Crítica | “The Division Bell” – Pink Floyd

estrelas 5,0

Há 20 anos atrás, uma banda inglesa que já tinha conquistado o mundo se despedia com seu último álbum de estúdio. Em uma década marcada pelo grunge e pelo advento de um rock mais alternativo, o Pink Floyd lançava uma obra-prima que seguia o tradicional rock progressivo, mas com pitadas de melodias mais voltadas para o mercado. The Division Bell é o álbum mais comercial da banda e, ao mesmo tempo, um dos maiores destaques da discografia.

Sim, cada integrante tem sua importância no disco, mas se fosse dito que esse era um álbum solo da carreira de David Gilmour, não seria muita surpresa. O guitarrista produziu o disco, canta praticamente todas as canções, criou quase todas composições, além das letras que, em sua maioria, foram escritas em parceria com sua esposa, Polly Samson.

A comunicação é o grande universo que o disco tenta se aprofundar, uma perspectiva bem ampla onde o grupo se aventura em diferentes e complexas histórias. The Division Bell (O Sino da Divisão) é o nome de um sino das sedes do parlamento inglês, um instrumento que é tocado sempre que há divergência de opiniões entre os parlamentares. Entendeu a ideia?

O álbum preza muito por uma coisa: melodia. Até arranjos bem progressivos como de Cluster One soam doces ao ouvido de qualquer um. Marooned é uma consolidação de conceitos. Só a guitarra de Gilmour fala nesse momento (e como fala!), em uma viagem nostálgica e melódica no mesmo nível de Shine On Your Crazy Diamond.

Temos também Wearing The Inside Out, uma saudosa faixa que lembra os tempos do The Dark Side Of The Moon. A faixa segue a mesma vibe de Us And Them, desde a presença e competência de Dick Parry como saxofonista em sua belíssima introdução, até o solo de guitarra melancólico feito por Gilmour. What Do You Want From Me Take It Back pegam o melhor do rock alternativo e progressivo, colocam em uma caldeira e adicionam nela a dose necessária para excelentes e inesquecíveis refrões. High Hopes fecha o álbum ao som das batidas do sino do título. Uma letra complexa, uma duração de 8 minutos e um clima dramático nas notas de piano são algumas das características da faixa.

The Division Bell parece trazer sentimentos únicos para aqueles que o escutam. Parece estranho, mas possui melodias que passam uma sensação de saudade, não só do que já vivemos, mas do que ainda podemos viver. Em outras palavras, o Pink Floyd achou nesse álbum a dose necessária para agradar quase qualquer ouvinte, sem usar muito psicodelismo ou excessividade de rock progressivo. O tipo de obra que prova a clássica afirmação de que a música é uma obra divina.

The Division Bell
Artista: Pink Floyd
País: Inglaterra
Lançamento: 28 de Março de 1994
Gravadora: EMI Records
Estilo: Rock Progressivo

HANDERSON ORNELAS. . . Estudante de engenharia química, fascinado por música, cinema e quadrinhos. Um fã de ficção científica e aventura que carrega seu fone de ouvido por todo lado e se emociona facilmente com música, principalmente com "The Dark Side Of The Moon". Enquanto não viaja pelo tempo e espaço em uma TARDIS, viaja pelo mundo dos livros e da música.