Crítica | The Big Bang Theory – 12X08: The Consummation Deviation

Contém spoilers.

The Consummation Deviation explora a natureza de relacionamentos que devem ser consumados – em casos, porém, bastante diferentes. O mais óbvio deles, em extremo realce, cerne do episódio, é a decisão de Anu (Rati Gupta) em praticar coito com Raj (Kunal Nayyar), seu futuro marido, ideia que desarma completamente o personagem, ansioso para o momento e temeroso com as consequências. A premissa, portanto, tem a ingênua proposta de fortalecimento de vínculos, porque, para a futura esposa de Raj, é interessante para ambos saberem como o par se comporta durante o intercurso. The Big Bang Theory não possui vergonha alguma em buscar características do seu passado para reacender dramas e, consequentemente, retomar piadas, as quais, depois de tanto tempo, funcionam pela novidade atrelada. Como um passeio derradeiro por uma montanha russa que já passeamos, a nostalgia por si mesmo é, mais uma vez, enfocada.

As primeiras vezes é explorada em outra situação, consideravelmente menor, envolvendo o casal principal da série. Leonard (Johnny Galecki) e Penny (Kaley Cuoco), contudo, não possuem espaço para desenvolver uma construção cômica que, no final das contas, mostra ser a piada por si só, não um pretexto para drama, como aconteceu em outros casos – por exemplo, a questão do primeiro beijo entre o casal, em episódios passados. Já ao trazer consigo, novamente, a incapacidade de fala em frente a mulheres, Kunal Nayyar captura perfeitamente o desespero e surpresa quando, de repente, não emite mais nenhum som a sua futura esposa. A confusão é engraçadíssima. A situação de humor envolvendo Howard (Simon Helberg), porém, funciona mais claramente, porque o personagem é trabalhado na tangente de um outro arco, tão interessante quanto o principal, sem criar um próprio vácuo de narrativa mais elaborada.

Sheldon (Jim Parsons), paralelamente a essa situação, também decide consumar ainda mais a sua relação com Amy (Mayim Bialik), mas não sexualmente, algo que já foi feito, contudo, aproximando-se dos seus sogros, personagens que ganharam relevância no primeiro episódio dessa última temporada, retornando, agora, para interagir verdadeiramente com o co-protagonista do seriado. O espaço para comédia é delicioso, porque o personagem está realmente interessado no convívio, coisa que, na maior parte dos casos, não acontece. O interesse de Larry (Teller) nas minúcias da mágica promovida por Howard – sua colaboração para a vertente humorística do episódio -, ademais, também é uma metalinguagem, em decorrência do intérprete ser realmente um conhecido ilusionista. As similaridades de Sheldon com a mãe de Amy, interpretada por Kathy Batesm, por fim, coroam o episódio com mais graça justificada.

The Big Bang Theory – 12X08: The Consummation Deviation – EUA, 8 de novembro de 2018
Criação: Chuck Lorre e Bill Prady
Direção: Mark Cendrowski
Roteiro: Chuck Lorre, Steve Holland, Maria Ferrari
Elenco: Johnny Galecki, Jim Parsons, Kaley Cuoco, Simon Helberg, Kunal Nayyar, Mayim Bialik, Melissa Rauch, Kathy Batesm, Teller, Rati Gupta
Duração: 20 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.