Crítica | The Flash – 2X01: The Man Who Saved Central City

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estrelas 2,5

Obs: Há spoilers. Leia sobre os episódios da temporada anterior, aqui.

Esclarecimentos iniciais:

Olá, galera. Quem escreve hoje é, como vocês deve ter percebido, o Ritter Fan e não a Melissa Andrade, responsável pela análise por episódio da 1ª temporada da série. Sei que estão com saudades da Melissa, mas ela está de férias, pelo que minha “intromissão”, aqui, é temporária, só por dois episódios. Ela me pediu que tomasse seu posto momentaneamente, mas, como não compartilho do entusiasmo dela por essa série, resolvi deixar bem clara minha posição antes de mergulhar no episódio de abertura da 2ª temporada.

The Flash, apesar de ter tido uma primeira temporada superior a qualquer coisa que sua “série irmã” Arrow, também da The CW, tenha mostrado ao longo de três temporadas progressivamente abissais, ainda foi apenas ok, o suficiente para não me deixar dormir vendo seus episódios. Mal comparando, a primeira temporada de The Flash é quase equivalente à primeira temporada de Agents of S.H.I.E.L.D., com uma quantidade irritante de “vilões da semana” e uma história maior perpassando todos os episódios envolvendo o passado e o futuro de Barry Allen. Enquanto a estrutura de vilão da semana só trouxe dois aspectos positivos, a presença recorrente de Wentworth “Prison Break” Miller como Capitão Frio e a coragem de se colocar um gorila falante gigante nas telinhas (Grodd), o arco narrativo por trás, envolvendo o Dr. Harrison Wells e o melhor artifício da ficção científica – a viagem no tempo – casado com o melhor artifício dos quadrinhos – o multiverso – conseguiu, pelo menos no meu livro, colocar a série um curto degrau acima da primeira temporada de S.H.I.E.L.D. Ponto para a The CW que soube conjungar aspectos camp com narrativa bem construída, algo que o mesmo canal não soube fazer com Arrow.

Claro que, do lado negativo, o amor platônico entre Barry e Iris e o triângulo formado pela amor dela por Eddie e toda a estrutura “Barrados no Baile” que isso trouxe é de revirar os olhos e clicar no fast forward, mas, quando lembro do show de horrores que é Arrow nesse quesito, até fiquei feliz com o que vi em The Flash. Em resumo, daria 3,5 estrelas para a primeira temporada da série.

O episódio inaugural da 2ª temporada:

Esclarecida minha posição em relação a The Flash, confesso que fique desapontado com The Man Who Saved Central City. Não que ele seja ruim, vejam bem, mas sim por ele ser apenas, digamos, morno, mediano demais (ou será que “mediano demais” é uma contradição em termos?). Definitivamente não era o que se poderia esperar considerando o cliffhanger gigantesco de Fast Enough, com um buraco negro (ou singularidade) sendo aberto nos céus de Central City e Flash correndo para o perigo.

Não que a estratégia de evitar a abordagem direta do incidente tenha sido equivocada. Considero até acertada, pois cria um suspense inteligente que aos poucos seria revelado ao longo do episódio. Acontece que esse “aos poucos” não foi bem assim e em apenas um rápido flashback, aprendemos o que aconteceu e não poderia ser mais banal: o Flash correu, Nuclear explodiu e tudo ficou como antes, como se nada tivesse acontecido. Ah, claro, Ronnie, a metade jovem de Nuclear, morreu novamente no processo, mas só o mais inocente dos espectadores realmente acreditará que esse seus status permanecerá assim por muito mais tempo. Vejam bem: uma singularidade foi debelada como se fosse um tornado comum, tudo para resolver uma ponta solta interessantíssima da primeira temporada que, obviamente, será tratada da maneira mais “a conta gotas” possível na 2ª temporada, como deixa clara a chegada surpresa de Jay Garrick (Teddy Sears) no último segundo do episódio. Para quem não sabe, Garrick, nos quadrinhos, é o Flash original, aquele que usa o capacete de metal com asas que vimos ser jogado no chão ao final da temporada anterior. Ele vem provavelmente de outro universo para anunciar que Central City e o mundo todo estão em perigo, já prenunciando uma espécie de versão televisiva de Crise nas Infinitas Terras ou Ponto de Ignição ou uma mistura das duas sagas dos quadrinhos.

Mas, voltando ao episódio, o que vemos é uma mudança de situação. Flash, agora, trabalha sozinho, por não querer mais arriscar a vida de seus amigos que compõem a Equipe Flash: Cisco, Caitlin, Iris, Martin e Joe (ou seja, todo mundo que não é vilão…). Com as “mortes” de Eddie e de Ronnie, ele quer agir solo. O grande problema é que é mais do que óbvio que isso não pode durar muito e esse artifício narrativo que, uma vez inserido na história, deveria ao menos ser trabalhado com cadência ao longo de alguns episódios, cai por terra em 20 minutos, logo quando o primeiro “vilão da semana” novo aparece, o Esmaga Átomos, meta-humano que, ao absorver radiação, fica cada vez mais forte e maior e enche Allen de bordoadas e que obviamente acaba derrotado com “trabalho de equipe”. Também aprendemos que a cidade ficou muito grata ao Flash por salvar o dia e criou o Dia do Flash para comemorar seu heroísmo, algo que Barry reluta em aceitar, por razões óbvias.

O fechamento do arco “do pai de Barry” também me causou espécie pela simplificação da questão e pela solução dada pelo roteiro. Em primeiro lugar, como em um piscar de olhos, em uma elipse que poderia ter trabalhado pouco melhor a discussão, sem que a montagem cortasse do ponto A ao ponto B imediatamente, sem cerimônias, vemos que Henry é libertado da prisão com a confissão gravada de Eobard/Dr. Harrison. Ok, esse é o menor dos problemas. O difícil foi engolir o que acontece literalmente no mesmo dia em que ele é libertado depois de ficar 15 anos preso por um crime que não cometeu: o roteiro o retira da história, com um diálogo de 45 segundos, em que Henry diz ao filho que precisa ir embora, pois sua presença, ali, o impediria de se desenvolver como o herói que pode se tornar. Desculpem-me o francês, mas WTF??? Que desculpa esfarrapada e escalafobética é essa? Ok, não querem Henry por ali, pois a capacidade máxima do S.T.A.R. Labs já foi alcançada, então arrumem uma desculpa melhor; criem, com a montagem, uma passagem de tempo mais razoável em que ele se sinta depressivo e sozinho ou sei-lá-o-que, mas dizer que sua presença é um obstáculo para o filho e o filho simplesmente aceitar isso sem mais nem menos é muita preguiça cerebral. Espero – realmente espero – que a saída de Henry seja depois retconada com uma explicação mais sinistra sobre o passado dele, de Harrison Wells e de sua falecida esposa.

Fica um pouco claro que a estrutura da primeira temporada permanecerá, com Garrick talvez substituindo, de certa forma, Harrison Wells e com o Professor Zoom (nos quadrinhos, ele é Eobard Thawne, também o segundo Flash Reverso – quero ver como isso ficará na série), apenas mencionado aqui, aparecendo em breve para ser o grande vilão por trás de todos os males do mundo. Tenho esperanças, porém, que haja mais coesão narrativa e menos enrolação, algo que reputo difícil ser alcançado em uma série de mais de 20 episódios por temporada, mas que Agents of S.H.I.E.L.D., já em sua segunda temporada, soube explorar bem, aprendendo com seus erros.

Claro que ainda é muito cedo para um veredito, mas esse começo morno de The Flash não é um testemunho muito positivo do que virá para frente. Se, porém, o multiverso for realmente explorado, como a presença de Garrick parece prometer, então pode ser que tenhamos uma grande – e corajosa – temporada pela frente.

The Flash 2X01: The Man Who Saved Central City (EUA, 2015)
Showrunners: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti
Direção: Ralph Hemecker
Roteiro: Gabrielle Stanton, Andrew Kreisberg
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Rick Cosnett, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Robbie Amell, Wentworth Miller, Ciara Renee, Victor Garber, Matt Letscher, Michelle Harrison, Patrick Sabongui, John Wesley Shipp, Logan Williams, Teddy Sears
Duração: 43 min

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.