Crítica | The Captains

estrelas 3,5
Não há como falarmos de Star Trek sem  comentarmos sobre a figura do capitão, sendo ele Kirk, Picard ou qualquer outro. A imagem de liderança que esse personagem possui transcende as barreiras da ficção. Ser um capitão não é apenas interpretar um grande papel, estar ali significa carregar a responsabilidade de ser uma das colunas principais de todo o universo criado por Gene Roddenberry.

O documentário The Captains, relata a trajetória de todos os líderes que a Enterprise, e todas as outras naves da frota já tiveram e não existe melhor pessoa para a função de mestre de cerimônias do longa que o próprio William Shatner. O primeiro capitão de todos é o responsável por ser o narrador, entrevistador, diretor e roteirista de todo o documentário.

Shatner faz muito bem a maioria dessas funções, como narrador o ator escolhe o ritmo perfeito. Toda a voz em off lembra a célebre abertura dos episódios da série clássica, as vezes ficamos esperando William dizer “diário de bordo do capitão, data estelar…”. Não colocar outro narrador foi uma escolha muito coerente de toda a produção do filme.

Já nas entrevistas, Shatner falha um pouco, balancear os papéis fica muito difícil, como ele é o primeiro capitão que vimos, o seu protagonismo é quase que inevitável. Então acabamos vendo conversas que William não dá espaço para o entrevistado relatar. Tudo isso traz um grande incômodo para o espectador, que vê uma guerra de palavras em muitos momentos do documentário.

Escolher Kirk como o entrevistador foi um erro, mas a forma como os relatos foram distribuídos é um grande acerto. Vemos os entrevistados relatando em um primeiro momento como escolheram virar atores e atrizes. Depois vemos como se sentiram ao receber a proposta de interpretar um capitão.

Os entrevistados são Patrick Stewart (Picard), Avery Brooks (Benjamin Sisko), Kate Mulgrew (Kathryn Janeway), Scott Bakula (Jonathan Archer) e até o mais novo da turma, Chris Pine (Kirk). Como o documentário tem um foco em poucas pessoas, fica mais fácil de explorar as histórias dos entrevistados. Todos têm uma boa distribuição de tempo em tela, com exceção de Pine, que é o que tem menos tempo, talvez pela sua apertada agenda. Conseguimos também entender o “drama” de todos, mesmo que a entrevista perca o foco por alguns momentos.

Até na sua falta de tempo Chris Pine é bem explorado, William comenta algo muito interessante, começando a entrevista com ” você sou eu, 50 anos atrás”. Isso soa um pouco deprimente para o ator, porém vemos no final que Shatner está muito bem conformado e feliz com sua atual posição.

O documentário explora assuntos como: qual foi o desafio que os atores tiveram para interpretar um papel principal em Star Trek. Todos os capitães concordam que, interpretar um líder da federação não é nada fácil, muitos sacrifícios são tomados, não apenas na ficção, mas principalmente na vida real. Os intérpretes em sua totalidade tiveram diversos problemas depois de assumir o papel, por não terem tempo para suas famílias, provocando até alguns desmanches de casamento.

Depois de sua primeira hora, o documentário se transforma em um relato de William Shatner. Isso era esperado, como Kirk tem o papel principal na produção, ele acaba puxando a sardinha para o seu lado. Mas isso está longe de ser algo injusto, William é sim uma das colunas principais de toda a saga Star Trek. A sua leitura de capitão interferiu na forma que os outros iriam lidar com o personagem, mesmo que você prefira a Nova Geração, deve-se assumir que Kirk é sim o capitão mais importante de todos.

Ser a estrela principal da série e do documentário não parece ser um problema para Shatner. O ator se comporta como se fosse um verdadeiro embaixador da saga em todas as convenções. Ele age com um presidente de Star Trek. E não encare isso como uma crítica à pessoa dele. Com toda a certeza o ator faz parte, junto com Leonard Nimoy e muitos outros, do motor principal dessa grande nave.

Um dos principais defeitos do filme é seu tempo, pois temos um documentário de quase 100 minutos. Todo o apelo da obra fica cansativo quando entramos no terceiro ato, quando vemos uma montagem que tenta emocionar o público de forma tão grosseira, que chega a agredir a audiência. Talvez se o diretor focasse todo o último ato do longa nessa nova fase de Star Trek, mostrando o retorno de Kirk, agora interpretado por Chris Pine, os últimos minutos poderiam ser mais “assistíveis”.

The Captains possui erros em seu ritmo e principalmente em suas entrevistas. Todavia o longa foi produzido com a intenção de relatar a grande aventura que é interpretar um capitão de nave estelar, e nesse alvo o longa acerta em cheio. Trata-se de uma obra que me fez sentir como se estivesse em um episódio da série que teria todos os grandes líderes da federação à bordo da sala de comandos da Enterprise, conversado sobre como foi bom explorar mundos desconhecidos.

The Captains — EUA, 2011
Direção: Willian Shatner
Roteiro: Willian Shatner
Com: William Shatner, Patrick Stewart, Avery Brooks, Kate Mulgrew, Scott Bakula, Chris Pine, Christopher Plummer, Rene Auberjonois
Duração: 96 minutos.
PEDRO CUNHA . . . Com corpo e alma de Hobbit, sou um eterno Padawan e aprendiz. Amigo dos ursos, dos elfos e das águias. Nativo de Krypton e apreciador da sétima, nona e de TODAS as artes. Quando tentado sempre rebato; "sou um Jedi, como meu pai antes de mim".