Crítica | Tales to Astonish #35 [Primeira Aparição: Primeiro Homem-Formiga]

estrelas 3

Em Tales to Astonish #27, de janeiro de 1962, Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby trouxeram à vida Henry ‘Hank’ Pym, um cientista que inventa uma fórmula para encolher. Sem muitas pretensões, os autores criaram uma história fechada, de apenas sete páginas, sem qualquer persona super-heroística. Os quadrinhos finais mostravam Pym jogando fora sua fórmula e prometendo nunca mais usá-la diante do perigo que ela representava.

tales to astonish 35 cover

Como assim “O Retorno do Homem-Formiga?” Ele nunca havia aparecido antes!

Mas, aparentemente, Pym mudou de ideia. A trinca de autores, apenas seis meses depois, ressuscitaria a ideia de um personagem que tem o poder de ficar do tamanho de uma formiga e o transformaria em um super-herói, com direito a uniforme e tudo. Logo no início, vemos Pym desenvolvendo seu icônico capacete que o permite conversas com formigas e revelando que sua invenção de encolhimento era boa demais para ser jogada no lixo. Aprendemos, também, que ele criou um uniforme que o protegeria das ameaças inerentes a alguém tão pequeno e que ele é feito de moléculas instáveis, permitindo seu encolhimento e aumento a qualquer momento.

No entanto, como toda origem de super-herói que se preze, era necessário algum evento catalisador e, considerando a época em que a história foi escrita, nada mais conveniente do que usar a ameaça comunista com pitadas da ameaça nuclear para isso. Assim, Pym é encarregado pelo exército americano a desenvolver uma fórmula que tornasse os soldados imunes à radiação e, trabalhando com uma equipe, ele foca nessa missão. É claro, porém, que o Kremlin descobre os planos e manda agentes para roubar a fórmula. No processo, sua equipe é capturada e Pym convenientemente é trancafiado em um quarto separado, exatamente o mesmo quarto onde se encontram a fórmula de encolhimento e o capacete e o uniforme que ele havia criado.

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A verdadeira primeira aparição do Homem-Formiga (uniformizado) nos quadrinhos!

Sem alternativas, então, o cientista é obrigado a se transformar no Homem-Formiga pela primeira vez e, usando um elástico como catapulta, ejeta sua forma diminuta para o jardim de sua casa, onde passa a arregimentar a ajuda de um exército de formigas. Durante suas aventuras, ele descobre algo também extremamente conveniente: sua fórmula de encolhimento permite que sua força seja mantida, o que lhe dá força sobre-humana (proporcionalmente) quando está pequeno. A ação que se segue é simples e perfeitamente previsível, com Pym usando seus novos e diminutos amigos para derrotar os agentes da KGB e libertar os cientistas presos e isso tudo sem revelar sua identidade secreta.

A narrativa dessa história de origem funciona bem mais eficientemente do que quando Hank Pym aparece pela primeira vez oito edições antes. No entanto, há um didatismo extremo por parte dos roteiristas que investem muito tempo em explicações pseudo-científicas sobre como o capacete e o uniforme do herói funcionam, com direito até a um corte esquemático com legendas no capacete. Considerando que se trata de uma história de apenas 14 páginas, Lee e Lieber poderiam ter sido mais econômicos e menos expositivos, focando na ação e não na explicação.

Kirby tem mais espaço para trabalhar e seus traços originais funcionam muito bem na primeira – e ainda quase única – versão do uniforme do Homem-Formiga, demonstrando o quão atemporal seu trabalho pode ser. Incomoda-me os diminutos quadros que Kirby usa a cada página, gerando um pouco de tumulto visual, mas esse era seus estilo à época, especialmente em publicações como Tales to Astonish, muito mais voltadas a serem tubos de ensaio de ideias da Marvel Comics do que qualquer outra coisa, o que significava que a velocidade sempre deveria sobrepujar a qualidade.

No final das contas, a verdadeira primeira aparição do Homem-Formiga, por mais simplista e didática que possa ser, funciona. Em 14 páginas, a trinca de autores consegue dar vida à um dos heróis Marvel que, apesar de nunca ter ganhado vida de verdade como herói solo, sempre fez parte indelével desse universo, com muitos desdobramentos interessantíssimos.

Tales to Astonish #35 (EUA, setembro de 1962)
Roteiro: Stan Lee, Larry Lieber
Arte: Jack Kirby
Arte-final: Dick Ayers
Editora (original): Marvel Comics
Páginas: 14 (só a história criticada)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.