Crítica | The Big Bang Theory – 12X02: The Wedding Gift Wormhole

Contém spoilers.

Sheldon (Jim Parsons) e Amy (Mayim Bialik) novamente são os protagonistas da trama de um episódio, mas, dessa vez, começamos a enxergar os princípios de harmonia na relação, diferentemente do capítulo anterior, que os colocava em uma situação pontual de conflito. The Wedding Gift Wormhole é, sob uma outra ótica, uma espécie de terapia de casal, mesmo sem nenhum terapeuta para intermediar a química entre os dois, fluindo em um pretexto narrativo instigante, o qual permite um entendimento mais verdadeiro, por parte do espectador, das mensagens que o episódio busca passar, ao final dele, sobre os casados. Em termos de enredo, estamos diante de um presente de casamento, dado por Leonard (Johnny Galecki) e Penny (Kaley Cuoco), mas que, na realidade, nada significa, embora o cartão informe: “O melhor presente para o melhor casal“. Uma ajuda conjugal? A piada acerta. Uma caça ao tesouro? O casal acredita que é isso e temos nosso segundo episódio da última temporada da série.

O roteiro pouco quer se complicar, vide os mínimos desmembramentos que a caça ao tesouro, enfoque da trama principal, possui – os possíveis desvios, quase como um labirinto de enigmas, estão ausentes. Por um outro ponto de vista, os escritores não estão interessados em mistério algum, revelando, sem grandes surpresas, que Leonard e Penny estão brincando com os recém-casados, isentando-se, portanto, de alguma pretensão maior. Enquanto que, por um lado, a revelação pega ninguém de surpresa, retirando um pouco da mágica nesse adentramento ao íntimo do casal como aventureiros pela cidade, por outro, nos deparamos com uma subversão das intenções iniciais da dupla que deu o presente. Amy e Sheldon estão realmente investidos nessa caçada e, aleatoriamente, vão encontrando peças que fazem sentido e os guiam para uma pieguice hilária, que nunca esteve dentro das propostas iniciais do presente – brincando também com as péssimas escolhas de Raj (Kunal Nayyar).

O jovem solteiro, por sinal, está insatisfeito com a sua vida amorosa, o que o leva a uma conversa com o seu pai, interpretado pelo competente Brian George, evidenciando as problemáticas dessa relação paterna, além das – pseudo – mudanças culturais que o afetou. A quebra de expectativa, após a apresentação de uma foto, é muito boa. O episódio, contudo, concede muito mais atenção a Stuart (Kevin Sussman) do que precisava ter concedido, ainda mais em decorrência de uma incapacidade, por parte do texto, de conseguir conduzir o humor em relação ao personagem, repetindo teclas – como o sorriso do personagem – e envolvendo-se em um temor de encontros muito do sem graça. The Big Bang Theory sabe trabalhar comicamente elementos da cultura popular, como acontece com a citação à série de televisão Westworld, além, é claro, da excelente referência à Fantástica Fábrica de Chocolate, mas notem que a menos inspirada das conversas “nerds” é justamente a entre Stuart e Denise (Lauren Lapkus), seu par romântico.

A química entre os dois, por sinal, apenas reaparece durante a última cena do episódio, em que Stuart está finalmente preparado para seu primeiro encontro com a garota, apesar de ainda encontrar-se extremamente distante do que consideraríamos como preparado. As piadas, que antes Howard (Simon Helberg) emitia indiscriminadamente e incomodava o personagem – novamente, ele e Bernardette (Melissa Rauch) estão de escanteio -, são usadas como um excesso saudável, mostrando uma dinâmica mais despojada, longe do “tapinha na cabeça” inicial – uma ótima resolução para o desconforto da primeira cena. The Big Bang Theory, dessa forma, parece se importar com o futuro, porque não resolve as temáticas iniciadas de uma vez, deixando aberto tanto o relacionamento de Stuart quanto um possível casamento para Raj. A segunda ideia é propensa a render muitos momentos impagáveis. Fiquemos esperando o texto ser menos expositivo e dar lugar à criatividade das comédias em seu ápice conclusivo.

The Big Bang Theory – 12X02: The Wedding Gift Wormhole – EUA, 27 de setembro de 2018
Criação: Chuck Lorre e Bill Prady
Direção: Mark Cendrowski
Roteiro: Steve Holland, Steven Molaro, Maria Ferrari
Elenco: Johnny Galecki, Jim Parsons, Kaley Cuoco, Simon Helberg, Kunal Nayyar, Mayim Bialik, Melissa Rauch, Kevin Sussman, Lauren Lapkus, Brian Posehn, Brian George
Duração: 20 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.