Crítica | Tex, o Grande!

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estrelas 4

Tex Willer, personagem de Gian Luigi Bonelli e Aurelio Gallepini, apareceu pela primeira vez em O Totem Misterioso, história publicada na Collana del Tex #01 em 1948. Seu sucesso e constante adaptação às exigências da indústria de entretenimento sem desprezar suas raízes concedeu vida longa ao personagem, além de criar um público cativo e apaixonado.

Quatro décadas depois, Tex ganhou uma série de “álbuns gigantes”, o chamado “Texone” — lançado por ocasião dos festejos de 40 anos do personagem — que trazia uma história fechada a cada nova publicação. O álbum de abertura dessa série foi Tex, o Grande!, lançado inicialmente aqui no Brasil pela Editora Globo em duas ocasiões, 1988 e 1998 e relançado em edição luxo em 2014. pela Mythos.

O roteiro da trama é assinado por Claudio Nizzi e a arte por Guido Buzzelli, uma notável dupla que traria contornos extremamente interessantes para o famoso ranger e seu inseparável amigo Kit Carson. O texto aqui estrutura uma história de rancho com uma história de império do Oeste, fazendo com que a ameaça à propriedade do honesto Thompson ande de mãos dadas com o crescimento criminoso da madeireira dos irmãos Patterson. Já nas primeiras páginas percebemos que a briga vai muito além de tentativas de convencer o pequeno rancheiro a vender sua concessão aos madeireiros. Há assassinatos (forjados para parecerem acidentes) e ataques com armas, à distância. A situação fica cada vez mais difícil para Thompson, sua filha e seu fiel empregado Pat, o irlandês.

Guido Buzzelli e seu realismo junto ao modelo de “equilíbrio no caos” para a arte. Uma diagramação de página simples mas muito bela e eficiente.

Caudio Nizzi aborda o conflito de maneira plenamente social no início da aventura, aliando a questão do trabalho às condições de salário e ameaças externas, inserindo o pensamento de manutenção da família, a perda da propriedade e a falta de dinheiro em um lugar onde já era bastante difícil encontrar novas formas de trabalho, especialmente para as pessoas de uma certa idade. Também é possível ver características culturais e geográficas do Estado do Oregon, “às margens íngremes de um afluente do rio Colúmbia”, no roteiro e na arte.

Guido Buzzelli aproveita a densidade e seriedade inicial do roteiro de Nizzi para contextualizar o cenário de abertura da crônica. Sua equilibrada arte-final dá espaço a quadros mais abertos e de composição simples em praticamente todas as cenas internas, um modelo que aos poucos se altera de forma inteligente para páginas plenamente preenchidas, fortemente sombreadas e com indicações de movimento e/ou onomatopeias cortando o espaço vazio.

Essa camada artística pode ser vista no álbum toda vez que Buzzelli apresenta uma situação diferente (a introdução de Tex e Carson é um exemplo). O mesmo podemos dizer do sentido de movimento e dos ângulos cinematográficos do artista. Há quadros cuja ideia de perspectiva é tão bem utilizada, que é quase impossível não lembrarmos das lições dos mestres Renascentistas sobre o tema — e não, eu não estou exagerando, julgue você mesmo a partir da página abaixo.

À medida que avançamos na história, percebemos o crescimento do trabalho de Buzzelli (inclusive com a escolha de material diferente para os desenhos) e composições ou efeitos cada vez mais inspirados, um resultado que infelizmente não é acompanhado pelo roteiro de Nizzi, aos poucos cedendo à dinâmica de gato-e-rato e sofrendo os efeitos dessa abordagem em sua história, cuja insistência na perseguição e nos grandes feitos solo do protagonista parecem não arredar o pé no momento em que começaram a saturar o leitor.

Guido Buzzelli e seu primor na exploração dos ângulos, da ideia de movimento e, principalmente, da perspectiva.

Se até o meio da saga observamos um andamento mais compassado dos acontecimentos — e isso não quer dizer ausência de ação ou agilidade nos diálogos –, nos espantamos com os blocos limitados que o texto adota na reta final, criando obstáculos imediatos e desmedidos para Tex, diminuindo a participação dos outros personagens (Pat, o irlandês e Kit Carson são os que realmente sofrem com isso) e jogando com os clichês do vence-e-não-vence em uma sequência de quadros: o ponto mais fraco de um roteiro que havia se apresentado bastante maduro na construção dos diálogos e muito inteligente ao firmar uma linha dramática de ação, inclusive criticando o ambiente social da Conquista do Oeste e as primeiras hordas de corrupção comercial no “lado dos sonhos” dos Estados Unidos. A história mostra uma das muitas ações de injustiça social cometida contra pequenos rancheiros no Oeste americano até pelo menos as últimas décadas do século XIX.

As 10 últimas páginas da história centram-se em um ponto único de narração e voltam ao excelente ritmo que vimos no início, contando com traços mais grossos na arte de Buzzelli e uma despedida amigável e cômica entre os personangens após uma intensa e perigosa travessia.

Albo Speciale per i 40 Anni di Tex, Il Grande! /  Tex Albo Speciale – Texone #1 (Itália, 1988)
No Brasil: Tex, O grande! — Tex Gigante Colorido (ou Edição Gigante em Cores Nº1) – Mythos Books, julho de 2014
Roteiro: Claudio Nizzi
Arte: Guido Buzzelli
Páginas: 234

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.