Crítica | Tempestade: Planeta em Fúria

Hollywood adora filmes sobre destruição em massa, seja pelas mãos de robôs gigantes, monstros, aliens ou fenômenos “naturais” (e tubarões voadores, claro). De TwisterTransformers já vimos a Terra, ou os Estados Unidos, serem destruídos das mais variadas formas, o que não impede, claro, que realizadores inventem novos cataclismos para colocar nas telonas. Já à vontade quando se trata de filmes-desastre – nos dois sentidos -, Dean Devlin, responsável pelos roteiros de Godzilla (1998)Independence Day: O Ressurgimento, dentre outras atrocidades, decide embarcar em sua primeira jornada como diretor de longa-metragem feito para os cinemas. O resultado é Tempestade: Planeta em Fúria.

Após uma série de catástrofes naturais abalar o planeta, o governo dos EUA, em conjunto com outros países, criou um sistema de defesa por satélites, capaz de impedir mais fenômenos desse tipo, sejam furacões, abalos sísmicos ou outros. Às vésperas de entregar o comando desse mecanismo para outras nações, anomalias começam a aparecer, uma delas sendo uma pequena vila no deserto do Afeganistão inteiramente congelada, incluindo seus habitantes. Com isso em mente, Jake Lawson (Gerard Butler), um dos criadores do programa, que fora expulso por insubordinação há alguns anos, é enviado para o espaço para descobrir o que deu errado. Chegando lá, ele descobre que alterações foram feitas no programa e que, após uma contagem regressiva, um fenômeno denominado Geostorm acontecerá, provocando desastres simultâneos por todo o planeta.

Filmes-catástrofe, na maior parte dos casos, não são feitos para serem levados a sério. Os realizadores já sabem que o espectador que pagar o ingresso do cinema para assistir um desses somente o faz para ver o máximo de destruição descerebrada possível em tela. Nesse sentido, Tempestade: Planeta em Fúria é pura enganação, ao passo que praticamente todas as suas sequências de desastre já foram mostradas nos trailers, restando à quase totalidade da projeção incessantes sequências sobre os personagens olhando para telas de computadores, dizendo obviedades, além de chamadas entre a Terra e a estação espacial onde Lawson passa certo tempo do filme.

Não bastasse isso, o roteiro de Dean Devlin e Paul Guyot tenta nos fazer acreditar que Gerard Butler, com todo o seu carisma negativo, é um cientista, além de tentar nos fazer detestar ao máximo seu personagem, a tal ponto que torcemos para os desastres do Geostorm. O grande problema disso tudo é que Devlin efetivamente leva tudo à sério demais, mas de maneira falha, seja pelo plot twist mais que previsível, ou pela esquizofrênica inserção de subtramas, que acabam sendo esquecidas por todo o filme, somente para serem resgatadas ao fim, sem alterar a narrativa em absolutamente nada.

Toda essa artificialidade é estendida para praticamente todos os planos que vemos sendo colocados em execução (inclusive o do próprio vilão, mais que previsível). Até mesmo os conceitos introduzidos pela obra não se salvam, vide a relevância de um raio laser no sistema para evitar catástrofes naturais, que parece mais uma referência a 007 – Um Novo Dia Para Morrer, do que uma função plausível para tal dispositivo. A cereja no topo do bolo, claro, são os (d)efeitos especiais, que mais nos fazem indagar por que raios se preocuparam com extensas refilmagens e atrasos no lançamento se era para entregar uma produção que beira a de filmes B.

Tamanha é a tragédia de Tempestade: Planeta em Fúria, que sequer posso dizer que algumas boas risadas foram proporcionadas ao longo do filme. Aliás, minto, os risos provocados durante a projeção foram de nervoso, pela incredulidade diante de tudo o que foi exibido e pelo simples fato desse longa-longa-metragem parecer que jamais irá acabar. Nesse sentido, temos uma boa fonte de tensão durante essa experiência cinematográfica, que nos faz querer que fenômenos naturais, de fato, interrompam esse desastre de filme.

Tempestade: Planeta em Fúria (Geostorm) — EUA, 2017
Direção:
 Dean Devlin
Roteiro: Dean Devlin, Paul Guyot
Elenco: Gerard Butler, Jim Sturgess, Abbie Cornish,  Alexandra Maria Lara, Daniel Wu, Eugenio Derbez,  Amr Waked, Adepero Oduye,  Andy Garcia, Ed Harris
Duração: 109 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.