Crítica | Teen Titans: Terra Um – Volume Um

estrelas 2,5

A DC Comics começou seu projeto de graphic novels Terra Um muito lentamente em 2010 com os lançamento do Volume Um do Superman. Digo lentamente pois somente em 2012 veríamos uma continuação, com o Volume Dois do Superman e o primeiro de Batman, com os respetivos Volume Três e Volume Dois só vendo a luz do dia em 2015.

E, finalmente, no final de  2014, a DC começou a diversificar, lançando o Volume Um de Teen Titans (mantive a nomenclatura original, pois a GN não foi lançada por aqui e nunca sei se a tradução será Jovens Titãs ou Novos Titãs, mas creio mais na última), depois anunciando histórias da Mulher-Maravilha, Aquaman e Flash. A primeira e mais importante característica desse projeto é que ele reconta as origens dos icônicos heróis, começando literalmente do zero, o que não é, por si só, uma novidade, pois já foi feito antes, mas permite que a equipe criativa solte suas rédeas para reimaginar os heróis dentro de um universo coeso só para eles que não depende de continuidades impossíveis de acompanhar.

A segunda característica do projeto é que cada GN conta uma história fechada, que não necessariamente pede continuação, ainda que elas sejam possíveis e, especialmente no caso do trabalho de Geoff Johns e Gary Frank com Batman, altamente desejáveis. Bem, pelo menos eu achava que cada GN contava uma história fechada até ler o Volume Um de Teen Titans. Tinha muitas esperanças de um trabalho ímpar, já que Jeff Lemire no roteiro não costuma desapontar, mas o resultado ficou aquém do que poderia ter sido. E a razão principal para isso é que os Teen Titans talvez não sejam material próprio para uma GN auto-contida.

teen titans coverAfinal, a tarefa era ingrata. Lemire tinha que apresentar os personagens (inéditos na linha Terra Um), lidar com a origem de cada um deles e reuni-los em um grupo. Isso em meras 138 páginas (mais ou menos o tamanho padrão dessas GNs). Era muita coisa e isso fica evidente na velocidade com que ele lida com cada personagem ao longo de sua narrativa. Como era de se esperar, porém, ele faz uso de um recurso que simplifica o processo: Mutano, Ciborgue, Jericó, Terra, Ravena e Estelar têm origens entrelaçadas, uma dependendo da outra. Com isso, um evento catalisador começa a, como um dominó, revelar os poderes desses adolescentes desajustados. O foco inicial é em Terra Markov e Vic Stone, que formam um casal. Aos poucos, vamos aprendendo que não só eles como Mutano e Jericó têm laços muito mais profundos e misteriosos, relacionados com um bebê espacial que caiu na Terra há alguns anos e com uma misteriosa jovem indígena que tem poderes de premonição (Ravena).

Cada personalidade é muito bem estabelecida, ainda que, de certa forma, sejam, todas elas, representantes de facetas do clichê do adolescente. Há a rebelde, o certinho, o geninho e por aí vai. Mas Lemire sabe criar uma boa unicidade que, organicamente, leva ao início do grupo. Mas, como disse, o autor corre. E muito. Com isso, há pouco espaço para um desenvolvimento maior de cada um dos personagens e a velocidade acaba tornando conveniente demais a reunião de todos.

No entanto, o maior problema é que a história não acaba. Afinal, como disse, as GNs de Terra Um eram auto-contidas. “Eram” parece ser a palavra-chave se essa tendência continuar. Afinal, Teen Titans acaba de repente, literalmente no meio da ação, sem qualquer cerimônia. Não é algo tão ridiculamente abrupto como o asqueroso final de O Hobbit: A Desolação de Smaug, mas é algo que irrita o leitor acostumado com um final mais redondo para essas histórias. E a cereja no bolo desse problema é que o intervalo entre uma GN e outra tem sido gigantesco e sinceramente não sei se será diferente com Teen Titans. É só ver que foram necessários dois anos para a publicação do Volume Dois de Superman e três para o Volume Dois de Batman.  É quase inevitável a sensação de “enganação” que acomete o leitor ao final da leitura. Uma pena.

A arte de Terry Dodson combina com o espírito adolescente da obra. Ele parte para um tom mais caricato, mas sem exageros, recriando, mas não alterando radicalmente o design original dos personagens. Com isso, ele abre espaço para uma evolução interessante para Ciborgue, que começa a perceber que sua pele está ficando metalizada e também para Mutano, que consegue se transformar em animais bastante estilizados. Há algumas decisões estilísticas questionáveis por parte de Dodson, como o uniforme de um querido personagem da mitologia dos Teen Titans que aparece mais para o final e a aparência de Estelar. Incomodará aos puristas, mas não é algo que realmente atrapalhe a história.

Se Lemire tivesse tido espaço para dar um encerramento digno à história, Teen Titans: Terra Um seria uma leitura altamente recomendável. Do jeito que ficou, parece demais com um caça-níquel…

Teen Titans: Terra Um – Volume Um (Teen Titans: Earth One – Volume One, EUA – 2015)
Roteiro: Jeff Lemire
Arte: Terry Dodson
Arte-final: Rachel Dodson, Cam Smith
Letras: Jared K. Fletcher
Cores: Terry Dodson
Editora (nos EUA): DC Comics
Data de publicação original: novembro de 2014
Editora (no Brasil): não publicado na data de lançamento da presente crítica
Páginas: 138

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.