Crítica | Tarzan 2

“Eu finalmente descobri o que você é. Um Tarzan!”

A exploração do cinema como indústria é responsável pela origem de produtos como Tarzan 2. Nos anos 2000, a Disney não se encontrava em seu maior período das trevas, mas, em um pensamento criativo de termos gerais, a situação estava crítica, com margem para muito mais quantidade do que verdadeira qualidade. As animações ganhavam séries animadas. Os clássicos ganhavam continuações. O objeto de enfoque torna-se aquele que fosse mais atrativo possível para o público, não para uma narrativa revigorada. Nada mais broxante do que o retorno a uma selva ainda infantil, onde um jovem garoto descobre-se, nem macaco, nem homem. A jornada, porém, já foi contada em Tarzan, a animação original, não sendo necessários esses passos de descoberta de quem ele, um macaco que não é macaco, verdadeiramente é, quando, mais velho, o personagem iria trilhar, invariavelmente, essa caminhada. A redundância é sentida, porque sabemos que não há nada de realmente novo a ser contado.

O caso é parecido com A Bela e a Fera – O Natal Encantado, obra que se passa durante os eventos do clássico de 1991, assim como essa sequência aqui, que não é uma sequência, se passando em meio às confusas da peça original. A nomeação do longa-metragem é errônea, porque não se trata de uma continuação, algo que, por mais estafante que fosse, poderia render uma novidade. Qualquer ameaça não é sentida, em decorrência do fato de estarmos cientes das consequências dessa história – nenhuma. A única adesão é em termos de momentos, mas não de âmbito. Agora, estamos diante de cenas em que o menino não consegue se equiparar aos menores de seus primos, gorilas com habilidades de gorilas, enquanto homens não conseguem os superá-los. O drama é sentido, principalmente em relação à Kala (Glenn Close), mãe do garoto das florestas, que ganha um papel de proeminência na fita, ao invés de perder relevância, característica que possui na primeira incursão nesse mundo selvagem.

Contudo, nada é realmente novo. Tarzan (Harrison Chad) se torna o Tarzan, quando, na verdade, se tornava Tarzan apenas quando Tarzan fosse mais velho. Uma confusão para ganhar dinheiro. Até mesmo a separação do elefante Tantor (Harrison Fahn) da sua família, passando a viver muito mais com os gorilas, não é explorada, escanteada justamente quando poderia adicionar carga dramática inédita. Como os antigos personagens já têm as suas histórias contadas, a solução é adicionar novos personagens – uma solução que recai, infelizmente, muito mais para o genérico do que para o original. Mais gorilas? Uma trindade de coadjuvantes inéditos, os gorilas apresentados são considerações cômicas bastante problemáticas. Os personagens são estúpidos e estão longe de divertir o público. A comédia está nos gritos e nas bobagens. A amiga do protagonista, Terk (Brenda Grate), mostra se importar verdadeiramente pelo menino da selva, mas a função é muito mais, novamente, cômica.

O temor por uma figura assombrosa, porém fictícia, é uma adição interessante à mitologia da selva, contudo, uma retroatividade meramente aditiva à continuidade, sem impactos, permanecendo a mesma para o resto da projeção – e para a cronologia desse universo. O grande personagem adicionado é Zugor (George Carlin), macaco enormemente antipático, desinteressante por grande parte da produção. Até mesmo a reviravolta é premeditada, dada a silhueta do monstro. As cenas de ação, ademais, não são tão boas, dado o menor investimento, que, por outro lado, não é tão sentido assim. As novas músicas de Phil Collins – “Leaving Home (Find My Way)” e “Who Am I?” -, entretanto, aparentam ser reciclagens da trilha original, mesmo sendo produções inéditas, que, no caso, não conseguem se equiparar às melodias das precedentes, criações mais espirituosas e emocionais do que essas, beirando a reiteração subestimadora. O resultado, portanto, é o completamente desnecessário.

Tarzan 2 – EUA, 2005
Direção: Brian Smith
Roteiro: Bob Tzudiker, Noni White, Jim Kammerud, Brad Smith
Elenco: Harrison Chad, Brenda Grate, Harrison Fahn, George Carlin, Estelle Harris, Brad Garrett, Ron Perlman, Glenn Close, Tiffany Evans, Connor Hutcherson
Duração: 74 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.