Crítica | Symphonica: Grand Maestro

estrelas 4

Um gênero repleto de altos e baixos, os games de ritmo saíram do abismo e sofreram uma significativa revitalização através das franquias Guitar Hero Rock Band. Até então alguns grandes exemplos se limitavam a  PaRappa the Rapper e famosos jogos de dança como Dance Dance Revolution. De fato, o sucesso dos jogos de guitarra (e depois bateria e voz) chegou a tal ponto que o gênero atingiu um novo ponto de ruptura, chegando a cansar até mesmo os mais devotos fãs – vide o fim da lucrativa franquia da Harmonix. Chegamos, enfim, no que poderia ser considerada uma terceira fase de revitalização, marcada pelo advento da captura de movimento (Kinect sendo o maior exemplo) e do Touch Screen, que nos trouxe verdadeiras maravilhas como Theathrythm Final Fantasy.

Square Enix, contudo, já famosa pelas trilhas musicais de seus jogos decidiu não parar com a música de Final Fantasy e decidiu nos trazer um game focado inteiramente (pasmem!) na música clássica. Nasce Symphonica, um game de ritmo, para iOS, muito similar aos que conhecemos na última década repleto de sinfonias, concertos, sonatas e serenatas. Qualquer fã da música clássica, obviamente, sentirá um impulso imediato de experimentar tal obra – os ainda mais devotos logo pensarão nos arranjos de cada música, se condizem com as mais apaixonantes memórias de cada concerto que presenciou. É com grande felicidade (convenhamos, em pleno século XXI, sob o domínio do pop, ver um jogo de música clássica é revitalizante) que devo afirmar que cada peça musical foi realizada com esmero.

Da Sinfonia do Novo Mundo de Dvorak a Farandole  de Georges Bizet, cada sinfonia foi executada especialmente para o game. É claro que isso quer dizer que, dentro de um game de ritmo, deveremos nos acostumar com o tempo da música – alguns erros são certeiros quando puxamos de memória cada uma das melodias. Mas aqui temos uma dos primeiros deleites do jogo, afinal, quem não gosta de escutar variações de suas músicas preferidas? Ainda dentro dessas alterações temos alguns detalhes que podem não agradar a todos, mas que não chegam a constituir um defeito propriamente dito: determinadas melodias sofrem pequenos cortes a fim de sua duração se encaixar dentro da proposta do game – não espere jogar por vinte, trinta, quarenta minutos apenas uma música!

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Nem todas são tão fáceis assim…

Além de nos trazer o clássico para nossos dedos, Symphonica ainda conta com uma notável raridade dentro do gênero: o modo história, no qual liberamos a maioria das músicas a serem tocadas a nossa escolha posteriormente. Neste ponto entramos de cabeça na linguagem do mangá e a Square Enix nos traz um enredo digno de ser novelizado nas famosas páginas em preto e branco. O drama é evidente e, de fato, somente funciona pelo caráter anime da obra. Seguimos Takt, um jovem condutor que viaja para a capital da música, Einsatz a fim de se tornar um grande maestro e encontrar seu irmão mais velho Volt. Ao chegar na cidade ele passa a reger a orquestra Fayharmonic repleta de jovens músicos. Mas nem tudo são flores e logo Takt descobre que seu irmão, na busca pela lendária Partitura Zero, se tornou uma pessoa amarga e completamente diferente do que lembrava ser.

O fato de tudo no universo do game girar em torno da música pode causar certo estranhamento inicial no espectador, mas o acostumado ao mangá e anime já terá visto similar em obras como Yu-Gi-Oh! ou Pokémon (dentre milhares de outros exemplos). De fato, a música como ponto central da narrativa é tida em em inúmeros produtos do entretenimento – em Amadeus, por exemplo, temos a ligeira impressão de que o mundo gira em torno dela. Uma leve suspensão de descrença, evidentemente, é necessária, mas nada que atrapalhe a experiência do game.

Compondo tal cenário temos belas ilustrações em um traçado típico do anime, que garantem a individualidade de cada personagem. Entramos, aqui, em mais um aspecto positivo da obra: a construção de cada personagem apresentado. O modo história é dividido em atos e cada um deles foca em um determinado indivíduo, garantindo que, ao fim da trama, já estejamos familiares com cada um deles. Takt, obviamente, está no centro do palco, mas cada um de seus músicos recebe o devido destaque. A escolha de cada música para ser uma espécie de tema dentro dos atos também é certeira, resumindo bem o tom da narrativa no momento.

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A rivalidade entre irmãos

Symphonica, contudo, não é perfeito e conta com dois marcantes problemas. O primeiro é a sua duração – o modo história pode ser facilmente finalizado em menos de um dia e, por mais que liberemos mais músicas com o passar dos níveis, isso pode desmotivar o jogador rapidamente. Tal fator afeta diretamente o segundo grande defeito do jogo: seu preço. Apesar dos três primeiros episódios do game serem disponíveis de graça, o restante deve ser adquirido por um total de quinze dólares, o que pesa bastante, considerando o preço médio da grande maioria dos apps da App Store. Adianto que o mesmo problema se estende para os outros games da Square Enix.

Tais empecilhos, porém, não devem entrar no caminho do jogador sedento por um bom game de ritmo que contempla unicamente a música clássica. Pode não ser o melhor do gênero de ritmo no mercado, mas definitivamente merece um olhar carinhoso, seja você um apreciador do clássico ou simplesmente alguém que queira ter um contato maior com essas fantásticas melodias, algumas delas centenárias.

Symphonica: Grand Maestro
Desenvolvedor:
Square Enix
Lançamento: 17 de Outubro de 2012
Gênero: Ritmo/ Musical
Disponível para: iOS

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.