Crítica | Terremoto: A Falha de San Andreas

estrelas 3

The Rock é um cara carismático. Desde o início de sua carreira, quando ainda incorporava o Escorpião Rei (em carne e osso ou emprestando o rosto para ser colocado num escorpião feito de efeitos especiais de qualidade duvidosa), o cara já chamava atenção e se mostrava uma estrela de filmes de ação em potencial. Muitos e muitos sucessos de bilheteria depois, já era hora de The Rock ter um filme-catástrofe pra chamar de seu, afinal, ele tem todo o perfil para estampar um belo filme do estilo.

Terremoto: A Falha de San Andreas é a certeza aposta de filme-catástrofe blockbuster de 2015 da Warner (a interpretação de ‘filme-catástrofe’ fica por sua conta). Dwayne vive Ray Gaines, um piloto do Departamento de Resgate e Segurança de Los Angeles, que está em processo de divórcio da esposa Emma (Carla Gugino), mantendo uma boa relação com a filha Blake (Alexandra Daddario) e tentando conviver da melhor forma possível com o novo namorado da ex, o milionário da engenharia civil Daniel Riddick (Ioan Gruffudd), que – pasmem! – em um filme de terremoto está construindo um dos maiores, mais seguros e mais fortes prédios dos Estados Unidos! Quando Lawrence, um professor universitário especialista prevê o maior terremoto da história do país, envolvendo a falha de San Andreas, na Califórnia, começa uma corrida contra o tempo para avisar a população da catástrofe iminente e tentar, de alguma forma, reduzir seus danos.

Obviamente, não será intuito deste que vos escreve discutir veementemente qualidade de roteiro ou atuações, apontar fatos absurdos que venhamos a testemunhar ou cobrar verossimilhança do longa. Quando nos metemos a assistir a um filme como Terremoto: A Falha de San Andreas é necessário se despir de todo esse apuro cinematográfico, simplesmente se deixar levar pela diversão e ter completa noção de onde está se metendo. A ordem aqui é diversão escapista (mesmo que o tema seja completamente real e assustador).

Ver Los Angeles e San Francisco serem completamente destruídas através dos espetaculares efeitos especiais é, sem dúvida, um deleite para os olhos. As tomadas aéreas que mostram as cidades inteiras sacudindo, tendo seu chão elevado, são impressionantes e, para os mais emotivos, assustadoras. A direção de Brad Peyton é competente na maior parte do tempo e consegue sustentar uma ou outra situação de tensão – mesmo que elas aflijam de verdade apenas os que se impressionam mais facilmente –; afinal, as famosas conveniências de roteiro estão ali, para resolver os impasses.

Terremoto: A Falha de San Andreas é igual a todos os filmes-catástrofe que você já viu na vida: tem os mesmos personagens, as mesmas reviravoltas, as mesmas situações. Mas a gente não se importa. A gente gosta. Quando acontece de ainda ter um elenco carismático encabeçado por The Rock, então, a coisa fica ainda mais divertida. Terremoto entra, facilmente, para o hall de filmes-catástrofe que merecem uma tela enorme, imagem em altíssima definição e som no volume máximo!

(Fica a dica da excelente – e sombria – versão da música California Dreamin’, clássico do The Mamas and The Papas, feita por Robot Koch e Delhia De France, que toca nos trailers!)

Terremoto: A Falha de San Andreas (San Andreas) – EUA, 2015
Diretor: Brad Peyton
Roteiro: Carlton Cuse
Elenco: Dwayne “The Rock” Johnson, Carla Gugino, Alexandra Daddario, Ioan Gruffudd, Paul Giamatti, Archie Punjabi, Hugo Johnstone-Burt
Duração: 114 min.

ANDRÉ DE OLIVEIRA . . . . Estudante de Letras e aspirante a jornalista. Ainda se impressiona com o fato de curtir, na mesma intensidade, do cult ao pop; do clássico ao contemporâneo; do canônico ao best-seller. Usa camisa do Arctic Monkeys — sua banda favorita —, mas nada impede que esteja tocando Nicki Minaj no fone de ouvido. Termina de ler Harry Potter e começa um Dostoévski. Assiste Psicose e depois dá play em Transformers. Não tente entender. @andreoliveeira