Crítica | Tex: Frontera! (2015)

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O pequeno editorial de Davide Bonelli no início de Frontera! (2015), a segunda história da série Tex Graphic Novel dá conta da seguinte situação: sendo O Herói e a Lenda uma trama de possibilidades no Universo texiano, ela serviria como “edição zero” da série, uma apresentação de acontecimentos possíveis ou lendários em alguma realidade, como se fosse um O Que Aconteceria Se… da Marvel. Já esta aventura escrita por Mauro Boselli e desenhada e colorida por Mario Alberti ganha a classificação de “edição um” da nova série, colocando uma história em que, ao que tudo indica, se passa ANTES de O Totem Misterioso (1948), cronologicamente falando, o primeiríssimo arco de histórias de Tex a ser publicado.

A trama começa no México, do ponto de vista da dançarina francesa Blanche Denoel, que está fazendo uma investigação. Os diálogos são poucos nesse início, mas Boselli consegue nos fazer esperar pelo pior. Mesmo que as intenções da bela jovem não se revelem desde o começo, o leitor imagina que terá algo a ver com Tex e que sua entrada na história deve acontecer em breve, o que de fato ocorre, após um elaborado plano que nos faz entender claramente em que momento da vida do Águia da Noite esta aventura se passa. Todavia, mesmo que isto não ficasse claro para um leitor completamente desatento, a arte de Mario Alberti seria mais do que necessária para exemplificar isto, já que ela claramente mostra um Tex jovem, assim como um Kit Carson bem mais novo, com bigode e barbicha curtos, cabelos ainda começando a ficar brancos e um comportamento um tanto menos cuidadoso do que ele teria com o passar dos anos.

Frontera! é, acima de tudo, uma história de vingança abraçada por questões sociais marcantes para os Estados Unidos. Tex ainda amarga o assassinato do pai e acaba de passar um longo período em território mexicano, após ser traído por alguém que tem papel importante em sua tragédia familiar. Agora ele é um fora-da-lei e parece que não seguirá sozinho nessa trilha de acerto de contas onde as coisas acontecem muito rápido e onde os planos são muito bem amarrados pelo roteiro, tendo apenas algumas rusgas na ligação entre blocos como o da caçada  e o da chegada de Kit Carson ou no ajuste de diversos cenários para a batalha final. Algumas poucas páginas adicionadas à história com certeza contribuiriam positivamente para a adição de contextos pontuais (e necessários) na trama.

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A verdadeira entrada do Águia da Noite, como o conhecemos…

O elemento histórico que citei é o efeito a longo prazo da Guerra da Secessão, que apesar de ter resultado na abolição da escravidão nos Estados Unidos, certamente deixou uma terrível marca racista no país e isto é inserido na história a partir da relação de Tex com Sam, um “companheiro” negro que de fato acaba se tornando um pard do Águia, alguém cuja lealdade é posta à prova em uma situação contra os vilões e que consegue um lugar bastante satisfatório no decorrer da trama. Os coadjuvantes, aliás, são muito bem tratados pelo roteiro, talvez sofrendo um pouco as consequências das já citadas passagens pouco harmônicas em algumas sequências importantes.

Os traços majoritariamente finos de Alberti se completam com uma arte-final que intensifica as sombras e preenchem alguns espaços do cenário com lápis mais grossos ou contornos que junto às cores (o artista privilegia as muitas variantes de tons térreos nas cenas diurnas e os cinzas com alguns reflexos de cores quentes nas noturnas) dão a impressão deliciosa de “bagunça visual”, onde um ajuntamento de rochas, telhados de casas, flores em um camarim, saias de dançarinas num palco e uma cavalgada podem ganham uma série de detalhes e uma aparência de “sujeira” que combina muito com o ambiente rústico onde o autor nos insere. Cenas como os flashbacks também ganham excelente cuidado estético em preto & branco + sépia, com um resultado final bastante bonito, apesar do contexto infame sendo retratado.

Finalizada de maneira feliz, embora com menos força que o seu desenvolvimento, Frontera! ainda segura em alta conta a qualidade da série iniciada com O Herói e a Lenda. Uma história que não demora nada para ser lida, garante um ótimo momento para o leitor e acrescenta mais algumas informações para este período ainda tão pouco conhecido da vida de Tex, que é o início de sua vida adulta.

Tex: Frontera! (Tex Romanzi a Fumetti #2) — Itália, 2015
Sergio Bonelli Editore
No Brasil: Tex Graphic Novel n°2 (Editora Mythos, 2016)
Roteiro: Mauro Boselli
Arte: Mario Alberti
Cores: Mario Alberti
50 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.