Crítica | Tales to Astonish #27 [Primeira Aparição: Henry ‘Hank’ Pym]

estrelas 2,5

A revista Tales to Astonish original foi publicada entre 1959 e 1968, durando 101 números e serviu como uma espécie de plataforma de lançamento da Marvel Comics para diversos projetos. Era lá que Stan Lee, Steve Ditko, Jack Kirby e outros ilustres criadores faziam testes de aceitação do público sobre suas criações. Foi em Tales to Astonish #13, por exemplo, que surgiu Groot, que apenas muitas décadas depois viria a se juntar aos Guardiões da Galáxia e se tornar uma “estrela” com a versão cinematográfica do grupo.

tales to astonish cover

O cabelo marrom de Henry Pym é só na capa mesmo! E pode deixar que as formigas na história não são verdes…

E, em Tales to Astonish #27, assim, como quem não quer nada, um dos mais interessantes personagens do panteão Marvel deu as caras pela primeira vez: Henry Pym, mais conhecido como Hank Pym. Na história, de apenas sete páginas, ele é um cientista que, tentando provar-se em seu meio, cria duas fórmulas, uma que permite encolher qualquer coisa e outra que faz o tamanho voltar ao normal. Ele primeiro testa sua invenção em um cadeira e é bem sucedido, logo pensando em quanto todos economizariam em transporte. Ele imagina, também, que tropas inteiras poderiam ser transportadas em apenas um avião e, sem hesitar, testa a fórmula nele mesmo, encolhendo imediatamente até ficar do tamanho de uma formiga.

É até engraçado ver a ingenuidade da situação imaginada por Stan Lee, Larry Lieber e desenhada por Jack Kirby. Um cientista que se amostra arrogante e mais inteligente que os demais testa uma fórmula da maneira mais idiota possível, sem qualquer segurança. Afinal, toda a narrativa se dá unicamente porque Pym, diminuto, não tem como alcançar a outra fórmula, aquela que o faria voltar ao tamanho normal. Para um cientista brilhante, sua burrice foi descomunal.

E, como se isso não bastasse, Pym ainda sai da relativa segurança de seu laboratório caseiro e vai para o jardim, onde se depara com formigas que o acham apetitoso. Sem ter para onde ir – ou assim o roteiro nos faz crer – ele corre não de volta para casa, mas sim para dentro do formigueiro, fazendo jus ao título da história, The Man in the Ant Hill (O Homem no Formigueiro, em tradução livre). A sucessão de besteiras que o cientista faz é risível, mas, claro, temos que julgar essa história com os olhos de algo descompromissado feito escrito em 1962. Além disso, Stan Lee pode ter sido genial em suas ideias, mas ele nunca foi lá grandes coisas na execução dessas ideias, sempre dependendo muito das mentes trabalhando ao seu redor.

Mesmo com esse raciocínio em mente, a história de apenas sete páginas não engaja o leitor e exige que acreditemos que Pym é salvo por uma “formiga bondosa” que resolve ajudá-lo a fugir de seus pares. O final é simplista, com o herói conseguindo chegar à sua formula de crescimento e decidindo destruir tudo pelo “perigo” que sua invenção representa. Com isso, a narrativa tem um fim em si mesmo, não exigindo uma continuação.

mosaico hank pym

(1) A bela splash page de abertura e (2) A primeira aparição de Hank Pym dentro da história (primeiro quadro à esquerda, em coloração vermelha), como se fosse um vilão megalomaníaco…

E ela realmente não teve continuação. Em Tales to Astonish #27, uma antologia de histórias, essa que nos apresenta a Henry Pym é desconexa em relação às demais, como era o padrão nessa publicação. Não vemos o Homem-Formiga, apenas o personagem que um dia seria convenientemente aproveitado como a identidade secreta do herói. Isso somente viria a acontecer sete números depois, em Tales to Astonish #35, em que efetivamente veríamos o nascimento do herói uniformizado como o conhecemos hoje em dia.

Em termos de arte, Jack Kirby não tem muito com o que trabalhar. São formigas e um ser humano e, com isso, não vemos grandes arroubos de criatividade, à exceção da splash page de abertura, com uma bela imagem de Pym fugindo das formigas. De resto, a arte, apesar de bonita, especialmente quando trata da fisionomia de Pym e seus movimentos, tem a tendência de ser burocrática. O mesmo acontece na sucessão de quadros que são muitos e pequenos, às vezes impedindo o detalhamento do fundo. No entanto, novamente, isso é algo que bate com o estilo da época e Kirby só alçaria voos de impressionante criatividade algum tempo depois.

Apesar de atabalhoada e engraçada sem querer ser, a introdução de Henry ‘Hank’ Pym no Universo Marvel diverte, ainda que de maneira rasteira. A coisa começaria a ficar interessante de verdade a partir do surgimento do Homem-Formiga propriamente dito, mas isso fica para a próxima crítica!

Tales to Astonish #27 (EUA, janeiro de 1962)
Roteiro: Stan Lee, Larry Lieber
Arte: Jack Kirby
Editora (original): Marvel Comics
Páginas: 7 (só a história criticada)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.