Crítica | The Dogs of Doom – Doctor Who Magazine #27 a 34

The Dogs of Doom

estrelas 3,5

Equipe: 4º Doutor, K9, Sharon
Espaço: TARDIS / Cargueiro-espacial ‘Spacehog’ / New Earth System / nave dos Daleks
Tempo: 2430
Linha do tempo do Doutor: Os eventos desta aventura acontecem entre os arcos The Horns of Nimon e The Leisure Hive (TV). No universo da Big Finish, estamos entre os áudios The Pyralis Effect e Waiting for Gadot.

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O Doutor está levando Sharon para casa, após a luta contra o assassino mais fofo do Universo, Beep the Meep, quando sem querer materializa a TARDIS em um cargueiro-espacial. O Time Lord ainda não sabe o que está acontecendo, mas o leitor sabe, e esse tipo de tragédia anunciada é um ponto bastante positivo do roteiro de Pat Mills e John Wagner neste arco, The Dogs of Doom. Em pouco tempo, o Doutor, Sharon e K9 entendem o perigo que os cerca e uma luta de proporções épicas dividida em várias etapas se inicia.

Primeiro temos os Werelok em cena, uma espécie de licantropo que está destruindo planetas do New Earth System. Não entendemos a real motivação dramática por trás desses ataques, a não ser o espírito bélico desses lobisomens, mas não nos perguntamos muito porque esperamos que mais informações sobre eles sejam reveladas. Isso acontece de forma parcial mais adiante, não do modo como lemos em The Star Beast, num flashback contando a origem e desenvolvimento da espécie vilã, mas temos uma noção clara do trabalho desses super soldados de grandes caninos.

A partir do momento que o Doutor se encontra com os Werelok e posteriormente fica amigo de um deles, Brill, uma parceria improvável se dá e um outro inimigo, a verdadeira “mente maligna” por trás de toda a destruição aparece: os Daleks. É interessante como o entendimento (no sentido científico e humano) do Doutor é um padrão para toda a série, desde os arcos do 1º Doutor até as produções do Universo Expandido. Esta é a sua verdadeira constância e funciona muito bem na presente história, tendo o componente físico e psicológico realmente ativo, com o Doutor se transformando temporariamente em um Werelok, após ter sido arranhado, e lutando contra si mesmo para conseguir um antídoto.

Sharon, que havia sido relativamente chata na história anterior, ganha espaço e é melhor desenvolvida aqui. Seu caráter um tanto inocente, a disposição e coragem para lutar e o espanto misto de curiosidade a tornam uma companion interessante, ao menos em comparação à sua primeira parceria com o Doutor. Aqui, o acerto em relação às personagens secundárias foi o peso que se deu a cada uma elas. Sharon tem seus momentos, também temos K9 em destaque e Joe Bean, Babe Roth e Brill também em ações interessantes e com boa exploração artística de Dave Gibbons, cujos desenhos para as naves especiais e as batalhas em terra (vejam as duas páginas aqui mostradas) são sensacionais.

O ponto menos interessante da trama vem, na verdade, de seu caráter de publicação periódico, tendo os ganchos para as edições seguintes sempre destacados e com um caminho que parece fluir unicamente com esse propósito. Nas primeiras partes isso é interessante (são 8 partes!) mas depois o leitor não gosta muito do modelo que, neste arco, se tornou mais evidente e um pouco mais irritante.

Ambientado em um futuro distante do desenvolvimento da humanidade, The Dogs of Doom tem um caráter de lutas espaciais e políticas muito interessantes, perdendo pontos apenas no modo de organização dos eventos no roteiro. Há um bem dosado tom de humor e o destaque para uma parceria e amizade improváveis que geram uma ótima atmosfera. Mesmo que uma parte ou outra da trama seja desenvolvida rápido demais, o leitor gosta do ritmo e da forma como as cosias se resolvem, trazendo o riso a partir da vontade de Sharon dando uma de espertinha e querendo permanecer mais tempo viajando com o Doutor. Mas convenhamos, quem pode culpá-la?

Doctor Who Magazine #27 a 34: The Dogs of Doom (Reino Unido, Abr – Jun, 1980)
Relançamento com histórias colorizadas:
 Doctor Who – Dave Gibbons Collection (Reino Unido, 2009) – Editora IDW
Roteiro: Pat Mills, John Wagner
Arte: Dave Gibbons
34 páginas

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.