Crítica | The Big Bang Theory – 12X07: The Grant Allocation Derivation

Contém spoilers.

Ao visar o seu próprio funcionamento como mais um ótimo capítulo da série, interessante passatempo, um dos grandes truques do episódio The Grant Allocation Derivation, da décima-segunda temporada de The Big Bang Theory, é encontrar como um dos seus cernes – são duas tramas paralelas – uma solução naturalmente cômica. Howard (Simon Helberg) construindo a casa de bonecas, ao lado dos seus amigos – menos Sheldon (Jim Parsons), obviamente – movimenta o interesse humorístico do episódio, nesse contraste entre a aparente utilidade da criação, destinada às crianças, com a verdadeira utilização dela, destinada aos adultos. Uma veracidade aos sentimentos propostos – o cansaço de uma rotina -, é enaltecido, assim como a piada por si só. Bernadette (Melissa Rauch) chega em casa, porém, antes de abrir a porta, escuta os barulhos infernais inexoravelmente consequentes à criação árdua de crianças. Um corte rápido – a quebra de expectativa – e somos levados à casa de brinquedo, transformada em descanso para mentes perturbadas com coisas mundanas. O vinho, assim com outras pessoas, surgirão depois para preencher a brincadeira e a seriedade.

A casa já é pequena demais para uma criatura com problemas, agora, imagina para três. Penny (Kaley Cuoco), enquanto o seu marido está tomando decisões firmes e fortes, encanta-se fortemente pelo cientista – gerando humor -, porém, quando Leonard (Johnny Galecki) começa a entrar em um mar de dúvidas, em razão da sua própria trama específica, decide optar por uma noite de descanso na casa de brinquedo, juntamente a Bernadette, revelando o seu plano infalível, super secreto, impossível de ser desvendado por Howard. A justificativa para a participação da personagem nessa brincadeira, contudo, é consideravelmente mediana, em decorrência dos seus pensamentos serem frutos de uma insatisfação incoerente. Leonard, em determinada cena, apenas comenta a crise em que está envolvido, porém, não aparenta ser a crise em si. Qual o estresse em questão? O episódio se esquece disso. A quebra de expectativa, ao mesmo tempo, é mais previsível que a primeira. Já o deslocamento de Amy (Mayim Bialik), diferentemente, querendo ser parte do clube, mostra-se tanto adequado quanto engraçado.

O clube secreto é realmente divertido, embora seja deveras pontual, secundário. A segunda proposição de premissa, portanto, é muito mais relevante aqui, estendendo-se por mais tempo e conseguindo, em primeira instância, se explicar com competência narrativamente, em um jogo quase perverso de um poder que ninguém quer ter em mãos, contrário a uma ótica inicial sobre ambição pela ambição, subvertida. Os diálogos entre Leonard e o Presidente Siebert (Joshua Malina) são afiadíssimos, promovendo o desinteresse do chefe do protagonista nos sentimentos de outras pessoas, uma pauta do episódio. O interesse é em si mesmo, condição que Joshua Malina transmite certeiramente. Os melhores momentos sobram para Sheldon, transportando suas características não-empáticas para o seu amigo e permitindo uma resolução interessantíssima. A conclusão do arco da casa de brinquedo/clube secreto também comprova um entendimento da série sobre os seus personagens, desistindo de respostas óbvias – a descoberta do clube pelos namorados/maridos – para sacar da manga uma compreensão ambivalente, cômica e “dramática”.

The Big Bang Theory – 12X07: The Grant Allocation Derivation – EUA, 1 de novembro de 2018
Criação: Chuck Lorre e Bill Prady
Direção: Mark Cendrowski
Roteiro: Eric Kaplan, Anthony Del Broccolo, Alex Yonks
Elenco: Johnny Galecki, Jim Parsons, Kaley Cuoco, Simon Helberg, Kunal Nayyar, Mayim Bialik, Melissa Rauch, Joshua Malina
Duração: 20 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.