Crítica | Terror Profundo

Considerado um fenômeno narrativo que oxigenou a indústria durante um período, o subgênero found foutage teve os seus dias contados, graças ao exaustivo número de produções que buscaram em suas propostas um caminho comercial para inseri-lo dentro de outros subgêneros já consagrados, tais como os filmes de casas assombradas e exorcismo. Terror Profundo, terceiro filme associado à franquia Mar Aberto, chega com relativo atraso e associa aos tubarões, outro segmento da indústria bastante desgastado. O resultado, como é de se esperar, fica abaixo do razoável.

Dirigido por Gerald Rascionato, tendo como guia o roteiro escrito em parceria com Stephen Lister, parte de uma premissa básica. Três amigos entram em acordo e decidem gravar um vídeo para participar da seleção de um reality show focado em aventuras radicais. Para chocar e garantir a participação, o grupo parte para o mar aberto e filmam a si mesmos enquanto mergulha com tubarões, seguros graças aos aparatos disponíveis, entre eles, a jaula que os mantém com o devido distanciamento.

O inesperado, por sua vez, acontece. Uma enorme onda vira o barco que os acompanha e os três se encontram em meio ao mar infestado de tubarões. Gritos, pedido frustrado de socorro, algumas cenas tensas, mas que rapidamente se esvaziam por conta dos diálogos fracos, algumas doses de marasmo e poucas novidades. Águas Rasas e Medo Profundo comprovaram que argumentos básicos podem render boas histórias, depende apenas da maneira como tudo é narrado. Os realizadores de Terror Profundo, por sua vez, não tinham um texto bom, tampouco diálogos, só a ideia “inédita” de mesclar found foutage e filmes de tubarões. A presença de subtramas não acrescentam nada de interessante, pois não modulam melhor os personagens, tampouco auxiliam no estabelecimento da catarse.

O empenho de Andrew Bambach na direção de fotografia traz alguns elementos interessantes, mas nada que nos convença a achar o filme uma aventura instigante ou memorável. Isso se aplica ao trabalho musical realizado por The Newton Brothers, bem como a edição do trio formado por Antoine Howard, Andre Staimatakakos e Rascionato (também diretor), equipe ao menos consciente do tempo de duração necessário para um o tipo de narrativa, isto é, 80 minutos mais que suficientes.

Terror Profundo faz parte de uma franquia que já está em seu terceiro filme. A Lionsgate comprou os direitos desta produção e a vinculou aos filmes anteriores, Mar Aberto e Pânico em Alto-Mar, predecessores que possuem como ligação apenas o fato de alguns personagens encontrarem fim trágico no mar, tendo como detalhe específico, a presença de tubarões. Megan Murphy (Megan Peta Hill), Jeff Miller (Joel Hogan) e Greg (Pete Valley) tinham a câmera para registrar os acontecimentos e deixar para a posteridade. Ficar vivo para contar a história já é outra coisa.

Terror Profundo — (Open Water 3 – Cage Dive) Austrália, 2017.
Direção: Gerald Rascionato
Roteiro: Gerald Rascionato
Elenco: Joel Hogan, Josh Potthoff, Megan Peta Hill, Suzanne Dervish-Ali
Duração: 80 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.