Crítica | The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years

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estrelas 5,0

Goste ou não de The Beatles, considere-os a melhor banda do mundo ou a mais superestimada, estamos falando de um grupo que profundamente marcou a história não só da música, como da cultura pop como um todo. Produto de seu tempo, com a fama solidificada em um período de grande instabilidade global (pós-Segunda Guerra, morte de JFK, Guerra Fria e do Vietnã), os quatro Beatles conseguiram se tornar um fenômeno em um grau jamais antes visto, com legiões e mais legiões de fãs ao redor do mundo, já oferecendo um olhar sobre os concertos gigantescos que veríamos nas décadas que seguem. O documentário de Ron HowardThe Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years acompanha a banda de Liverpool através de seus 250 shows, desde o Cavern Club até seu último em São Francisco.

Confesso que antes de entrar na sessão do documentário estava preocupado se esse não seria apenas um filme feito para os fãs da banda, algo que não apelaria direto a mim, que, gosto, sim de algumas músicas deles, mas, principalmente, as criadas após o término dos seus anos de tour, como Let it Be. Felizmente meus temores caíram por terra. Roteirizado por Mark Monroe, responsável por ótimos documentários como A Enseada, o longa-metragem nos leva em uma viagem no tempo e passamos a entender tudo o que o grupo representou, nos aproximamos deles de tal forma que nos identificamos com Paul, John, George e Ringo, como se fossem personagens se estabelecendo diante de nossos olhos.

Da relação fraternal entre os membros do grupo, até as loucuras cometidas pelos fãs ficamos vidrados no que é mostrado em tela e muitas das cenas soam como uma obra de pura ficção, tamanha a proporção do sucesso que a banda fez. O longa se estabelece principalmente através de imagens de arquivo, que trazem desde filmagens da época, até depoimentos de George Harrison. Evidente que algumas entrevistas também estão presentes – os próprios Paul e Ringo, naturalmente, nos contam como foram aqueles anos, além de outras estrelas que viveram todo o fenômeno mundial, como Whoopi Goldberg e Sigourney Weaver. A excelente montagem de Paul Crowder sabe oscilar entre esse acervo de imagens de forma fluida, acompanhando perfeitamente a coesão do roteiro.

Sabiamente o texto mescla os relatos com os concertos do The Beatles, fazendo com que mantenhamos nossa atenção fixa na tela, através de uma narrativa que jamais se permite cair na lentidão. A todo e qualquer momento novas informações nos são oferecidas e passamos a entender a evolução do grupo, enxergá-la diante de nossos olhos, desde as músicas sobre garotas e paixões adolescentes até o genuíno pedido de socorro de Help!.

O documentário ainda nos mostra, através de suas entrevistas, como a banda influenciou outros aspectos da cultura pop não necessariamente ligadas à música. Estamos falando de mudanças sociais, motivações a outros grandes artistas, até a própria maneira de se fazer comédia nos dias atuais, que herda da espontaneidade do grupo. Isso sem falar no óbvio: temos aqui uma perfeita maneira de conhecer parte da obra do grupo, entendendo a motivação por trás de suas canções.

Mais que um filme, The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years é uma verdadeira viagem no tempo, que nos presenteia com imagens e sons remasterizados sobre uma das bandas mais influentes da história da música. Goste ou não do grupo de Liverpool, esse é um documentário que todos precisam ver e que, ao seu término, nos deixa na vontade imediata de assistir uma continuação (The Non-Touring Years?), tamanha é a aproximação que sentimos com os quatro Beatles, que chegou até a me fazer apreciar mais suas canções que vieram antes de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band.

The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years — EUA, 2016
Direção:
Ron Howard
Roteiro: Mark Monroe
Com: Paul McCartney, Ringo Starr, John Lennon, George Harrison, Larry Kane, Whoopi Goldberg, Elvis Costello, Eddie Izzard, Sigourney Weaver
Duração: 137 min.

GUILHERME CORAL. . . .Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.