Crítica | Sweet Tooth – Depois do Apocalipse vols. 1 e 2

“Bambi encontra Mad Max”. Essa foi a melhor descrição que achei por aí dessa relativamente nova série da Vertigo, o excelente selo “independente” da DC Comics.

De fato, a revista, escrita e desenhada por Jeff Lemire com enorme constância, nos conta a história de Gus, um menino de 9 anos que vive recluso com seu pai em uma cabana no meio da floresta. Estamos falando de um mundo pós-apocalíptico e Gus parece ter sido o resultado de modificações genéticas resultantes do que quer que tenha levado o mundo ao apocalipse (chamado de Flagelo), pois ele tem chifres de veado, sendo um híbrido de humano com animal.

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Logo no começo, seu pai morre e ele é achado por  Tommy Jepperd, um andarilho grandalhão e violento que quer levar Gus até a Reserva, uma espécie de paraíso mítico onde ele ficará seguro. Evidentemente, logo de cara fica a dúvida se Jeperd está mesmo falando a verdade ou se quer apenas se aproveitar de Gus já que as crianças híbridas, aparentemente, são valiosas no mercado negro (não é nada sexual, gente com mente suja…).

O cenários pós-apocalíptico é bastante, digamos, genérico, do tipo que dá vontade de nem ler a história só por causa da premissa. Mas seria um erro dispensar Sweet Tooth sem tentar ler a narrativa. Apesar do genérico apocalipse, há substância no que Lemire escreve e desenha. Gus é um garoto que não conhece o mundo exterior e relutantemente dá um passo nessa direção (daí o nome do primeiro volume ser Saindo da Mata, colecionando os cinco números iniciais e já publicado no Brasil pela Painin). Ele é profundamente religioso, por causa do pai, e tem uma visão – até por sua tenra idade – absolutamente inocente do mundo. Mas, trata-se de uma história de amadurecimento e crescimento. Assim, Gus é logo apresentado à crueldade humana e é forçado a andar com as próprias pernas.

Jepperd é outro personagem fascinante, talvez até mais que Gus. Trata-se de um homem atormentado cuja moral ora está de um lado, ora está de outro. Ele parece genuinamente gostar de Gus mas será que esse sentimento é mesmo verdadeiro ou ele realmente tem uma agenda escondida? Pouco é revelado sobre ele nesse primeiro volume.

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Em In Captivity (Em Cativeiro, ainda não publicado no Brasil), nome do segundo volume (números 6 a 11), Gus está preso e encontra outros seres parecidos com ele. Ficamos sabendo um pouco mais do que aconteceu no mundo e descobrimos que Gus é realmente especial. No entanto, In Captivity é primordialmente um arco sobre Jepperd. Vemos seu passado e descobrimos a razão de seu semblante sombrio e triste. Vemos, também, de certa forma, uma tomada de decisão por parte dele em relação a Gus. Abre-se, no final do segundo volume, uma imensa porta para um excelente terceiro volume.

A arte de Lemire, em minha opinião, exige um pouco de costume. Nas primeiras páginas, tive uma certa dificuldade de aceitar os traços simples, quase caricaturais impostos pelo autor. No entanto, ao avançar na história, comecei a ver que tais traços e cores (essas muito mudas, em tons de cinza) apenas amplificam o sentimento de desespero da situação em que se encontram os personagens principais, cada qual por sua razão muito particular. Não é um traço que eu possa dizer que goste, mas posso afirmar sem medo que ele combina muito com a atmosfera do que está sendo contado.

De toda forma, Sweet Tooth ainda está tentando andar sem cambalear. O começo é lento e a temática é simples, ainda que seja mais enganosamente simples do que meramente simples. O primeiro volume avança pouco na história, mas o segundo, escrito no presente e repleto de flashbacks, dá um ótimo sabor à obra de Lemire.

O futuro é promissor (para nós leitores, não exatamente para Gus ou Jepperd).

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.