Crítica | The Big Bang Theory – 12X05: The Planetarium Collision

Contém spoilers.

O primeiro acerto do quinto episódio da décima-segunda temporada – e o melhor, até agora – é conseguir ser suficientemente hábil em trabalhar as duas tramas abertas, sem quebrar o interesse do espectador, mas, com as duas facetas abordadas, movimentá-lo, ainda mais divertidamente, de um ponto narrativo para o outro, engajando o público de maneira honesta pelo capítulo. As vertentes narrativas são relativas a problemáticas, por estarmos trabalhando com crises – uma, em uma amizade, e a outra, em um relacionamento amoroso. O episódio, de certa forma, investe em reiterações de sentimentos, mas reiterações necessárias e fortalecedoras dos vínculos existentes entre os personagens, que os espectadores, obviamente, já tanto amam. O começo de The Planetarium Collision, estabelecendo a premissa conflituosa entre Howard (Simon Helberg) e Rajesh (Kunal Nayyar), após uma apresentação, no planetário, do Dr. Koothrappali – rendendo comentários irônicos sobre o desinteresse atrelado ao segmento, com piadas quase sofríveis por parte do personagem – é dinâmico, sem perder tempo para estabelecer, diretamente, a reta a ser seguida pelos vinte minutos de duração do episódio.

Ao mesmo tempo, um ótimo confronto na relação entre Amy (Mayam Bialik) e Sheldon (Jim Parsons) é interessantemente disposto no enredo do episódio, sendo mais uma das inúmeras provocações feitas pelos roteiristas, colocando o casal para provar-se diante do público do seriado. Os dois podem realmente funcionar juntos? O problema é consideravelmente sério, no entanto, as consequências são irrelevantes, sendo, diferentemente de um capítulo essencial para o futuro, um episódio fechado para discutir por si só – e, na realidade, conseguir se suceder positivamente nas questões que aborda. As discussões em relação a interferência do homem no papel de uma mulher dentro da sociedade, por exemplo, são excelentissimamente abrangidas, caminhando de acordo com as personalidades dos personagens. Sheldon possui, de fato, uma ingenuidade – a cena do mansplaining -, mas não podemos entendê-la de uma maneira absolvedora, muito pelo contrário. O espaço é aberto, portanto, para uma resolução em um âmbito improvável, todavia, crível dentro da respectiva identificação  – mais uma vez, a ingenuidade. O gracioso sonho com o Professor Próton (Bob Newhart) guarda, consequentemente, as poucas referências nerds do episódio.

The Big Bang Theory é uma série enormemente referencial. Muitas das piadas necessitam de um conhecimento secundário por parte do espectador, mesmo que nunca tão aprofundado. A comédia, aqui, diferentemente da de costume, não se baseia nessa muleta, importante em muitos casos, mas não relevante o suficiente para substituir uma abstenção do cômico mais cru. A comédia, nesse episódio, referencia, de certa forma, a própria série, como é o caso do relacionamento entre Raj e Howard, diante de uma conclusão engraçada e sentimental, caminhando para um piegas que ri de si mesmo, mas não se deteriora completamente. A reação de Leonard evidencia o sentimento no diálogo entre os personagens, sendo um complemento ao comentário sarcástico de Bernadette. O episódio, contudo, perde-se um pouco em sua metade, como na cena dentro do apartamento de Leonard e Penny, mas intercala as tramas, em contrapartida, com uma montagem fluida e um senso cômico apurado, especialmente no caso de Melissa Rauch, muito engraçada nas conotações sexuais que atribui a particularidades em cena. The Planetarium Collision é exatamente o que a temporada conclusiva da série pode explorar mais, para não se estafar na mesma fórmula de anos e anos.

The Big Bang Theory – 12X05: The Planetarium Collision – EUA, 18 de outubro de 2018
Criação: Chuck Lorre e Bill Prady
Direção: Mark Cendrowski
Roteiro: Eric Kaplan, Andy Gordon, Alex Ayers
Elenco: Johnny Galecki, Jim Parsons, Kaley Cuoco, Simon Helberg, Kunal Nayyar, Mayim Bialik, Melissa Rauch, Bob Newhart
Duração: 20 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.