Crítica | The Flash – 2X03: Family of Rogues

the flash family of rogues plano critico

estrelas 2,5

Obs: Há spoilers. Leia sobre os episódios da temporada anterior, aqui.

Family of Rogues já começa “em vantagem” na comparação com The Man Who Saved Central City e Flash of Two Worlds por trazer de volta Wentworth ‘Prison Break‘ Miller no papel de Leonard Snart, o Capitão Frio, vilão recorrente na série e de longe o mais interessante depois de Harrison Wells. E essa vantagem é amplificada ainda mais com a introdução de Lewis Snart na história, pai de Leonard e Lisa, vivido por ninguém menos do que Michael ‘Scanners‘ Ironside.

Mesmo sendo um capítulo “solto”, a dinâmica entre Barry e Leonard e entre Leonard e Lewis, além da atração entre Lisa e Cisco tornam esse o melhor episódio dessa segunda temporada até agora, o que, infelizmente, não quer dizer muita coisa. Afinal, os episódios anteriores, apesar de trabalharem com a introdução efetiva do multiverso na série, peca por serem apenas repetições da fórmula de “vilão da semana”. Não se pode dizer que Family of Rogues é mais um episódio dessa natureza, pelo fato de o “vilão da semana” ser abordado de maneira mais orgânica e relevante, com algum aprofundamento na caracterização dos personagens.

O que quero dizer é que, apesar de Lewis ser morto ao final (uma pena, aliás!), nós entendemos o drama e sofremos pelos envolvidos. A crueldade daquele homem fica palpável com a terrível história da infância de Lisa e Leonard que continua no presente com o pai ameaçando matar a própria filha para forçar o filho a ajudá-lo no roubo de diamantes. O episódio também serve como mais um que aos poucos transforma o Capitão Frio em “mocinho” – algo que reprovo fortemente – já que ele participará da série spin-off Legends of Tomorrow.

Mas toda essa dinâmica interessante e que altera um pouco a mesmice que vimos anteriormente quase cai por terra completamente com o irritante “dramalhão mexicano” representado pela volta da esposa de Joe, em um retcon safado de um roteiro mequetrefe. Lágrimas para lá, soluços para cá e a vida de Joe, que mentira para Iris sobre a mãe, dizendo que ela havia morrido, não muda em absolutamente nada. Talvez essa jogada tenha relação com a já anunciada chegada de Wally West – vivido por Keiynan Lonsdale – ao elenco, mas ela não convence aqui, parecendo forçada, com uma resolução apressada e simplista demais.

Na trama maior, vemos Jay Garrick usando seus dotes de cientista para tentar abrir o rasgo dimensional localizado dentro do S.T.A.R. Labs. Ele quer voltar para sua Terra (Terra-2) e estuda uma forma de abrir a fenda. Aparentemente, tanto Cisco como Caitlin, gênios de plantão, não servem para nada e saem completamente da jogada, deixando Jay praticamente sozinho para resolver o quebra-cabeças, algo que ele faz magicamente em pouquíssimo tempo mencionando algumas palavras pseudo-científicas no processo para legitimá-lo (teria sido mais honesto soltar um “abracadabra!”). É como ver um roteiro escrito por uma criança de nove anos brincando com os “bonequinhos” dos heróis. E o pior de tudo é Jay ser demovido da ideia de voltar para sua Terra apenas com duas ou três palavras – e um olhar de cadelinha perdida – de Caitlin, que explica que sua presença ali é vital. E justo na hora que nós poderíamos ter ao menos outro vislumbre da Terra-2.

Ainda falando da fenda, há muito havia tentado parar de entender como é que o S.T.A.R. Labs é o lugar mais fácil de se entrar do mundo. Qualquer transeunte faz o que quiser por ali sem ninguém perceber e eu já estava conformado com a situação. Mas, agora, finalmente veio a explicação: Barry, Cisco, Caitlin, o Dr. Stein e agora Jay são completos imbecis. Afinal, como aceitar que eles deixariam uma fenda interdimensional aberta, sem qualquer vigilância, especialmente sabendo que, do outro lado, há o “tremeliquento” Zoom? E quem logicamente passa por ela? A versão Terra-2 de Harrison Wells para que nós fiquemos mais uma vez especulando se ele é do bem ou do mal, se é o Flash Reverso 2, se é Zoom ou se é apenas mais alguém que quer ajudar (ainda que o sorriso sinistro de Tom Cavanagh aponte para alguma opção vilanesca). Haja paciência, viu?

Family of Rogues seria muito bom se tivesse focado única e exclusivamente na família Snart. Com todos os penduricalhos mal escritos ao redor da trama do roubo dos diamantes, o episódio acaba sendo tão marginalmente superior aos outros dois que não tinha gradação de estrelas suficiente para indicar a melhoria e, portanto, tive que manter a mesma nota anterior. Mas saibam que assistir Wentworth Miller e Michael Ironside contracenando vale o (grande) esforço de aturar todo o resto.

The Flash 2X03: Family of Rogues (EUA, 2015)
Showrunners: 
Andrew Kreisberg, Greg Berlanti
Direção: John F. Showalter
Roteiro: Julian Meiojas, Katherine Walczak
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Rick Cosnett, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Tom Cavanagh, Jesse L. Martin, Robbie Amell, Wentworth Miller, Ciara Renee, Victor Garber, Matt Letscher, Michelle Harrison, Patrick Sabongui, John Wesley Shipp, Logan Williams, Teddy Sears, Shantel VanSanten, Michael Ironside
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.