Crítica | The Flash – 2X10: Potential Energy

estrelas 3,5

Obs: Leiam as críticas dos demais episódios de The Flash, aqui.

A volta de The Flash do hiato de final de ano é enganosamente calma e lenta. Até mesmo o vilão da semana tem o poder contrário ao do herói, ou seja, de retardar o tempo, fazendo com que ele próprio, em velocidade normal, aparente extrema rapidez.

O Tartaruga – vilão obscuro do Flash original (Jay Garrick) – é vivido, aqui, por Aaron Douglas (Battlestar Galactica) e ele não vem da Terra-2 e sim é fruto da explosão do gerador de partículas que criou o Flash da Terra-1. No começo, ele parece um bobalhão qualquer, daquele tipo que será derrotado em um piscar de olhos pelo herói, mas, na medida em que a trama avança, o lado sociopata mais completo do vilão vem à tona e a narrativa se complica, algo muito bem-vindo na série, que costuma descartar seus personagens vilanescos sem cerimônia. Claro que é estranho o Tartaruga estar agindo em Central City há meses, com todos sabendo disso menos o próprio Barry, mas isso é algo que estou disposto a aceitar. Um leve retcon não faz mal a ninguém, afinal de contas.

Mas a trama central – o furto dos mais variados bens pelo Tartaruga e a Equipe Flash correndo atrás do sujeito para eventualmente usar seus poderes para tornar Zoom menos rápido – é apenas um aspecto do episódio. O roteiro de Bryan Q. Miller é inteligente ao costurar a presença mais constante de Wally West (Keiynan Lonsdale) que, em um toque interessante, vive de fazer rachas ilegais e não se encanta pelo pai assim tão facilmente e, também, a relação entre Patty e Barry, que se torna mais complicada diante da hesitação do segundo em contar sobre seu maior segredo.

Enquanto o desenvolvimento da narrativa de Wally West funciona bem, o mesmo não pode ser dito do romance de Barry com Patty, que carece de encadeamento lógico. Afinal, até o momento, o segredo de Barry não havia interferido na relação e, de repente, ele se torna um gigantesco entrave que leva a Patty a pensar em sair de Central City. Nesse ponto o roteiro deixa muito a desejar e mais uma vez demonstra que a CW não sabe bem o que fazer com essas relações, que existem apenas por existir e não como parte integral da trama maior. Pelo menos o caminho de Wally West parece ser interessante o suficiente, pelo menos até ele se tornar o Kid Flash (ou seja lá o nome que adotará).

Mas o melhor de Potential Energy está mesmo nos “pequenos momentos”, como a dúvida corroendo o Dr. Wells que o leva a matar o Tartaruga, a recém-revelada doença de Jay Garrick (tirada assim da cartola, sem construção alguma, mas tudo bem…) e, claro, a volta do Flash Reverso, ou melhor, de UM Flash Reverso. São esses elementos que provavelmente impulsionarão a segunda metade da temporada e será interessante ver no que vai dar. Afinal, em algum momento parece que teremos quatro velocistas simultaneamente na série, o que pode gerar ótimos momentos. No entanto, para isso, a série terá que novamente abraçar completamente seu  lado “quadrinhos” de ser, pois, quando faz isso, The Flash consegue ser melhor do que quando tenta ser séria e exageradamente dramática.

Potential Energy é um bom recomeço de temporada. Agora é torcer para que esse potencial não seja desperdiçado.

The Flash 2X10: Potential Energy (EUA, 2016)
Showrunner: 
Greg Berlanti, Andrew Kreisberg, Geoff Johns
Direção: Rob Hardy
Roteiro: Bryan Q. Miller
Elenco: Grant Gustin, Candice Patton, Danielle Panabaker, Carlos Valdes, Jesse L. Martin, Tom Cavanagh, Shantel VanSanten, Teddy Sears, Patrick Sabongui, Violett Beane, Liam McIntyre, Cody Davis, Julien Durant,  Aaron Douglas, Keiynan Lonsdale
Duração: 43 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.