Crítica | The Companion Chronicles – 3ª Temporada (#1 a 3)

Temos aqui os textos para os 3 primeiros episódios da 3ª Temporada da série The Companion Chronicles: Here There Be Monsters (3X01), The Great Space Elevator (3X02) e The Doll of Death (3X03). Eles foram lançados pela Big Finish entre julho e setembro de 2008 e apresentam aventuras com os companions do 1º (Susan, Ian e Barbara), 2º (Jamie e Victoria) e 3º (Jo) Doutores.
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Here There Be Monsters

3X01 – Season Premiere
estrelas 4

heretherebemonsters_plano-critico

Equipe: 1º Doutor, Susan, Ian, Barbara
Espaço: Planeta desconhecido, sob ação da Nevermore, uma Nave Terráquea de Benchmarking
Tempo: 4500 (?)

Após The Reign of Terror, Susan enfim parecia ter se dado conta de que chegava o momento de se afastar do Doutor. Nós sabemos que o rompimento do laço não se deu por iniciativa dela em The Dalek Invasion of Earth, mas era algo que iria acontecer mais dia menos dia e There Here Be Monsters é uma prova disso. A trama se passa em um planeta não nomeado, em um momento de exploração espacial dos humanos, que criaram uma nave-planta como parte de uma solitária expedição científica com fins de golpear a fábrica do universo (ou espaço-tempo) e encontrar saídas, entradas e outras possibilidades para nova civilização. Ou seja, algo tipicamente humano, destruir para construir em cima.

Acontece que esses golpes são capazes de fazer vir “monstros” de outras dimensões e é dessa conclusão que vem o título do episódio. O roteiro de Andy Lane me lembrou um pouco o episódio com Liz Shaw, na 1ª Temporada das Companion Chronicles, só que com maior qualidade. Susan está tendo uma conversa (ou imaginando ter) com a criatura do “universo negro” ou do “outro universo” que havia escapado para o planeta onde estava a nave Nevermore e seu capitão-planta Rostrum. A ligação entre os momentos é feita com bastante coerência e, apesar de a personificação que Carole Ann Ford faz do Doutor (hummm…?) irrite um pouco, ela convence. Fora as onomatopeias, seu trabalho é muito bem feito.

É interessante e um pouco triste sabermos que Susan nunca disse ao esposo que não era humana ou que ela seja assombrada e tenha pesadelos com o que aconteceu nessa aventura. Chama a atenção o fato de a companion ser infinitamente mais interessante no Universo Expandido da série do que nos arcos de TV, tanto em ações quanto em interpretação da atriz Carole Ann Ford, embora isso tenha uma justificativa óbvia: o tempo e a experiência.

Here There Be Monsters – The Companion Chronicles 3X01 (Reino Unido, julho de 2008)
Direção:
 Lisa Bowerman
Roteiro: Andy Lane
Elenco: Carole Ann Ford, Stephen Hancock
Duração: 79 min.

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The Great Space Elevator

3X02
estrelas 2
thegreatspaceelevator

Equipe: 2º Doutor, Jamie, Victoria
Espaço: Sumatra / Estação Celeste
Tempo: c. 2044

Jonathan Morris decepciona com o roteiro para esta aventura que no início prometia muita, muita coisa. O ponto de vista aqui é o de Victoria, que já em idade avançada, após casar-se, ser mãe e estar às portas de se tornar avó, lembra-se de uma aventura com o Doutor, quando voltavam da perturbadora passagem por Telos em The Tomb of the Cybermen. No futuro, a TARDIS se materializa na ilha de Sumatra, Indonésia, e o Doutor, Jamie e Victoria são imediatamente expostos a uma ameaça nada convincente e que tem um modo de ação incompreensível, além de mal colocado dentro da trama, afastando completamente o espectador.

Diferente da maioria dos episódios das Companion Chronicles até agora, o tempo dessa aventura pareceu arrastar-se como nunca, talvez pela voz suave da atriz Deborah Watling, que faz um bom trabalho de interpretação mas não carrega o timbre ou emposta a voz (mesmo podendo cair em caricaturas de seus antigos companheiros de viagem, o que não é um problema, já que estamos falando do ponto de vista dela para o que aconteceu), possivelmente também contando como causa da lentidão da história. Mas o grande empecilho é mesmo o roteiro de Jonathan Morris, que, ao tentar incorporar a cadência de eventos da era do 2º Doutor (o arco realmente nos lembra Fury From the Deep ou The Seeds of Death), exagera na linha de “problema atrás de problema” e faz um trabalho cheio de nós, fechado demais e si mesmo e com personagens que começam bem, mas terminam sem nenhum carisma.

O que nos sobra, além da produção e do bom trabalho de Nigel Fairs na direção, é a ideia geral do episódio, que nos localiza no futuro da Terra onde existe esse gigantesco elevador entre a crosta e uma Estação Celeste, e o uso da geografia do Oceano Índico para criar certas resoluções no final. Embora seja apenas um meio para alcançar um objeto já falho, não deixa de ser interessante. Uma das poucas coisas que se salva aqui.

The Great Space Elevator – The Companion Chronicles 3X02 (Reino Unido, agosto de 2008)
Direção:
 Nigel Fairs
Roteiro: Jonathan Morris
Elenco: Deborah Watling, Helen Goldwyn
Duração:  79 min.

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The Doll of Death

3X03
estrelas 3,5
dollofdeath

Equipe: 3º Doutor, Jo
Espaço: Londres
Tempo: Anos 1970 e 2000

Marc Platt escreve em The Doll of Death um um dos roteiros mais complicados de se entender, ao mesmo tempo em que a história principal se desenrola. Ao final da trama, tudo se ajusta, mas o autor vai adicionando camadas de tempo reverso e variantes temporais que deixam o espectador com dor de cabeça, tentando entender o que está acontecendo. Há também um grave problema com o estabelecimento da personagem principal, a senhorita Killebrew, e em sua relação com os outros personagens, especialmente aquele que dá início a toda a história, o professor Harold Saunders.

O ponto de vista é o de Jo Grant, mas o Brigadeiro Lethbridge-Stewart, Benton e Yates também aparecem na história, com o pessoal da UNIT tendo um papel importante na resolução do caso da boneca alien. Em alguns poucos momentos eu tive lembranças de Sock Pig, uma história com o 5º Doutor, mas existe elementos de filmes de terror nesse episódio que foge ao surrealismo, tristeza e leveza da minha lembrança. The Doll of Death é uma história assustadora e narrativamente complexa, exigindo tanto paciência quanto atenção do público. Talvez essa disposição intricada dos fatos atrapalhe uma melhor apreciação da obra, mas isso não significa que ela seja ininteligível ou ruim.

Katy Manning volta ao papel de Jo desde a sua partida da série em The Green Death. Sua interpretação é delicada, mas ativa e entretém o público do começo ao fim, diferente da situação que tivemos no episódio anterior, The Great Space Elevator. Em par com a atriz, a direção de Lisa Bowerman é eficiente e não poupou esforços para dar melhor voz à loucura temporal de Marc Platt, o que acabou sendo uma faca de dois gumes, como podem observar.

The Doll of Death é um daqueles episódios que não devemos indicar para um tipo de pessoas, nesse caso, para quem tem medo de bonecas. Ou, só para sacanear, para quem gosta de ursinhos de pelúcia. Porque é certeza que ninguém mais vai ver nem uma coisa nem outra com os mesmos olhos depois de ouvir esse episódio.

The Doll of Death – The Companion Chronicles 3X03 (Reino Unido, setembro de 2008)
Direção:
 Lisa Bowerman
Roteiro: Marc Platt
Elenco: Katy Manning, Jane Goddard
Duração:  min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.