Crítica | The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore

estrelas 4,5

O ano de 2011 representou o cinema de uma maneira metalinguística como há muito não se via. Não foram poucos os filmes que se debruçaram sobre o passado da Sétima Arte, colecionando referências assumidas ao primeiro cinema, ao cinema clássico e a dezenas de realizadores e mestres como Orson Welles, Billy Wilder, Fritz Lang, dentre tantos outros. A homenagem não foi restrita a apenas um campo e chegou ao universo das animações fazendo-se representar muito bem pelo curta-metragem The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, vencedor do Oscar de Melhor Curta de Animação.

A história cerca a destruição provocada pelo furacão Katrina, o gigante que arrasou áreas inteiras do sul da Flórida, Nova Orleans, Alabama, Mississípi e Louisiana em agosto de 2005. Mas os diretores William Joyce e Brandon Oldenburg não deram voz à tragédia, antes, procuraram lançar sobre ela a luz encontrada na literatura. Com referências ao furacão de O Mágico de Oz, o Mr. Morris Lessmore do título é arrastado para um mundo onde os livros são vivos e cada um deles oferece uma viagem à parte para o leitor que navegar em suas páginas.

A fantasia encontra a paixão pela leitura. Mr. Morris Lessmore, uma representação de Buster Keaton, passa a viver nesse mundo dos livros vivos e a destruição ao seu redor ganha cor, passa a ser um viés não tão essencial quanto a viagem maravilhosa que a literatura lhe proporciona, inclusive através do prazer de escrever. A mistura de técnicas como o 2D, as miniaturas e a animação computadorizada tornam o curta ainda mais interessante, com verdadeiros momentos de deslumbramento. O mesmo pode-se falar das cores em sua maior parte quentes, fortes, numa fotografia de luz dura que predomina e transparece um ar de constante felicidade.

Talvez por uma armadilha do roteiro – aquelas situações onde, dada a história, seria impossível não incorrer em um determinado erro – o curta-metragem se mostre aberto ou niilista demais. Talvez seja a minha propensão extrema à racionalização, mas algo em toda a fantasia do filme (considerando a abertura que a fantasia oferece) me pareceu vago, incompleto, superficial. Independente disso, The Fantastic Flying Books… é uma animação adorável, um louvor ao poder que os livros tem sobre nós e como podem nos mostrar novos mundos, caminhos e direções além daquelas a que estamos acostumados ou treinados a seguir.

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore (EUA, 2011)
Direção: Brandon Oldenburg, William Joyce
Roteiro: William Joyce
Duração: 15 min.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.