Crítica | The Big Bang Theory – 12X03: The Procreation Calculation

Contém spoilers.

Quando, na crítica do primeiro episódio da décima-segunda temporada de The Big Bang Theory, apontei que uma das temáticas mais relevantes dessa conclusão de série seria as disfunções do casal principal, formado por Leonard (Johnny Galecki) e Penny (Kaley Cuoco), certamente não esperava já ver um desenrolar para essa trama alguns capítulos depois do inicial. A temporada parece realmente estar interessada em mover os arcos de seus personagens de maneira mais rápida do que de costume. Em The Procreation Calculation, portanto, nos encontramos diante do clássico dilema da gravidez, dúvida que acomete Penny. Será que eles precisam de crianças para serem verdadeiramente felizes? As sitcoms costumam se encaminhar para resoluções do tipo, concluindo-se com a clichê narrativa tradicional do homem/mulher moderno: se casar e ter filhos. O caso será esse?

A narrativa do episódio, em uma primeira instância,  sabe amarrar as várias vertentes abertas. A questão da gravidez, por exemplo, surge em cena após a citação ao teste que Raj (Kunal Nayyar) realizou para saber as compatibilidades entre ele e a mulher que seu pai escolheu para ser sua esposa, Anu (Rati Gupta). O “casal” não possui química alguma e isso entra dentro do pacote de divertimento, contudo, a resolução final apressa-se, embora a ideia seja realmente interessante, de um homem precipitando-se diante de um pedido inesperado. “Quer se casar comigo?” O episódio parecia estar se encaminhando para uma direção, mas muda-a drasticamente, para o bem ou para o mal. A honestidade no tratamento ao matrimônio como a instituição burocrática que, de certa forma, realmente é dá origem a piadas certeiras, que comprovam tanto a fragilidade quanto a fortificação em se compreender o que está em jogo.

Já Stuart (Kevin Sussman) e sua namorada ganham papéis bem secundários, mas a presença é sentida, visto que Howard (Simon Helberg) e Bernadette (Melissa Rauch) começam a se angustiar com as sugestões de que os dois estão tendo relações no quarto deles. O casal, diferentemente do principal da série, atende diversos padrões, com dois filhos e empregos estáveis. A comédia de The Procreation Calculation é boba em relação a esse arco, mas permite ser mais esperta ao realmente trabalhar Penny e as pessoas em sua volta, condenando-a em um primeiro momento para, mais tarde, aceitá-la. As reações são extremas, e, por isso, nos solidarizamos. Do outro lado, Howard e Bernardette lidam com os seus moralismos, do que deve ou não ser feito, apesar de existir certos fundamentos em seus argumentos. O episódio, dessa vez, não se esquece deles, apesar de ainda atuarem na tangente.

A comédia, por outra linha de pensamento, é escanteada. O episódio não conta com muitas proposições cômicas, muito menos referências nerds, perdendo um pouco da grande essência do seriado, brincando com esse mundo super antenado e jovem, também chamado geekThe Procreation Calculation coordena os pontos narrativos de maneira acertadíssima, consegue se desenvolver em relação aos seus personagens, sabe ser divertido, mas precisava ser mais inventivo – Jim Parsons, em participação menor, está bem – na hora de solucionar-se comicamente, o que não consegue. Uma qualidade é substituída por outra. O sorriso de Johnny Galecki ao ver o Batmóvel estacionado, de qualquer forma, é impagável, de uma sinceridade extrema. Para o futuro, fica o anseio pelo continuamento desse progresso nas relações amorosas e afetivas.

The Big Bang Theory – 12X03: The Procreation Calculation – EUA, 4 de outubro de 2018
Criação: Chuck Lorre e Bill Prady
Direção: Mark Cendrowski
Roteiro: Chuck Lorre, Tara Hernandez, Adam Faberman
Elenco: Johnny Galecki, Jim Parsons, Kaley Cuoco, Simon Helberg, Kunal Nayyar, Mayim Bialik, Melissa Rauch, Kevin Sussman, Lauren Lapkus, Rati Gupta
Duração: 20 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.