Crítica | Te Peguei!

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Te Peguei! é uma das formas de expor ao mundo as vontades de animalizar-se dentro da vida adulta. Ao lado de algumas comédias estreladas por Adam Sandler é parte do grupo de filmes que expressam o comportamento retrógrado dos homens ao estarem perto dos seus amigos, fazendo com que liberem tudo que tem dentro deles sem haver filtro algum. O resultado é um filme bobo, mas como poderia ser o contrário?

Jeff Tomsic, o diretor, parece enturmar-se com o grupo de amigos que filma, como se entrasse no frenesi infantil que os personagens enfrentam. Na história, um grupo de amigos se reúne anualmente durante o mês de maio para competir em uma grande partida de pique-pega. O problema é: primeiro, essa tradição já dura mais de trinta anos e, segundo, Jerry, interpretado por Jeremy Renner, nunca foi pego.

São adultos voltando a ser crianças, então é o território perfeito para a infantilidade reprimida e iminente que os homens tem dentro de si. Logo, o filme é cheio de situações no mínimo bestas, envolvendo desde humor físico barato até piadas de religião, sexo e drogas sem qualquer crivo, sendo de algum modo um ponto positivo por haver essa liberdade e naturalidade dentro do meio que os personagens se envolvem.

No entanto a direção carece de uma certa maturidade. Em certo ponto, Tomsic parece mais um voyeur entre os amigos se divertindo com todas as asneiras que os envolvem, sem ter a noção de aquilo seria tudo uma bobagem. É um filme bastante oito ou oitenta, porque ou você se entrega à proposta da história e se diverte com situações básicas dentre comédias ou você é capaz de ficar enojado com a infantilidade proporcionada.

Nenhum dos atores está necessariamente excepcional ou terrível, é um território livre o bastante para deixá-los entrar nos personagens, mesmo não sendo grandiosos. Eles estão perante um playground, justamente por interpretarem um grupo de crianças. O destaque vai para Jeremy Renner, que perdeu espaço dentro dos Vingadores e Missão: Impossível, mas aqui faz praticamente um super-herói, com cenas estilizadas mostrando sua agilidade mas sem perder o bom humor. Ele tem um bom papel de “antagonista”, e prova que há uma boa sinergia entre os atores mesmo que não hajam atuações muito além do razoável.

Nada de novo ou espetacular, mas Te Peguei! é um exemplo de como não se levar a sério e não dar a mínima para isso. Vai através de situações nonsense em um contexto absurdo para atribuir temas como amizade e vida adulta, com uma reflexão sobre a necessidade de retroceder para voltar às raízes de uma amizade. Mas ainda assim é mostrado de forma grosseira, falta uma conexão emocional que é deixada só para o fim do filme, e talvez seja besta demais para alguns espectadores. Para quem estiver fazendo uma viagem longa de avião, Te Peguei! é uma boa pedida.

Te Peguei! (Tag – USA 2018)
Direção: Jeff Tomsic
Roteiro: Rob McKittrick, Mark Steilen
Elenco: Ed Helms, Jon Hamm, Jake Johnson, Annabelle Wallis, Isla Fisher, Hannibal Buress, Rashida Jones, Leslie Bibb, Jeremy Renner.
Duração: 100 min.

BRUNO DOS REIS LISBOA PIRES . . . Escrevo sobre cinema e falo ladainha, as vezes os dois ao mesmo tempo. Entusiasta do cinema vulgar. John Carpenter, Howard Hawks e Neville de Almeida me ensinaram tudo que eu sei, pena que eu matei muita aula. Geralmente minha opinião é contrária a dos outros, mas eu sou a favor de termos a mesma só pra ser do contra. Ao caminhar entrevi lampejos de beleza.