Crítica | Ted 2

estrelas 4

Ted, a primeira aventura de Seth MacFarlane – a grande mente por trás de Family Guy – como diretor e roteirista no cinema, gerou um sucesso que permitiu expandir o sucesso do criador e mostrar que suas comédias podem funcionar não só na TV, mas no cinema também. As aventuras do urso de pelúcia que recebeu vida inesperadamente e que passa horas com seu amigo John fumando maconha e assistindo Flash Gordon foi tão bem sucedida que não foi surpresa anunciar sua continuação. E é se mantendo na mesma boa linha de humor, porém, se expandindo e tendo uma sinopse bastante interessante pra continuar a história (a falta de originalidade é sempre o pior erro pra continuações) que o filme parece acertar.

Um tempo se passa após o primeiro filme e vemos que John (Mark Walberg) se separou de Lori (Mila Kunis) e Ted se casa com sua tão amada Tamy-Lynn (Jessica Barth). Ou talvez nem tão amada assim, não precisa de muito tempo pra que o casal sofra problemas no relacionamento e Ted tenha a ideia de ter um filho pra evitar o divórcio. E assim começa a saga de Ted em busca de um doador de esperma, Flash Gordon é sua escolha perfeita (sim, Sam J. Jones está de volta!), o que não dá certo e fica para o próprio John ajudá-lo. Mas é em uma grande curva que a sinopse muda (bem ao estilo de episódios de Os Simpsons e Uma Família da Pesada) e estaciona em algo bem diferente do antes apresentado: Ted descobre não poder criar um filho, pois o urso seria uma “propriedade”. É aí que começa uma batalha judicial pra saber se Ted é ou não um ser humano, com todos os direitos daí decorrentes.

O acerto gigantesco do filme é na familiaridade que Seth McFarlane tem com a cultura pop e a facilidade que ele tem em abordá-la. São deixadas referências por toda parte (e se você a pegar terá orgulho disso), quase todas as piadas são dependentes do entendimento dessa cultura, referenciando o grande nerd que Seth é por dentro.  Assim, não foi difícil pra ele fazer um clímax extremamente cômico e divertido dentro do maior antro nerd/geek que se poderia imaginar: a Comic-Con. Outro aspecto é a abordagem judicial que gera piadas excelentes desde com Law And Order até os clichês de tribunais americanos na ficção. Dentro desses aspectos, com muito mais piadas e referências, a continuação certamente leva a melhor face ao primeiro filme, principalmente graças a seu enredo tão distinto.

Outro ponto forte é o elenco e as participações especiais. Além da química perfeita entre Mark Whalberg e Seth McFarlane como Ted em seus ótimos papéis, entra em cena a sempre subestimada Amanda Seyfried,  fazendo uma advogada iniciante que entra na causa de Ted e rapidamente vira um novo membro do “clubinho” da maconha dos dois. A advogada aqui faz o novo par romântico de John, um relacionamento mal trabalhado que forma a parte mais fraca do roteiro. O vilão do filme anterior interpretado por Giovani Ribisi também retorna, e o que pode gerar uma sensação de falta de originalidade ao menos economiza tempo pra não precisar desenvolver o vilão. Ainda temos Morgan Freeman fazendo um de seus típicos personagens poderosos, onde logo surgem piadas excelentes sobre sua voz. Ah, claro, não poderia esquecer de mencionar a participação inesperada de Liam Neeson que provavelmente gera uma das melhores piadas do filme.

Em uma sequência com muito mais piadas e bem inserida na cultura pop, Ted 2 se sai bem melhor que o longa anterior. Aqui não há os erros do primeiro filme relativos a apresentação de origem ou clichês e pôde se dedicar mais ao conteúdo das piadas. É, parece que Seth acertou mais uma vez com seu urso de pelúcia drogado.

Ted 2 (EUA, 2015)
Direção: Seth MacFarlane
Roteiro: Seth MacFarlane, Alec Sulkin, Wellesley Wild
Elenco: Mark Whalberg, Seth MacFarlane, Amanda Seyfried, Giovanni Ribisi, John Slattery, Jessica Barth, Morgam Freeman
Duração: 115

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.