mudar o cenário musical brasileiro, como alguns ingenuamente pensam. De qualquer forma, existe esperança para o futuro do rock nacional, e dizem que ela é a última que morre.

Supernova
Artista: Malta
País: Brasil
Lançamento: setembro de 2014
Gravadora: Som Livre
Estilo: Pop Rock

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.