Crítica | The Big Bang Theory – 12X01: The Conjugal Configuration

  • Obsevação: Embora não tenhamos coberto as últimas temporadas, estamos trazendo para vocês, de episódio em episódio, textos sobre os capítulos da última fase da série The Big Bang Theory.

Contém spoilers.

Quando chegamos à última temporada de uma série que está no ar há 12 anos, temos que lidar, invariavelmente, com um certo cansaço na repetição da fórmula. The Big Bang Theory  vem, ao longo dos anos, afastando o grande público de antes, mas ainda existe uma forte base fiel, interessada, agora, no casamento entre Sheldon (Jim Parsons) e Amy (Mayim Bialik), imensa – e uma das únicas – virada do personagem em termos de desenvolvimento. O texto abre, portanto, espaço para dinâmicas consideravelmente novas, dando margem a um trabalho sobre reais dificuldades na manutenção de um matrimônio, ainda mais para um personagem como Sheldon. O sexo encaixa-se de maneira coerente dentro desse primeiro conflito do seu casamento, ocorrendo ainda em sua lua de mel.

O tema central do episódio, The Conjugal Configuration, é bastante lógico e o roteiro consegue explorar, consideravelmente bem, as amarras envoltas disso, como uma relação pode tornar-se calculada e não mais espontânea. Onde está a paixão em um calendário? Para um personagem como ele, afinal, agendar as relações sexuais é uma maneira muito mais propícia para que elas, ao menos, ocorram. O episódio consegue se desvencilhar dessa problemática, mas que, provavelmente, será modificada para alguma próxima no capítulo seguinte – as rixas entre lados de um casal. O estresse de Amy, contudo, aparenta exagero. Não conseguimos acreditar realmente que ela tenha ficado furiosa com Sheldon em decorrência dessa questão, tão facilmente contornável. A artimanha narrativa, entretanto, é útil para se existir um conflito interessante e relevante.

A comédia, como sempre, vem em primeiro plano. A obra começa acertando muito, com a quebra de expectativa transformando-se na Legolândia. Subindo as escadas do prédio de sempre, os outros personagens principais surgem em cena, a qual levará Leonard (Johnny Galecki) e Penny (Kaley Cuoco) confrontarem os pais de Amy, em uma situação bastante instável deste relacionamento. A crise palpita sobre o futuro. Será que veremos a dupla se separando? O interessante, mesmo assim, é notarmos as similaridades entre os casais, em um tipo de comparação que o episódio martela bastante na cabeça do espectador. Os pais de Amy possuem as mesmas características que o casal principal da série. O humor gerado disso é óbvio, recai em certas repetições, mas é afiado o suficiente para acreditarmos e repensarmos o romance entre os dois.

Por último, a participação do Neil deGrasse Tyson é muito boa, entrelaçada com o “arco” de Raj (Kunal Nayyar), que está buscando a fama, custe o que custar. O começo acidental, no programa televisivo, é orgânica. A exploração cômica, porém, não vai muito além, ainda mais porque a fita insiste em colocar Bernadette (Melissa Rauch) como contraponto moral do personagem, enquanto teria sido mais frutífero deixar a narrativa do personagem falar por si só, com interações pontuais dos demais personagens. O retorno de The Big Bang Theory, portanto, abre as portas para as possíveis premissas da última temporada da série, com exceção da de Howard (Simon Helberg) e Bernadette, vistos de forma mais periférica nesse capítulo. Os atritos entre casais e a carreira de Rajeesh parecem ser temáticas suficientes para um encerramento glorioso. Parecem.

The Big Bang Theory – 12X01: The Conjugal Configuration – EUA, 24 de setembro de 2018
Criação: Chuck Lorre e Bill Prady
Direção: Mark Cendrowski
Roteiro: Chuck Lorre, Eric Kaplan, Tara Hernandez
Elenco: Johnny Galecki, Jim Parsons, Kaley Cuoco, Simon Helberg, Kunal Nayyar, Mayim Bialik, Melissa Rauch, Kathy Bates, Teller, Neil deGrasse Tyson, Bill Nye, Giovanni Bejarano
Duração: 20 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.