Crítica | Brave And The Bold #54: Os Mil e um Perigos do Senhor Ciclone [Primeira Aparição: Futuros Jovens Titãs]

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estrelas 4

Os Jovens Titãs com certeza são um dos grupos mais interessantes entre os milhares de super grupos existentes, seja no universo DC ou Marvel. A equipe formada apenas pelos ajudantes (vulgos sidekicks) dos grandes super-heróis oferece uma abordagem bastante cativante, onde esses personagens são reunidos e representados com importância enorme. E o que melhor do que super-heróis jovens pra conseguir o carisma do público jovem?

Antes de receber o seu título próprio em junho de 1965, o grupo já pode ser considerado formado na edição #54 da revista The Brave And The Bold, de julho de 1964. Na história, os adolescentes da cidade de Hatton Corners se rebelam contra seus pais pedindo por um novo clube. Os jovens então chamam Robin, Kid Flash e Aqualad para os apoiarem. Quando chegam lá, os três heróis percebem que os adolescentes desaparecem da cidade, sequestrados por um estranho vilão, Mr. Twister, que insiste que os débitos que a cidade tem com ele sejam pagos.

Temos aqui uma das melhores histórias da Era de Prata da DC Comics, não apenas por sua abordagem inédita de uma equipe de sidekicks, mas pelo roteiro e história bastante interessante e de direto foco no público jovem. O leitor pode ver aqui um uso muito bem feito do potencial de cada um: a velocidade de Kid Flash, o controle de seres marinhos por Aqualad e a liderança de Robin, que já mostra sua força como líder do que viria a ser chamado Jovens Titãs e, em seguida, Novos Titãs. E há, ainda por cima, um antagonista marcante: Mr. Twister que tem lá suas motivações bem construídas (típica de HQ da época) e um poder bem utilizado, com seu cajado que lhe permite controlar diversas coisas e entre elas criar redemoinhos (o que dá nome ao personagem).

É assim que The Brave And The Bold #54 define um ponto crucial no universo DC com aquela que pode ser chamada de primeira formação dos Jovens Titãs, ainda que o termo não seja usado na história, mas apenas um ano depois. Com uma história carismática, a arte brilhante por Bruno Premiani e a paleta de cores colorida e juvenil, temos um excelente início para o grupo de “super amigos” dos ajudantes.

The Brave And The Bold #54
Roteiro: Bob Haney
Arte: Bruno Premiani
Arte-final: Charles Paris
Capa: Bruno Premiani
Editora (nos EUA): DC Comics (julho de 1964)
Editoria: George Kashdan
24 páginas

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, cantor de chuveiro e tocador de guitarra de ar. Seja através dos versos ácidos de Kendrick Lamar, a atitude de Bruce Springsteen, ou a honestidade de Tim Maia, por seus fones de ouvido ecoam ondas indistinguíveis. Vai do sangue de Tarantino à sutileza de Miyazaki, viajando de uma galáxia muito, muito distante até Nárnia. Desbravador de podcasts e amante de indie games, segue a vida com um senso de humor peculiar e a certeza de que tudo passa - menos os memes.