Crítica | The Banner Saga

estrelas 3,5

Desenvolvido por uma equipe saída da Bioware, The Banner Saga é um jogo indie financiado através de uma bem sucedida campanha de kickstarter. A ideia era realizar um game adulto, repleto de estratégia e decisões que realmente alteram o curso da trama. As inspirações do game são claras e vão desde a própria mitologia nórdica até livros como Game of Thrones (na questão do storytelling) e games como Final Fantasy Tatics.

O que primeiro chama a atenção é a qualidade dos gráficos. Não, nada de CGIs impressionantes, ao invés disso vemos belas ilustrações feitas à mão, utilizando um visual inspirado na arte de A Bela Adormecida, da Disney. Desde as cutscenes até os momentos de jogabilidade em si o game utiliza o desenho tradicional – em uma era de excesso de computação gráfica isso nada mais é que um grande alívio. É claro que ainda temos animações em 3D, mas essas se limitam a algumas habilidades utilizadas pelos personagens ou recursos de interface dentro das batalhas.

Vamos agora para a história. Para aqueles com dificuldade no inglês, sinto informar que as sequências com voz não possuem legendas e o sotaque puxado para o nórdico dos personagens não ajuda no entendimento. A primeira coisa que se deve saber é: esse é o primeiro capítulo de uma trilogia. Essa primeira parte foca no retorno dos Dredge, uma raça militarista de gigantes que despreza tanto humanos quanto Varl. Em questão de design eles lembram as criaturas de Shadow of the Colossus, embora sejam consideravelmente menores.

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Uma flecha pareceu não adiantar muito

Ao contrário de maioria dos games que foca em um único herói, nós controlamos uma caravana de humanos e Varls (também gigantes, porém mais parecidos com humanos e com chifres) que visam combater as criaturas sombrias que estão de volta. Semelhante a Game of Thrones, The Banner Saga não possui um único personagem principal – a caravana como um todo é um personagem e a história aqui contada é dela. Em diversos pontos somos forçados a tomar difíceis decisões que afetam cada um dentro da equipe, além de alterar o desenrolar da história. Isso acaba aumentando o tom de crueza presente no game inteiro – não pude deixar de notar aqui uma certa semelhança com o filme Michael Kohlhaas com Mads Mikkelsen.

Quem já experimentou games como Final Fantasy Tactics ou Fire Emblem irá se sentir à vontade com a mecânica de combate do game em questão. Basicamente somos colocados em um tabuleiro e devemos movimentar cada personagem a fim de posicioná-lo adjacente a um inimigo. Feito isso, podemos ataca-lo, seja através do simples brandir da espada ou ataques especiais de cada personagem. É claro que, diante disso, somos forçados a adotar inúmeras estratégias e esse, de forma alguma, é um jogo fácil. Mas não se preocupe, tirando alguns pontos fora da curva, o game apresenta uma dificuldade que cresce gradativamente, além de contar com um modo de treino.

Ao fim de cada luta recebemos os renown points, equivalentes a pontos de experiência, que permitem o aprimoramento de cada guerreiro disponível para formar nossa equipe. Além da movimentação no campo de batalha, a formação de um time equilibrado é mais que necessário para conseguir avançar no game, mas dentro dos elementos estratégicos do jogo esse é o mais fácil de construir.

Fora das lutas o jogo progride através de diálogos e interações do jogador. Algumas das conversas são dubladas, mas a maioria delas exibe apenas um texto corrido. A forma de narrativa soa como um Rpg de mesa, nos dizendo o que ocorre sem necessariamente estarmos vendo, deixando grande parte para nossa imaginação. Quem está acostumado com graphic novels animadas se sentirá familiarizado.

Humanos e Varls vs Dredge

Humanos e Varls vs Dredge

O game, contudo, conta com um grave defeito, este é a falta de explicação em diversos pontos sobre o que deve ser feito. Isso se alia a alguns problemas de interface que não deixam claro o que pode e não pode ser clicado. Além disso, devemos aprender por conta própria como melhorar os personagens e como utilizar diversos outros elementos dentro das batalhas. O mesmo cuidado exercido nos visuais poderia ter estado presente nesse lado do jogo.

Para os apreciadores de uma boa história e Rpgs táticos, The Banner Saga é, definitivamente, uma boa pedida. Conta com belos visuais e uma boa mecânica, ainda que carente de explicações. A falta de animações em diversos pontos acabam tirando a imersão do game, mas ainda assim ele consegue nos prender de volta em cenas e batalhas subsequentes. Pode não ser o melhor do gênero disponível, mas ainda assim vale a pena ser conferido.

The Banner Saga
Desenvolvedora:
 Stoic
Lançamento: 14 de Janeiro de 2014
Gênero: Estratégia
Disponível para: Pc, Mac

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.